A VELHA RIXA ENTRE O BEM E O MAL
Publicado em 23/01/2020

Opinião

Na vida de qualquer cidadão, seja ele uma autoridade constituída ou um trabalhador comum, deve ser regida pela coerência. Mas nem sempre é. Sempre procuro acompanhar declarações de autoridades. Pelos representantes políticos, a coerência parece não existir. Nem todos é bem verdade. Existem as exceções. As comparações, que sempre faço em ralação à situação e oposição do Brasil, explicam a minha tendência em analisar posições. A oposição aos governos eleitos, seja de qual partido for não, é seguida quando se torna situação. Adversários de hoje, ao assumir o governo, praticam os mesmos erros que criticavam no passado. A coisa que mais se tornou visível é a declaração do novo titular do cargo, ao comentar a situação de penúria por qual passa a entidade que assumiu, vir a público e declarar: “Eu não esperava receber o cargo com tantos problemas e dívidas consolidadas”. Qualquer cidadão que more na aldeia e que acompanhe os noticiários sabe da situação de seu município, estado e União. O tema de hoje é sobre o Judiciário. E aqui não vai nenhuma critica sobre nossas leis. Se elas existem têm que serem cumpridas. Se estiverem erradas o Legislativo está ai para corrigir. Essa é a essência da democracia. Mas o que temos acompanhado é a ‘disputa’ em busca da afirmação de ‘quem sabe mais’. Mas isso não é de hoje. Aqui mesmo em nossa ‘taba’, já tivemos caso em que promotores de Justiça foram às “vias de fato” por discordarem de certas decisões. Faz mais de 20 anos é bem verdade, mas minha memória ainda não apagou. Os superpoderes atribuídos à força-tarefa de Curitiba geraram muitos debates e denúncias que estão sendo usadas como ‘gasolina para apagar o fogo’. Isso porque lá foram julgados muitos nomes importantes da política brasileira. Então, no caso, é natural que a desconfiança aflore e conduza as investigações para o lado político e não jurídico. Isso se intensificou quando o juiz Moro aceitou o convite para ser ministro de Bolsonaro. Acabou dando razão à defesa de Lula que sempre enfatizou que as investigações tinham influência política. E aqui não vai nenhum juízo de valor. São os fatos. E ai entra em campo a imprensa. Manchete:
MPF denuncia jornalista Glenn Greenwald
O Ministério Público Federal representado pelo procurador Wellington Divino de Oliveira denunciou o jornalista Glenn “por suposta ligação com hackers que invadiram os celulares de diversas autoridades, entre elas, o ministro da Justiça Sérgio Moro”. Este procurador foi quem denunciou o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, por críticas que ele fez a Sérgio Moro. A denúncia foi rejeitada pela Justiça. Na época, não faz muito tempo, quem solicitou ao Ministério Público a ação foi o ministro Sérgio Moro. Outra derrota do ministro. O interessante na atual ação é que isso já havia sido proibido pelo ministro Gilmar Mandes, baseado na Constituição, que determina o “sigilo da fonte jornalística”. Ele proibiu que o jornalista americano fosse investigado. As denúncias de Glenn, embora consideradas ilegais, continuam surtindo efeitos. Aliás, após denúncias, a imprensa especializada deu ampla cobertura aos fatos divulgados. Imprensa nacional e internacional. O que vai acontecer com a ‘nova’ denúncia do MP, ninguém sabe. Eu me arrisco a dizer que ‘não dará em nada’. Me baseio em duas declarações de ministros do Supremo. Uma de Gilmar, que proibiu a investigação da PF e do Ministério Público, sobre o jornalista Glenn. A outra, do ministro Marco Aurélio Melo, que declarou no mesmo dia em que foi protocolada a ação contra Glenn (21-01): “Denúncia contra Glenn é problemática e perigosa. No campo da informação, não cabe adotar postura que iniba a arte de informar. Eu tenho uma concepção própria. Jamais processaria um jornalista, mas há colegas que processam. Com a denúncia você acaba, indiretamente, cerceando a liberdade de expressão, o que não é bom em termos culturais, nem em termos de avanço social. É sempre perigoso”, palavras do ministro que ira julgar o caso. 
Conclusão da coluna
Os dois superministérios, ocupados por Moro e Guedes, cada vez mais estão pendendo para o superministro Paulo Guedes. Para mim, Moro desceu mais um degrau na preferência do presidente da República. Só terá uma ‘salvação’, sua nomeação para o Supremo. A propósito, Celso de Melo se licencia para ser operado. Não sei se volta ao cargo. Então! 

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