Ações e investigações buscam neutralizar grupo criminoso
Publicado em 03/03/2020

Segurança

Foto: Divulgação/FS

Carros são jogados contra locais e, após, colocam fogo

Na semana passada, a Polícia Civil, através da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e a Brigada Militar, prendeu parte de um grupo responsável por destruir e incendiar bancas de jogo do bicho como forma de extorsão contra o dono do local. O grupo criminoso é comandado por um preso de dentro da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc).  
De acordo com o titular da Draco, delegado Cristiano Ritta, as ações  desse grupo criminoso seriam para que os donos das bancas de apostas paguem propina ou uma comissão sobre as atividades dos jogos para a facção. “Temos a informação de que esses proprietários não estão pagando nenhum valor, por isso iniciou essa onda de ataques, constrangendo as pessoas a fecharem as bancas”, destacou.

Ataques iniciaram no final de 2019
Essa onda de crimes iniciou no final de 2019, quando esse mesmo grupo criminoso começou a fazer sequestro de máquinas. “Eles iam às agências, sequestravam as máquinas e cobravam o resgate. Naquela época, prendemos cinco pessoas e apreendemos umas 20 máquinas de jogos. Esse ano, eles continuaram e a estratégia é queimar as bancas. Ressaltamos que os pontos funcionam em residências, poucos são em pontos comerciais. Com isso, os criminosos expõem os moradores, vizinhos e toda sociedade a um risco muito grande”, declarou.
O delegado enfatizou o trabalho realizado pela polícia. “Só em 2020 prendemos cinco pessoas ligadas a esses ataques. Já temos a identificação dos mandantes. Porém, o sistema penal impossibilita que a gente tome medidas mais efetivas. O Poder Judiciário sabe quem são os mandantes, inclusive, foi comunicado através dos inquéritos e não determina  uma revista em cela para retirada de celulares, uma remoção para regime disciplinar diferenciado. Ou seja, permite que eles continuem atuando impunimente”, destacou.

Cassinos fechados
Na sexta-feira, dois cassinos clandestinos que operavam no centro da cidade – um deles na rua Marcílio Dias e o outro na General Sampaio, ligados ao grupo que faz os ataques com fogo, foram  fechados. De acordo com comunicado emitido pela Draco, foram apreendidas 240 máquinas de jogo clandestino, diversos outros itens, entre equipamentos e insumos para a atividade criminosa, além de um simulacro de arma de fogo.
Os policiais passaram a coletar informações sobre o funcionamento das casas de jogos clandestinos depois de uma onda de ataques a bancas de jogo do bicho, ocorridos nos últimos dias em Bagé, inclusive, na noite de domingo, aconteceu mais um ataque. Ao chegar aos locais, os policiais encontraram dois grandes estabelecimentos completamente estruturados e preparados para retirar o dinheiro de centenas de pessoas – geralmente idosas – que frequentavam o local. Em uma das casas havia cerca de 100 pessoas jogando. Todas elas foram identificadas e liberadas.
O Delegado Cristiano Ritta, que coordenou a operação, relatou que essa foi a maior apreensão de máquinas já realizada pela polícia em Bagé. Segundo ele, nunca havia encontrado ambientes tão estruturados. Ritta ainda alerta que o entretenimento dessas máquinas tem um custo muito grande para a economia das famílias, já que a maior parte dos frequentadores são pessoas idosas que vivem com a parca aposentadoria do INSS. Uma facilidade oferecida pelas casas – que é o parcelamento do jogo com cartão de crédito – tem um efeito ainda mais devastador nas finanças. Os juros dos cartões de crédito nos casos de inadimplência podem chegar a 200% ao ano. Em uma das casas a polícia encontrou um cheque pessoal de mais de R$2 mil dado como pagamento do jogo. O sistema das máquinas caça-níquel é preparado para receber um volume muito grande de dinheiro antes de realizar qualquer pagamento. Isso faz com que as pessoas apostem cada vez mais, na esperança de ganhar as somas acumuladas – que nunca são pagas por inteiro.

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