As lições de Jorge Jesus
Publicado em 05/12/2019

Esportes

Estamos praticamente no fim do ano futebolístico no Brasil. Faltando apenas duas rodadas para acabar o Campeonato Brasileiro, já temos o campeão de 2019: o Flamengo. A equipe, que iniciou o ano aguentando a corneta sobre o “cheirinho”, em referência as diversas vezes que o clube quase foi campeão, mas acabou não conseguindo, termina a temporada dando uma aula sobre como jogar futebol em alto nível, tudo isso orquestrado por Jorge Jesus.

Sim, ele não começou a temporada como treinador do Flamengo e pegou o plantel praticamente pronto. Mas é notório que, antes dele, o time não jogava da mesma forma. Há algum tempo o Flamengo fazia grandes investimentos, porém os resultados não vinham, pelo menos não da forma que o torcedor esperava. No início do ano, por exemplo, o rubro-negro chegou a conquistar a Flórida Cup e o Campeonato Carioca, mas a qualidade do futebol não agradava.

 Então, Jorge Jesus chega ao meio da temporada, gerando a desconfiança típica em todos. Só o fato de um estrangeiro ser chamado para treinar uma equipe brasileira já fez muita gente torcer o nariz. Rapidamente, ele consegue implantar seu estilo de jogo, fazendo com que o rubro-negro jogue um futebol mais próximo ao padrão europeu.

Olhando uma partida do Flamengo, é possível observar diversas características peculiares. A equipe consegue envolver o adversário controlando a posse de bola com linhas avançadas. O Flamengo consegue bloquear praticamente todas as jogadas ainda no campo defensivo do adversário, e quando consegue encaixar um contra-ataque é letal.

Mas a característica do Flamengo que mais me chama a atenção, e que é completamente diferente das demais equipes, é a capacidade de não diminuir o ritmo de jogo. A equipe consegue manter o mesmo padrão durante os 90 minutos. Isso acontece devido ao excelente preparo físico dos jogadores, mas principalmente por uma peculiaridade do “Mister”: ele não admite “tirar o pé”, mesmo quando o time está ganhando. Essa característica mostra o alto nível de exigência do treinador e o respeito com o adversário, já que, convenhamos, não há nada mais humilhante do que ver uma equipe fazendo corpo mole depois de construir uma boa vantagem.

Não se sabe quanto tempo o Flamengo vai conseguir segurar o treinador e nem quanto tempo essa lua de mel vai durar. Mas o fato é que Jorge Jesus conseguiu implantar um sistema de jogo completamente diferente do que era praticado no Brasil até então, com uma filosofia inovadora. Pode parecer um pouco utópico da minha parte, mas acho que daqui alguns anos vamos poder dizer: “Eu vi o Flamengo do Jorge Jesus jogar”.

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