A NOVA CRISE PODE AUMENTAR INFLAÇÃO
Publicado em 14/03/2020

Opinião

A bola da vez para aumento da inflação está baseada, na alta do dólar. Consequentemente, na desvalorização do real. Por alguns motivos. Os produtos aqui produzidos e industrializados, quase sempre dependem de insumos importados. Com o dólar em alta pode onerar a produção. No caso dos combustíveis, é um pouco diferente. Pelo menos, na atualidade. Os países produtores resolveram baixar o preço do barril. A grosso modo, uma coisa pode ajudar a outra. Se por um lado, o dólar onera a importação, por outro, o preço do barril, abaixo dos níveis anteriores, controla. Isso pode manter os preços estáveis. Já não é o caso de importações de produtos, como, por exemplo, a farinha de trigo, que nós não temos produção suficiente para abastecer a demanda. Com certeza, em breve, teremos novidade nos preços praticados no pão francês, o conhecido popularmente, no Rio Grande do Sul, como cacetinho. Tudo isso está sendo atribuído às precauções que o governo está tomando no sentido de combater o coronavírus. Pois bem, alguns países estão tomando decisões fortes que pode abalar a economia regional. A Argentina, por exemplo, suspendeu por 30 dias viagens aéreas a países que tenha maior problema com a doença. Algo parecido está sendo praticado pelos Estados Unidos. Alguns países suspenderam aglomeração pública que possa reunir mais de 500 pessoas. Outros suspenderam jogos de futebol, em campeonatos, inclusive internacionais, para evitar a proliferação da doença. No Brasil, essa decisão ainda não foi tomada. No entanto, o governo brasileiro toma algumas decisões na área econômica, com objetivo de incentivar o consumo. Se baixar o consumo a níveis piores do que os atuais, é claro que, União, estados e municípios sofrerão o impacto na arrecadação, que é o bolo nacional. A primeira matéria que teve ênfase na imprensa foi que muitos brasileiros ‘deixaram de retirar ’parte do fundo de garantia’, cujo prazo termina no final do mês. Ao mesmo tempo, a área econômica do governo aciona com outro mecanismo, antecipação do décimo terceiro para os aposentados e pensionistas. Claro que isso jogado no mercado irá incentivar o consumo. São decisões importantes da aérea econômica da União. Tudo isso pode ser levado pelo caminho da ‘inexigibilidade’ de outra conduta. O consumo precisa se manter para evitar a baixa da arrecadação de impostos. Isso eu encaro como problema político de quem governa e quem critica. O tema veio à mente após ler manchetes em diversos  jornais, com grafia diferente, mas com o mesmo sentido. Copiei uma que resume a ópera. E como sempre comparo decisões que, aparentemente, nada tem a ver. Leia (CB):


suspenso protesto marcado para amanhã
O presidente Bolsonaro pediu o adiamento das manifestações pró-governo, marcadas para domingo, amanhã, portanto. O Avança Brasil tomou a frente e enviou para os apoiadores uma nota, na qual explica o motivo da suspensão das manifestações e pede que batam panelas. Li e transcrevo toda a nota, para provar que o real motivo para a suspensão das manifestações não está explicito. 
"Conclamamos, porém, que todos juntem-se a nós em um megapanelaço no dia 15 de março, às 20h, em desagravo às atitudes de congressistas irresponsáveis que não têm o Brasil acima de tudo e que somente pensam em seus benefícios particulares". Aqui é a política que entra em campo. A briga entre o bem e o mal tão comum no Brasil: "Em um momento futuro onde a nação brasileira poderá manifestar de todo Brasil seu apoio ao presidente e exigir o correto trâmite das reformas administrativa e tributária que serão apresentadas ao congresso, em segurança, convocaremos novamente". No caso, retiraram da convocação inicial, que gerou muita discussão, o poder Judiciário. Sentam o porrete apenas no Congresso. O motivo real da suspensão?


Conclusão minha sujeita a chuvas e trovoadas 
Aproveitaram o momento em que o coronavírus toma conta dos noticiários. Que países importantes estão suspendendo viagens e proibindo manifestações que aglomerem muitos cidadãos. Que suspendem campeonatos importantes da maior atração da população que é o futebol (depois do carnaval, é claro). E o próprio presidente anuncia duas decisões importantes. Pede a suspensão das manifestações, que o livra de muitas críticas, inclusive, do Judiciário, e anuncia uma decisão que vai lhe render muitos aplausos: Liberação do décimo terceiro em abril, para os aposentados. “Jogada” importante que tira sua defesa da pressão e, ao mesmo tempo, organiza o contra-ataque. Concordam ou não?

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