COINCIDÊNCIA OU PROPOSITAL. EIS A QUESTÃO
Publicado em 29/01/2020

Opinião

Fatos são fatos o resto é boato. O que temos presenciado, através das diversificadas informações da imprensa, mostra como será a próxima eleição municipal. E ai é o primeiro fato concreto que essa é a mais importante eleição, porque forma base para as próximas, governadores e presidente. Então, a disputa é sem fronteiras. A conversa pelo telefone, mantida entre o governador do Rio e o vice-presidente da República, amplamente divulgada pela imprensa, deixa claro que a guerra pela eleição de uma base municipal é tão importante que embota a mente de alguns juristas. Será que o governador do Rio, Wilson Witzel, juiz de profissão, não se deu conta de que a divulgação de um telefonema entre autoridades, não deveria ter sido colocado nas redes sociais? Primeiro, gravou sem autorização do interlocutor que é o vice-presidente da República. Claro que, o desconfiado, tanto quanto eu, que não acredita em ‘anjinho na política’, pode interpretar de duas maneiras. A primeira delas é provocar o acirramento entre presidente e vice-presidente da República. Já não é das melhores, mas ‘nem tudo está tão ruim que não possa piorar’. A segunda é mostrar afinidade com o vice, coisa que não está tendo com Bolsonaro após deixar claro sua intenção de concorrer à presidência em 2020. Creio que acabou de fazer gol contra. Provocou a reação de Jair e Mourão, não só contra a gravação como contra a divulgação. Este tipo de atitude é praticado pela imprensa que, ao entrevistar uma autoridade, grava tudo que é declarado e depois transcreve na matéria publicada. É a prova de que o transcrito foi de viva voz do entrevistado. Mas é do conhecimento da autoridade, que gravar sem autorização e publicar, é ‘ilegal’. Ou só foi ilegal quando Wesley Batista gravou o ‘bate-papo’ com Michel Temer? O que o governador do Rio demonstra querer é ‘distância’ com a família Bolsonaro, porque tem sido criticado por algum dos membros. Ele quer ganhar as eleições municipais no Rio, tirando da jogada a família do presidente da República. Até aí nada demais. Em eleição, mais do que nunca, guerra é guerra. É lastimável, mas é verdadeiro. Tá!   
Parceiro político quando vira adversário
Companheiro político, defensor de um projeto político que foi eleito pelo voto, quando se sente abandonado, vira forte adversário. Vivenciamos inúmeros casos no Brasil, inclusive, aqui em Bagé. O apoio que Bolsonaro teve na eleição presidencial, passo a passo, foi se perdendo pelo caminho. Quem não sabe que João Doria, governador de São Paulo, apoiou sua candidatura, abandonando o ‘criador’ Alckmin, está por fora da política. Quem não sabe que o DEM apoiou publicamente Alckmin e depois fez campanha para Bolsonaro, quando percebeu que o candidato do PSL começou a mostrar força eleitoral, não deve opinar sobre política. E aqui não vai nenhum juízo de valor. É coisa da política. Pois bem, nos primeiros momentos do governo eleito, tudo parecia ir às mil maravilhas. De uma hora para outra, sempre de olho na próxima eleição, Doria, Rodrigo e Witzel, tentaram ganhar ‘asa para voar’, e ai o bicho pegou. Ministros foram demitidos e deputados viraram de lado. A base de Bolsonaro foi se diluindo, foi se afastando. Um deles foi manchete de ontem.
Alexandre Frota quer sabatinar Regina
Caso a atriz aceite o cargo de secretária de Cultura, o ex- apoiador de Bolsonaro, também artista, diz ter formulado um requerimento para que Regina Duarte seja convocada para responder perguntas de deputados e senadores na Comissão de Cultura da Câmara. O argumento apresentado para justificar a ‘sabatina’, até que é válido. Agora, é falso no momento em que ele se tornou ‘adversário’ do presidente da República. Saiu do partido e se filiou ao PSDB de João Doria. Sair de um partido e se filiar a outro, não tem nenhum crime, porque é prática de muitos políticos. Como se sabe, os ministros ou assessores diretos é de livre escolha dos governantes. Em todos os níveis da República. Leia o argumento usado por Frota: “Ela vai poder ter oportunidade de falar o que ela pensa, o que ela quer e como ela vai agir. A gente espera que ela chegue para agregar e que tenha bons planos para a cultura, visto que o Bolsonaro, infelizmente, apequenou a cultura do Brasil. Precisamos fazê-lo entender que a cultura é muito maior que ele. Portanto, na sabatina, a Regina vai ter a oportunidade de mostrar que veio para mudar alguma coisa, pois nós já temos quase 14 meses de governo e nada foi feito de bom para a cultura”. Aí vem a denúncia: Empresa de Regina deve 319,6 mil ao Fundo Nacional de Cultura. Lei Rouanet. Faz uma pergunta ‘inocente’: Ela vai pagar ou será perdoada? Nossa!

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