Bageenses desrespeitam equipes de fiscalização
Publicado em 06/07/2020

Geral

Foto: Divulgação/FS

Vários pontos da cidade com aglomerações foram fiscalizados

“Foi uma das noites mais difíceis e estressantes. Várias cenas de desrespeito com os nossos servidores, ameaças, adolescentes postando em redes sociais  com atos obscenos e marcando a vigilância Sanitária”. Assim se manifestou a secretária de Saúde Atenção à Pessoa com Deficiência, Deise Quadros, sobre o desrespeito de um grupo com as equipes que fiscalizam as ruas para fazer cumprir as determinações que estabelecem regras dos governos municipal e estadual para conter o avanço da pandemia do coronavírus.
O fato aconteceu no sábado à noite, quando as equipes da Vigilância Sanitária, Secretaria de Segurança e Mobilidade Urbana e a Brigada Militar passavam em frente o edifício Dom Diogo de Souza, na avenida Sete de Setembro. Do prédio, jogaram ovos nas equipes.
O coordenador da Vigilância Sanitária, Geraldo Gomes, descreveu essa noite como uma das mais difíceis e estressantes para as equipes. Ele contou que as aglomerações na rua já começaram na sexta-feira à noite.
A secretária de Saúde disse que alguns perderam a noção do limite. Deise argumentou que essa minoria ainda não entendeu que o trabalho das equipes de fiscalização é para salvar vidas, inclusive de famílias desse grupo. “O trabalho foi intenso e árduo, não podemos relaxar com as medidas preventivas”, avisou.
O jornal Folha do Sul tem publicado reportagens sobre o desrespeito que tem ocorrido em Bagé em relação às determinações para que sejam cumpridas as regras. Todos os finais de semana, na contramão disso, ocorre aglomeração e consumo de bebida na avenida Sete de Setembro, na quadra entre as ruas Bento Gonçalves e Ismael Soares.
Isso ocorreu logo depois que Bagé foi classificada na bandeira laranja, que significa risco médio de contaminação pelo coronavírus.
Após a meia-noite, a Vigilância Sanitária retornou ao centro para fiscalizar se o toque de recolher estava sendo cumprido e precisou conversar com alguns donos de estabelecimentos, que permaneciam abertos. Também retornaram aos bairros para isso. Gomes ainda comentou que recebeu uma ligação. Uma pessoa tentou intimidar o coordenador da Vigilância, devido ao trabalho que estava fazendo. Ele disse que iria registrar ocorrência na delegacia.
Repercussão 
Foram muitas as manifestações pelas redes sociais do jornal Folha do Sul sobre o caso. Alguns sugeriram  a presença de militares do Exército nas ruas. Ampla maioria lamentou esse tipo de comportamento. Muitos pediram que sejam aplicadas multas, a exemplo do que vai ocorrer em Pelotas. Na semana passada, a Câmara de Vereadores da Princesa do Sul aprovou projeto de lei enviado pela prefeita Paula Mascarenhas, para aplicar multa a quem desrespeitar as restrições determinadas em decreto municipal estadual.


BOX
Algumas manifestações nas redes sociais do jornal
- “Para nós, que nos arriscamos trabalhando na linha de frente, é desanimador ver cenas como essa. Deise Quadros, peço a Deus que tenha misericórdia de nós, a enfermagem, os médicos, o prefeito Divaldo Lara, as equipes da prefeitura, a Brigada Militar. Todos nós lutando diariamente contra um inimigo desconhecido, enquanto outros desvalorizando nosso esforço, colocam em risco sua vida e de seus familiares”.
- “Só tenho uma coisa a dizer, vergonha, uma cidade que amo tanto, ver certos habitantes se comportar de forma primitiva”.
- “Tem que colocar o Exército na rua e multar”.

- “Falta de respeito, as pessoas não têm consciência, pois estão brincando com uma coisa séria. O pessoal da vigilância e da SSM estão fazendo seu trabalho. Eles poderiam estar em suas casas, mas estão na rua trabalhando pela nossa segurança! Parabéns às equipes. Espero que os ignorantes que fizeram isso se conscientizem e não vão pra rua”.
 

- “Mexe no bolso ou façam assinar um termo abrindo mão do leito no hospital e do respirador! É muito simples”.
- “Por isso, sou a favor de multas. Infelizmente, no Brasil as regras só funcionam quando doem no bolso”.

- Simples, deixem que façam o que quiserem e multem, quando doer no bolso ou perderam alguém é que vão ter consciência dos riscos”.

- “Espero que essas atitudes infelizes e egoístas não cheguem às famílias dessas pessoas que praticaram esses atos. Vocês, infelizmente, irão aprender pela dor já que pelo amor tá difícil”.

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