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Ações de manejo e prevenção a resistência de plantas daninhas a herbicidas são apresentadas
Publicado em 20/07/2019

Rural

Foto: Alina Souza / Especial FS

Evento reuniu estudantes, produtores, técnicos e pesquisadores

A Embrapa Pecuária Sul sediou na quarta-feira, o curso sobre Resistência de Plantas Daninhas aos Herbicidas: Manejo e Prevenção. Cerca de 100 pessoas, entre pesquisadores, técnicos, produtores rurais, professores e estudantes participaram do evento promovido pela Embrapa e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), com apoio do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural). A atividade teve início com a contextualização do problema da resistência das plantas daninhas aos herbicidas. Depois, foram abordados temas como o conhecimento sobre a biologia das plantas daninhas resistentes; o manejo integrado de invasoras como o caruru e a buva, que estão entre as mais prejudiciais às lavouras; a interação herbicida-ambiente, fundamental para a garantia da eficiência e sustentabilidade de uso do controle químico; as potencialidades de sistemas como integração lavoura-pecuária no manejo e na prevenção da resistência; além da regulamentação de herbicidas e as perspectivas futuras a partir das novas tecnologias.
Conforme a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul Fabiane Lamego, o evento atendeu às expectativas, tanto da Embrapa como do Mapa em trazer informação técnica para os participantes, através do convite de palestrantes atuantes no tema, com dados bastante atualizados. “Ótimo público participante, interessado e buscando atualizações e soluções para um problema que aumenta os custos de produção. Além de informações técnicas desde a identificação do problema da falha do controle químico que caracteriza a resistência das plantas daninhas, foram demonstradas possíveis soluções utilizando ferramentas integradas de manejo”, enfatizou a pesquisadora.
Para o produtor rural e engenheiro agrônomo de Hulha Negra, Affonso Jung, o evento ajudou bastante, principalmente em relação aos diferentes métodos de manejo. “Achei as palestras bem didáticas e abrangeram quase todos os temas oportunos, como integração lavoura-pecuária, que acontece bastante na nossa região, arroz, soja, bem dentro do esperado. Falaram bem a realidade da nossa região”, destacou.
A engenheira agrônoma de Bagé, Charlene Corruche Garcia, ressaltou a importância do evento para trazer um alerta para todos que trabalham na área. “Achei a atividade incrível, trouxe um tema que é preocupante para região não muito abordado, e de modo bastante didático, trazendo a realidade do campo a curto e longo prazo do que provavelmente irá acontecer com a resistência de plantas daninhas a herbicidas”, disse.
 A mensagem passada durante o curso é sobre a importância do planejamento, conhecimento técnico e de um olhar para a produção agrícola ou agropecuária como um sistema de produção. “A cultura antecessora é fundamental no manejo das plantas daninhas que virão na cultura posterior; no atual cenário de resistência, pensar em manejar o caruru somente quando a soja já está implantada, por exemplo, é gastar mais e possivelmente não ter a eficiência esperada”, exemplificou Fabiane.  
 
Importância do manejo integrado
Manejo integrado é a associação de estratégias para controle de plantas daninhas; o controle cultural é tudo aquilo que favorece a cultura (semear na época recomendada, adubar, adotar plantas de cobertura de inverno ou no caso da nossa região é muito comum a pastagem no inverno); controle químico (herbicida no estádio adequado e recomendado da planta daninha; uso da dose correta); controle mecânico (roçadas, quando possível).
O custo de manejar plantas daninhas resistentes é muito superior ao controle químico convencional, que tem falhado muitas vezes, conforme a pesquisadora Fabiane Lamego. “Dados de um estudo realizado pela Embrapa, em parceria com a Universidade Federal de Pelotas, demonstram que o aumento percentual do custo de controle de plantas daninhas (R$/ha) em áreas de soja com presença de diferentes populações de plantas daninhas resistentes a glifosato, comparado com áreas sem resistência pode aumentar em até 400%. Deste modo, associar ferramentas como o controle cultural (época de semeadura, densidade, adubação), controle mecânico e controle químico ou mesmo a integração da lavoura no verão com a pecuária no inverno e toda a melhoria em fertilidade que há quando o pastejo é bem conduzido, compõem o manejo integrado, melhorando os resultados e aumentando a receita”, disse.

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