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Caminhoneiros autônomos da região indicam não participação em novos protestos
Publicado em 30/08/2019

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Foto: João A. M. Filho

Representante da categoria declarou que mobilização está descartada

No dia 4 de setembro, o Supremo Tribunal Federal vai julgar a constitucionalidade do Piso Mínimo do Frete, aprovado em 2018 pelo governo federal, questionada na Justiça por entidades empresariais dos transportes, lideranças do agronegócio e indústrias. Na prática, será avaliada a validade da medida criada para pelo então mandatário Michel Temer para desmobilizar a greve dos caminhoneiros, ocorrida entre maio e junho do ano passado, que paralisou o país. Representantes nacionais dos caminhoneiros autônomos têm interesse direto no tema e foram anunciadas mobilizações para a segunda-feira, 2 de setembro, porém, em relação a Bagé e região, a ação tende a não acontecer.

Isso porque, segundo um dos integrantes da categoria, Ademir Lindemann, ressaltou que os caminhoneiros da região não acreditam mais na iniciativa do governo federal. “Sofremos severas perdas em 2018 após 12 dias parados e nada mudou. A criação da tabela do frete foi uma medida “para inglês ver”, porque a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) jamais fiscalizou se as empresas cumpriam as regras”, declarou. Conforme o profissional, a defasagem nos preços pagos para os transportadores está em patamar ainda inferior ao de 2018. “O que se vê são aumentos nos insumos, combustíveis, produtos e serviços, enquanto se paga menos ao trabalhador que no ano passado”, complementou.

Segundo Lindemann, a tendência da região não voltar a ter acessos bloqueados por transportadores na segunda-feira diz mais respeito ao receio da categoria em acumular mais perdas pelo tempo parados, além de não acreditarem em medidas governamentais que resolvam o impasse. “Se pararmos agora, a maioria não conseguiria sobreviver. A demanda é legítima e a atual tabela é um engodo empurrado para os caminhoneiros”, frisou. Lindemann se refere à formulação dos cálculos do Piso Mínimo, regulada pela Resolução 5 849 da ANTT, que leva em conta somente os custos do transporte de cargas, sem abranger remuneração aos trabalhadores, o que gerou críticas veementes de representantes da categoria. “A própria formulação da tabela é confusa e de difícil entendimento para os profissionais, além de ser praticamente impossível de ser avaliada aos olhos de um leigo”, relatou. Devido a estas críticas, a medida que regia o Piso Mínimo do Frete, publicada no Diário Oficial da União em 18 de julho e que entrou em vigor no dia 20, foi suspensa dois dias depois, pelo próprio governo federal, proponente da resolução.

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