A necessidade de mesclar
Publicado em 04/11/2015

Editorial


Estabelecer alternativas é quase que um desafio diário para cada cidadão. Não é possível, nos dias atuais, estimar que a rota traçada na mente de forma antecipada transcorra sem restrições. Isso, de certo modo, nos força a planejar nossas ações muito além do óbvio, mas de maneira a vislumbrar um caminho paralelo, ou mais de um, que nos proporcione, ao final do traçado, o resultado esperado.
A breve análise acima é algo para se pensar, mesmo que em uma escala bem individual. Por outro lado, o debate desencadeado ontem, em Bagé, a respeito das potencialidades e dos desafios de consolidar a diversificação da matriz produtiva regional nos coloca em frente a um cenário muito amplo que, de uma forma ou outra, acaba atingindo todos.
Primeiro porque essa diversificação, em especial no setor primário, já demonstrou ser uma forte aliada do homem do campo. Principalmente por garantir alternativas que gerem renda quando à cultura principal de determinada propriedade venha a sofrer alguma dificuldade, seja com intempéries ou mesmo questões de mercado.
Ou seja, se o produtor de carne, grãos ou mesmo outro item primário tem resultados positivos, estará estimulado a ampliar suas atividades, o que deve significar mais oferta para nós, consumidores, e por um preço mais acessível. Mas muito além disso, esse cenário auxilia no processo de crescimento regional.
Situação clara disso, aliás, foi exposta pelo proprietário da Estância Guatambu, de Dom Pedrito, Valter José Pötter. A propriedade, que já era destaque na pecuária e agricultura, ganhou novo estímulo ao investir na vitivinicultura – também já colhendo bons resultados. Mesmo assim, a ideia é seguir inovando. O próximo passo deve ser voltado à olivicultura e, acreditem, em energias renováveis. Neste segundo ponto, a proposta é simplesmente atender a sua própria demanda. De qualquer maneira, algo muito além do esperado para qualquer empreendimento individual, ainda mais no setor produtivo.
Esses pontos, mesmo que por meio de uma percepção genérica, comprovam que mesclar traz resultados. Mas, para se atingir tudo isso, muito é necessário.
Os desafios – e foi isso que motivou o debate de terça-feira –, porém, não são poucos.  E para cada setor, ao que parece, é uma questão diferente. A vitivinicultura segue enfrentando a concorrência de produtos importados. A inserção de culturas junto à pecuária exige atenção constante. Mas, se superados os percalços, há de se convir que mesclar ainda é o caminho.

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