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Ações para controle do carrapato são discutidas na Rainha da Fronteira
Publicado em 20/09/2019

Rural

Foto: Felipe Rosa/ Especial FS

Médico veterinário Alfredo Pinheiro abordar problemática para a pecuária gaúcha

Com o objetivo de discutir soluções para o problema do carrapato, cerca de 200 pessoas, entre produtores, técnicos, professores e pesquisadores, reuniram-se na terça-feira, na sede da Associação Rural de Bagé, durante a Jornada Técnica Controle do Carrapato. Considerado um dos principais entraves da pecuária de corte e de leite, o parasita tem alarmado a cadeia produtiva da bovinocultura, principalmente pela resistência apresentada aos principais tratamentos existentes no mercado.

Durante a programação, foram apresentados palestras e debates sobre a situação atual do controle do carrapato e a resistência genética dos bovinos como alternativa para controle do parasita. O pesquisador da Embrapa e moderador do primeiro painel do evento, Marcos Borba, destacou a importância de se encarar o problema como “extremamente preocupante” e trabalhar em estratégias conjuntas entre produtores e instituições para minimizar os impactos do parasita no sistema de produção.

Entre as atitudes consideradas fundamentais pelos participantes está a de que o produtor precisa analisar e entender sua propriedade e trabalhar o problema do carrapato a partir da compreensão das características específicas do estabelecimento rural. Tudo isso, com o imprescindível acompanhamento técnico do médico veterinário, profissional responsável pelo planejamento sanitário da propriedade. “Não existe solução fácil para um problema tão complexo”, enfatizou José Reck, pesquisador do Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor, órgão vinculado à Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (IPVDF/SEAPDR).

O uso de protocolos prontos, muitas vezes, repassados com interesses comerciais, é considerado um risco alto para a pecuária, pois pode acelerar o processo de resistência dos parasitas aos carrapaticidas. “O que funciona em uma propriedade pode não funcionar em outra”, completou Reck.

O médico veterinário e organizador do evento, Alfredo Pinheiro, salientou a relevância da Jornada para a pecuária e toda a cadeia envolvida com o tema. “Realizamos esse evento mais um ano, e mais um ano temos a casa cheia, o que demonstra o quanto há de interesse e preocupação em relação a esse problema chamado carrapato”, pontuou.

TPB

Além dos danos diretos provocados o animal, como anemias, estresse, redução do ganho de peso e lesões no couro, o carrapato pode aumentar em até quatro vezes a frequência das bicheiras (miíases) e, ainda, é o vetor dos patógenos responsáveis pela babesiose e anaplasmose, doenças que caracterizam o complexo da tristeza parasitária bovina (TPB).

Assim, a perda na produção de carne e de leite e a desvalorização do couro somam-se a outros prejuízos, desde os gastos com as medidas emergenciais de controle e menor desempenho reprodutivo até a morte de animais. Estima-se perda potencial de 3,4 bilhões de dólares anualmente ao país em descontrole desta parasitose (Grisi et al, 2014).

Seleção genômica com estratégia

Durante a jornada, o pesquisador e chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Cardoso, apresentou a palestra Seleção dentro de uma mesma raça, no painel Resistência genética dos bovinos como alternativa para controle do carrapato. Por meio da seleção genômica, utilizando a informação de milhares de marcadores moleculares, é possível identificar animais menos suscetíveis ao parasita. O primeiro trabalho nesse sentido foi a seleção genômica para touros das raças Hereford e Braford resistentes ao carrapato. Para a realização do trabalho, os touros passaram por genotipagem de marcadores moleculares do tipo SNP (Simple Nucleotide Polymorphism), por meio de painéis de alta densidade.

Paralelamente à genotipagem, foram realizadas até três contagens de carrapatos nos animais. Os dados, juntamente com informações de pedigree, resultaram na atribuição de valores genômicos, em forma de DEPG (Diferença Esperada na Progênie aprimorada pela Genômica) para resistência ao carrapato. Esse indicador prediz com maior precisão a habilidade de transmissão genética de cada animal, conforme a característica buscada. “São doenças que causam muitas perdas econômicas para os produtores, especialmente quem cria raças europeias. Mantendo linhagens mais resistentes a esses problemas é possível aumentar a rentabilidade da pecuária e diminuir a presença de resíduos químicos na carne com a diminuição do uso de medicamentos”, explicou Cardoso. Além das raças Hereford e Braford, o projeto também está avaliando animais Angus e Brangus, contando com a parceria das associações de criadores dessas raças.

Biocarrapaticidograma

Durante o evento, também foi destacada a importância de os produtores realizarem o biocarrapaticidograma. O teste é usado para conhecer a sensibilidade da população de carrapatos presentes nas propriedades rurais aos carrapaticidas convencionais usados em banheiro de imersão e/ou aspersão, revelando a eficácia da base química usada na propriedade, indicando se há processo de resistência dos carrapatos aos produtos em uso nas propriedades para seu controle. Caso a propriedade utilize banheiro de imersão, é importante que seja enviada também uma amostra da calda para que esta seja testada da mesma forma que os carrapaticidas comerciais. O teste indicará, ainda, qual o princípio ativo que poderá ser usado em substituição, para que a troca do produto seja feita com a segurança de que o tratamento será eficaz.

Parceria

O evento foi promovido pelo Núcleo de Produtores de Terneiros de Corte, Associação e Sindicato Rural de Bagé e Sociedade de Veterinária do Rio Grande do Sul, com apoio da Embrapa Pecuária Sul, Conselho Regional de Medicina Veterinária do Sul, Academia Rio-grandense de Medicina Veterinária e Sicredi. O patrocínio foi do Senar/RS, Ourofino, Boehringer Ingelheim, Zoetis, Biogénesis Bagó, Veterinária Vertente, Trevo Agroveterinária, Coovet, Armazém Rural, Rigo Agropecuária e Agropecuária Recanto.

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