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Carnavale, Carrus Navalis, o Carnaval na Antiguidade
Publicado em 24/01/2013

Cultura

Há registros que a cerca de dez mil anos antes de Cristo, povos do Mediterrâneo reuniam toda família e realizavam rituais com corpos pintados e máscaras no rosto para afastarem os espíritos maus, que poderiam prejudicar a colheita. Já os egípcios, que eram politeístas e antropozoomórficos, festejavam a Deusa Ísis, associada à vegetação e às sementes, clamando por uma boa colheita. Já na cidade de Mênfis, adoravam o touro sagrado Ápis e realizavam festas durante dias, isto quatro milênios anterior a era cristã.
Na Grécia antiga eram realizadas as bacanais em homenagem à divindade Baco, regadas a muita bebida e algazarra, os Romanos festejavam as Saturnais durante o mês de dezembro, para pedir boa colheita e homenagear Saturno; durante este período não era permitido tratar de negócios, todas as distinções cessavam e, mesmo os escravos podiam se dirigir a seus senhores. As comemorações de Dionísio eram uma das mais abundantes na Grécia, chamadas de Dionisíacas, eram marcadas por extravagância e exibicionismo. Também eram carnavalescas as festas que Celtas Teutões realizavam em honra à deusa Herta, chamada de mãe terra.
A partir da era cristã, passa o carnaval a ter relação com a quaresma, ou seja, o período de quarenta dias que antecede o domingo de Páscoa, além de representar os últimos momentos antes da abstinência pela carne. Na Europa medieval haviam ruidosas passeatas em navios com bandeiras enfeitando-os, que conduziam pessoas travestidas em personagens, entoando canções impudicas com mulheres nuas atraindo aplausos do público que ficava nas margens. Levavam tochas acesas para afastar os maus espíritos, chamavam-se Carrus Navalis, que para muitos historiadores seria a origem da palavra carnaval.
Para Littré, há outra origem etimológica, derivando do latim "carnelevamen", de Caro (Carne) e levaraem (ação de tirar), é o tempo que se retira a carne, sendo carnaval, historicamente, a noite da chamada terça-feira gorda. Seja qual for a origem correta, o carnaval passa a partir da era cristã a ter sua data determinada pela Igreja. Na renascença, consagram-se festas carnavalescas que iriam influenciar o carnaval no ocidente.
É na região ibérica, neste período, que surgem os bailes de máscaras restrito à nobreza, quando surgem as primeiras fantasias como conhecemos hoje. A partir do século XIX, as máscaras e fantasias se popularizaram nas festas por toda a Europa. Os personagens mais destacados eram o Pierrô, o Arlequim e a Colombina (da commedia dell’arte italiana), presentes ainda hoje na festa popular. Nice e Lyon, na França; Nápoles, Roma e Veneza, na Itália; e Boon e Nurenberg, na Alemanha; marcaram um carnaval esplendoroso no velho continente. Em Portugal, um tambor chamado de Zé Pereira é quem dá a marcação da manifestação carnavalesca chamada de Entrudo, este será  um importante marco para a folia do Rio de Janeiro e do Brasil.

César Jacinto
Pesquisador da História e Cultura Afro-brasilera
   

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