CNA apresenta balanço dos impactos da pandemia
Publicado em 06/06/2020

Rural

Foto: Reprodução/FS

Força de segmento se traduz em números para PIB do país

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou do Congresso Web 2020 promovido pelo Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), na quarta-feira.

A entidade foi representada pelo coordenador do Núcleo Econômico, Renato Conchon, que fez uma apresentação sobre o tema “Como ficam economia, câmbio e juros em meio à pandemia, e os instrumentos e operações de hedge disponíveis no mercado financeiro”.

A palestra teve os seguintes temas: cenário internacional e doméstico, perspectivas para o agronegócio e como se preparar para o futuro. “A percepção majoritária é de que a atividade econômica será muito prejudicada por dois a três trimestres, com uma queda entre 4,6% e 5%. Ficará por um tempo curto no fundo do poço e depois começará a retomada no primeiro trimestre de 2021. É uma recessão muito severa e isso vai trazer impactos para toda a economia global”, disse.

Efeitos internos no Brasil

No cenário doméstico, o coordenador do Núcleo Econômico da CNA tratou de temas como a menor velocidade no achatamento da curva do coronavírus no Brasil, índice de confiança dos agentes e a piora no mercado de trabalho. Ele também apresentou o quadro fiscal que amplia o risco relativo do Brasil e os impactos provocados no câmbio.

“As turbulências políticas podem impedir o avanço de reformas essenciais, o que evidência uma volta à normalidade mais lenta que em outros países. Os impactos negativos no segundo trimestre deverão ser ainda mais intensos e a dificuldade em achatar a curva de contaminação deverá ampliar o prazo das medidas de distanciamento, impactando a economia”, afirmou.

Perspectivas para setor

Em relação às perspectivas para o agronegócio, Renato Conchon analisou as quatro principais commodities – milho, soja, algodão e cana – e indicadores de energia, com projeções de valores até 2023.

Na última parte da apresentação, ele abordou os contratos agropecuários negociados na B3 e as formas do produtor rural se proteger de eventuais quedas nos preços nos produtos, como o hedge de venda. O economista da CNA também mostrou como as indústrias de alimentos, processadoras e exportadoras podem fixar o preço da matéria-prima antecipadamente e reduzir incertezas no fluxo de caixa durante a produção, por meio de hedge de compra. “Estamos fazendo um bom trabalho. Basta ver o PIB, onde ganhamos participação. Em 2019, 21,9% do PIB total era agronegócio. A nossa estimativa é que esse número suba para 23,4% em 2020. Estamos falando de um quarto da economia que faz o Brasil girar. Fica a responsabilidade de nos profissionalizarmos e estarmos preparados para um mundo globalizado, que exige de nós novos desafios”, declarou Conchon.

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