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Aprofundando a identidade de Jesus
Publicado em 14/09/2019

Opinião

Aproveitando o mês de setembro, mês da Bíblia, convido nossos amigos e leitores para uma reflexão sobre a identidade de Jesus: Ele está no centro. Nossa história é contada com “antes e depois” de Jesus: antes de seu nascimento, temos o Antigo Testamento; a partir de seu Nascimento, o Novo Testamento. Jesus é um marco na história da humanidade. Somos seguidores de Jesus. Mas quem é este Jesus? Na origem da fé cristã há uma pergunta que os primeiros discípulos se sentem chamados a responder. Quem é este Jesus que despertou tanta esperança nos corações e cuja morte transformada em ressurreição os convida a esperar agora a vida eterna de Deus? Que mistério se esconde neste homem, a quem a morte não pôde vencer? Qual é a verdadeira identidade deste crucificado a quem Deus ressuscitou, infundindo-lhe sua própria vida? Como devemos chamá-lo? Como podemos anunciá-lo? 
Para compreender Jesus, os discípulos e estudiosos tiveram que fazer uma retrospectiva de sua vida. A partir da experiência de Jesus ressuscitado, os seguidores começam a fazer uma releitura de toda sua vida. Vão recordando seus ditos e feitos, à luz da ressurreição. Percebem que, secretamente, Ele já agia como Filho de Deus. Ele é a palavra de Deus feita carne, na qual se pode ver, tocar e acolher a salvação que Deus oferece a todos, em todos tempos. O que os evangelistas pretendem é ler, assimilar e contemplar a história de Jesus, a partir de uma nova ótica. Reavivar o que experimentaram junto d’Ele, mas sob a luz d’Aquele que está “vivo”. 
Por qual nome chamá-lo? Um fato singular acontece entre os discípulos de Jesus: o impacto de sua ressurreição impele-os a buscar “nomes” e “títulos” para traduzir o mistério que eles intuem naquele ‘profeta’ ressuscitado. Qual é sua verdadeira identidade? Como devem chamá-lo? Com que nome o devem anunciar? 
Desde o princípio, Jesus foi chamado de Senhor, mas um senhor que serve, que não domina (Fl 2,6-11). A este Jesus que vós crucificastes, Deus o constitui Senhor e Cristo (At 2,36). Numa síntese de fé, Paulo diz: Se proclamas com tua boca que Jesus é o Senhor e crês com teu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo (Rm 10,9). Tomé confessa atônito: Meu Senhor e meu Deus! (Jo 20,28). Esta confissão é tão importante que “ninguém pode dizer ‘Jesus é o Senhor’ se não for movido pelo Espírito Santo” (1Cor 12,3). Desde o começo, Jesus foi também chamado Messias ou Cristo, mas um messias crucificado, não um rei vitorioso que destrói os adversários. Aos poucos, o nome “Cristo” foi se tornando o nome próprio de Jesus. 
Desde muito cedo, Jesus passou a ser chamado Filho de Deus. Os discípulos recordam bem o comportamento singular de Jesus diante de Deus: via-o como um pai querido; chamava-o de Abbá; sua confiança nele era total, sua obediência e fidelidade, absolutas. Jesus não é um filho de Deus, mas o Filho. Foi o Pai quem o enviou ao mundo (Gl 4,4). A vinculação de Jesus com Deus não é como a nossa. Deus é o pai de Jesus de uma maneira única. Os primeiros cristãos nunca põem nos lábios de Jesus a expressão “Pai nosso”. Jesus mesmo diz a Madalena: “Subo para junto do meu Pai e vosso Pai” (Jo 20,17). Outros muitos títulos ainda foram dados a Jesus, o Salvador. E para você, quem é Jesus? Paz e Bem! 

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