Até logo, professor!
Publicado em 03/07/2017

Editorial

Foto: Fernando Dias/EspecialFS

Não era apenas um cumprimento, feito a cada ligação para sugerir uma pauta, ou quando aparecia para uma visita, uma conversa. ‘E aí, professor?’, dizia ele. Esta expressão era quase uma marca de alguém que quem o conheceu soube interpretar, decifrar, simplesmente saber, se tratar de um dom natural dele próprio: ensinar, como poucos, como utilizar as palavras e transmiti-las em mensagens, informações, de um modo claro e verdadeiro.
Sem sombra de dúvidas, neste ensolarado e frio sábado que passou, Bagé perdeu um de seus mais capacitados e competentes profissionais do jornalismo. Uma despedida inesperada, tão inusitada que deixou, além de familiares é claro, comunicadores e colegas com quem trabalhou com um sentimento apreensivo. Em especial pelo que representou para muitos: foi um professor que, mesmo não lecionando, soube transmitir conhecimento, não simplesmente teórico, mas prático, sobre como desempenhar uma função que tanto representa para uma sociedade.
Em seus 53 anos de idade, percorreu uma vasta gama de setores da imprensa, como jornal, rádio, área publicitária. Mas foi no segmento de assessoria política que fez uma carreira de sucesso. Dedicado e capaz, serviu de exemplo para muitos jovens que iniciam sua trajetória neste ramo. Aliás, nunca se negou a demonstrar como dar vida a uma informação. Muito pelo contrário, fazia questão de explicar, quase que didaticamente, o caminho a ser percorrido.
Era leitor assíduo, de tudo um pouco, escrevia com desenvoltura, sempre buscando um discurso, em seus textos, que deixasse uma mensagem a mais, para reforçar teses. Militante de esquerda, não era radical, pelo contrário, usava o diálogo com posições fundamentadas como principal sustentação de suas ideias. Por isso, talvez, fosse respeitado mesmo por adversários políticos, dos mais ferrenhos.
Uma pena, esta despedida. Até, Marcos! Até logo, professor!

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