A representatividade das mulheres na Segurança Pública
Publicado em 13/03/2020

Segurança

Foto: Divulgação/FS

A representatividade da mulher em altos cargos vem aumentando ao longo do tempo, mas as dificuldades ainda persistem. Nos últimos 50 anos, um dos fatores marcantes ocorridos na sociedade brasileira foi a inserção crescente das mulheres na força de trabalho e quebrar o paradigma de que mulheres não podem atuar em áreas dominadas por homens. Em continuação às homenagens prestadas às mulheres atuantes na Segurança Pública, hoje, trazemos mais dois exemplos – uma tenente da Brigada Militar e uma delegada da Polícia Civil, que desempenham suas funções com maestria e enfrentam os desafios diários de ser mulher e policial.

Daniela Barbosa de Borba, de 40 anos, é graduada em Direito pela Universidade da Região da Campanha de Bagé e pós-graduada em Ciências Penais, há nove anos e quatro meses desempenha a função de Delegada da Polícia Civil. Ao todo, Daneila está há quase 17 anos no serviço público, pois, antes de ser delegada, ela prestou concurso para o quadro de servidores do Ministério Público do Estado.
“Desde que ingressei na Polícia Civil, por escolha, sempre atuei na 9ª região policial. Minha primeira lotação foi na 1ª Delegacia de Polícia de Bagé, da qual sou titular atualmente, após ser titular da Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento (DPPA) durante aproximadamente seis anos. Hoje, também desempenho minhas funções à frente da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam). Além disso, já atuei como delegada substituta em diversas delegacias da cidade e região”, explicou.
“Ser mulher e policial civil é ser forte e sensível ao mesmo tempo. Temos que ter uma postura firme e determinada, mas, concomitantemente, não deixar de ter um olhar sensível diante dos problemas que chegam até nós, sobretudo, quando se trata de situação envolvendo pessoas vulneráveis. Mesmo vivendo numa sociedade patriarcal e, às vezes, atuando em ambiente de trabalho predominantemente masculino, as mulheres estão sabendo ocupar bem os seus lugares. Isso porque não se intimidam com o preconceito e a discriminação, que, infelizmente, ainda existem, mesmo que de forma velada”, ressaltou.
A delegada destacou que sem temer preconceito ou discriminação, a mulher, nos últimos tempos, está ocupando espaços importantes com delicadeza, empatia, generosidade e dedicação. “Por isso, cada vez mais as mulheres lutam por respeito. Afinal, como costumamos ouvir: ‘grande parte da humanidade é composta de mulheres; a outra é formada por seus filhos’. Respeito e dignidade estão sempre nos objetivos desta luta iniciada há décadas pelas mulheres ao redor do mundo”, completou.
Miriam Costa Vigil, de 41 anos, é tenente da Brigada Militar e incluiu na instituição há 22 anos. Em 1998, fez o curso para soldado, em Santa Maria; em 2002 o preparatório para sargento, em Novo Hamburgo. Depois, em 2018, ela concluiu o curso para tenente da Brigada Militar, em Porto Alegre.
Entre as experiências da tenente estão cursos na instituição, envolvendo aulas teóricas, práticas e estágio. “Hoje, estou em Bagé, mas já trabalhei em Garibaldi e Santana do Livramento. Ao longo desses anos, desempenhei diversas atividades ligadas ao policiamento, bem como as administrativas”, elucidou.
Tenente Miriam, que já trabalhou no setor de treinamento e de efetivo do Comando Regional da Fronteira Oeste, com sede em Santana do Livramento, atualmente está na 1ª seção do 6º Regimento de Polícia Montada.
“Ser mulher e policial é ter conquistado um espaço em um território que antes era só dos homens, onde desenvolvemos as mais diversas missões com responsabilidades, dedicação e empenho. Conseguimos nos multiplicarmos entre os afazeres domésticos, família e trabalho. Muitas vezes, colocamos nossa vida profissional a frente da pessoal”, comentou.
Ela enfatizou que o crescente número de ocorrências das mais diversas e até violentas contra a vida, a falta de efetivo e atender todos os anseios da sociedade que clama por segurança e proteção, certamente, são algumas das dificuldades do dia a dia. “Muitas vezes, essas pessoas que clamam por segurança são as mesmas que nos criticam. Nos tempos atuais, preservar e proteger a vida de outrem e a nossa é um desafio. Tenho muito orgulho da profissão que escolhi”, completou.

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