Câncer: medo e esperança
Publicado em 06/02/2020

Opinião

Foto: Divulgação/FS

Chefe do serviço de Oncologia do Hospital Moinhos de Vento

Em 2020, mais de 18 milhões de pessoas em todo mundo serão diagnosticadas com câncer. Aqui, mais de 500 mil brasileiros vão saber que têm a doença. Em Porto Alegre, com os progressos feitos no tratamento de outras enfermidades, hoje, o câncer é a principal causa de mortalidade. 

Porém, muitas dessas pessoas serão curadas – e grande parte em função do diagnóstico precoce, que salva dois em cada três casos. Comemorado esta semana, o Dia Mundial do Câncer propõe uma importante reflexão sobre isso. Desde 4 de fevereiro de 2000, promove a conscientização e a educação sobre a doença, evitando milhares de mortes a cada ano. 

 O tratamento provoca medo. Grandes cirurgias, quimioterapia e radioterapia são palavras associadas a sofrimento e perda da qualidade de vida. Mas a última década nos trouxe notícias promissoras: novas tecnologias que nos permitem tratar de forma mais eficaz e menos dolorosa. Cirurgia conservadora, robótica, radioterapia de precisão, drogas alvo e imunoterapia nos fazem sonhar com cura e menos sequelas.

Progressos importantes já haviam sido conquistados para tumores de mama, de intestino, de próstata e doenças do sangue. Estamos avançando mais rápido no tratamento de melanomas, câncer de pulmão e rim. Conseguimos fazer análises mais profundas das células cancerosas graças à tecnologia para sequenciar rapidamente todos os genes dos principais tipos. Isso nos permitirá descobrir e desenvolver novas medicações, mais específicas para cada caso e cada paciente. 

 As terapias celulares começam a ser uma realidade: estamos isolando células do nosso sistema imunológico e, com técnicas de terapia genética, elas se tornam poderosas armas contra o câncer. No ano passado, tivemos o primeiro caso de cura no Brasil de um paciente em estado terminal tratado dessa forma. E muitos outros virão nos próximos anos. 

Um grande desafio é lidar com os custos dos novos tratamentos. É preciso que sejam acessíveis a toda a população. Vamos ter de usar o máximo de nossa inteligência para selecionar e investir nos tratamentos mais promissores. Isso passa também por incorporar a ideia de que participar de uma pesquisa clínica pode ser a melhor opção de tratamento e esperança de cura.

Vivemos o momento de avaliar onde estamos e o que podemos esperar nos próximos anos para que mais famílias possam comemorar suas vitórias. E estaremos todos juntos. Porque ninguém vence o câncer sozinho. 

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