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ANO ELEITORAL ACIRRA BRIGA PELO PODER
Publicado em 07/03/2020

Opinião

Cada dia tem um capítulo diferente na novela ‘em busca de poder’. E aí tenho novamente que recorrer a ditado popular, que cabe bem no tópico acima: Ao chegar a uma ilha, um náufrago, após luta muito grande para salvar sua vida, ao se refazer do susto pergunta alto e bom som: Aqui tem governo? Se tem sou contra. É o que vem acontecendo entre o governo Bolsonaro e o Congresso Nacional. Em democracia, se sabe que cada poder ter sua importância, mas um não vive sem o outro. Ou não sobrevive com brigas constantes. Isso é efeito da ditadura que embora tenha terminado há um bom tempo, ainda influi na ‘cabeça’ de quem usufruiu dela. Ora bolas, isso atrapalha tudo, principalmente, o crescimento econômico. Qual investidor vai aplicar dinheiro em um país que está em briga constante? Em ano eleitoral, isso é visível a olhos nus e complica mais a situação econômica que já é ‘periclitante’. Certa feita, o dirigente de um time de futebol, forte no passado pelo apoio que tinha da torcida, resolveu lançar um desafio que deu resultado: “Nosso time é igual a um bolo, quanto mais batem, mais ele cresce”. Fica a pergunta por que os políticos não ajudam o crescimento de um país que ao final propiciará a ‘briga’ na repartição do bolo? No Brasil, queremos repartir a ‘miséria’. E isso não ajuda no crescimento econômico. É o Brasil que vivemos neste momento. Ambos os poderes têm culpa no ‘cartório’. Bolsonaro por provocar o poder Legislativo e este por aceitar a provocação. Resultado: Instabilidade econômica, que não serve a ninguém. É a mesma coisa que não aceitar que tanto os empresários quantos seus funcionários não vivem um sem o outro. Além disso, o desemprego no Brasil continua altíssimo. O velho debate sobre a “sociedade capital e trabalho” está presente em cada discussão. O capital é importante para o trabalho, assim como o trabalhador é importante para o capital. Grande parte dos políticos não quer nem saber “quem pintou a zebra, pois querem o resto da tinta”. Instabilidade economia provocada por discussões fúteis. O tema volta à coluna após Bolsonaro ter vetado decisão do Congresso sobre a aplicação dos recursos do orçamento. Os congressistas queriam comandar a aplicação de 30 bilhões de reais, que só seriam liberados por eles e não pelo poder Executivo como prevê a Constituição. Aí teve discussão grande que acabou por ser aprovado um meio termo. Cada poder liberaria a metade dos 30 bilhões. Porém, sempre tem um porém, não agradou a gregos e troianos. Então, não mais que 48 horas após a aprovação, começou outra pendenga que vai complicar mais ainda, o já complicado relacionamento entre Executivo e Legislativo.           
Parlamentares estão insatisfeitos 
Isso é o ‘normal’ na política atual, praticada no Brasil. Vou transcrever a matéria publicada, ontem, no CB: “Garantidos, na quarta-feira, os vetos do presidente Jair Bolsonaro a trechos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que aumentariam o poder de decisão do Congresso na destinação de dinheiro público pela ampliação do chamado Orçamento Impositivo, a briga, agora, é sobre o que fazer com os projetos de lei enviados pelo governo como contrapartida ao apoio dos parlamentares. Parte dos deputados e senadores não concorda com as propostas e defendem quebrar o acordo”. Mas, agora, a pendenga é outra. Acontece que parte do orçamento, que ficaria a cargo do Legislativo liberar, estaria nas mãos do relator geral do orçamento deputado Domingos Neto (PSD). Então, pelo visto, boa parte da Câmara não concorda com os ‘poderes’ que ficariam nas mãos do relator. Grupos contrários à divisão dos recursos argumentam que é um valor muito alto para ser gerido por apenas um parlamentar ‘que terá carta branca para decidir a prioridade na execução’. Agora, a briga é outra, parlamentar contra parlamentar. Por que não se respeita a Constituição? Ali está explicito que o orçamento é aprovado pelo Congresso e executado pelo governo. Cada poder quer mandar mais que o outro. Em ano eleitoral o consenso é muito mais difícil de acontecer. Cada um quer tirar sua ‘lasquinha’. “Se podem complicar para que facilitar”. Ou “nada está tão ruim que não possa piorar”. Conclusão, como tudo depende de nosso voto, e como teremos eleição em outubro, fica a mensagem: “Na hora de votar pense bem para não errar”. Concordam ou não?  

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