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A ministra, o jornalismo e a informação
Publicado em 20/02/2020

Política

Foto: Reprodução/FS

Principais autoridades do país participaram da solenidade

Há 19 anos, esta colunista, recém começando no jornalismo pelo extinto Correio do Sul, recebeu a tarefa de entrevistar uma das maiores personalidades jurídicas do país e que é de Bagé. Como todo iniciante de carreira, não tinha como não ficar nervosa, pois a entrevista era com Cristina Peduzzi, que recém tinha tomado posse como ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST) em 2001.
E foi com esse sentimento que a jornalista foi entrevistá-la no apartamento de sua mãe no edifício que tem o sobrenome da família da ministra, localizado na avenida Sete de Setembro – esquina com a General Neto. Da forma mais simples e humilde, quem recebeu a jornalista foi ela mesma. E por mais de uma hora, foi mais uma conversa do que uma entrevista, com essa bageense que ontem se tornou a primeira mulher que, em 72 anos do TST,  assumiu a presidência da Corte. O evento em Brasília contou com a presença do presidente Jair Bolsonaro, lideranças políticas e jurídicas do país.
A entrevista com Cristina Peduzzi foi uma das que mais marcou esta colunista em início de carreira – pela simplicidade e grandeza. Por que essa lembrança?. Passados esse anos, vejo tantos maus exemplos de pessoas que ocupam cargos públicos em Bagé e que se negam ou fogem para dar uma informação para a  imprensa. Como o nome diz, cargo público significa que a pessoa está a serviço do que é público. Ou seja,  se o jornalista a procura para obter uma informação, isso não é para ele e sim para o público leitor, a quem essa pessoa tem o dever e obrigação sim de prestar contas. Entre tantos exemplos, teve um recente ocorrido com um colega do Folha do Sul que encaminhou perguntas para representante de um órgão público e só faltou a pessoa perguntar ao jornalista o seu tipo de sangue para atender a solicitação.
Assim como ocorreu em outro caso, onde o jornal foi em busca de informação sobre um processo judicial envolvendo  uma instituição de ensino que recebe verba pública, e a resposta foi de que a direção não comentava tais casos.
Poderia enumerar aqui uma série de maus exemplos de gestores públicos que se negam a prestar informação. Na contramão desses, citei como exemplo o caso da ministra para lembrar que não é o cargo que faz a pessoa. Portanto os bageenses devem se orgulhar sim não pelo fato de ser a primeira mulher a assumir a presidência do Tribunal Superior do Trabalho, mas pela grandeza e a carreira brilhante de Cristina Peduzzi.

No mais alto cargo da corte

Foi ao som das Quatro Estações de Vivaldi que a magistrada tomou posse ontem como presidente do Tribunal Superior do Trabalho, na presença do presidente  do país, Jair Bolsonaro, o vice-presidente, Antônio Hamilton Mourão, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, o ministro da Justiça, Sérgio Moro,  lideranças jurídicas e politicas, além de convidados.

A bageense tomou posse como ministra  no TST em junho de 2001 em vaga destinada à advocacia, e será a primeira mulher a presidir o Tribunal. Bacharel em Direito e mestre em Direito Constitucional pela Universidade de Brasília (UnB), atuou como advogada nos Tribunais Superiores de 1975 até tomar posse no TST. Foi procuradora da República (1984), procuradora do Trabalho (1992) e professora universitária de graduação e de pós-graduação na UnB e em outras instituições de ensino superior.
Foi vice-presidente do TST e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) no biênio 2011/2013 e conselheira do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de 2013 a 2015. Entre 2016 e 2018, foi diretora da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho (Enamat).
Presidente da Academia Brasileira de Direito do Trabalho de 2002 a 2005. É membro efetivo de várias instituições jurídicas. Recebeu condecorações de diversos tribunais. Integrou bancas de concursos públicos. É articulista, conferencista em inúmeros congressos jurídicos, nacionais e internacionais.
Autora de livros e trabalhos publicados, dentre eles "O Princípio da Dignidade da Pessoa Humana", "Tempo de Serviço no Direito do Trabalho", "O Contrato de Trabalho e sua Alteração", em co-autoria; "Curso de Direito Coletivo do Trabalho", em co-autoria; "O Novo Código Civil – Estudos em Homenagem ao Prof. Miguel Reale, em co-autoria; "Recursos Trabalhistas", Estudos em homenagem ao Ministro Vantuil Abdala, em co-autoria; "Aspectos Polêmicos e Atuais do Direito do Trabalho", Homenagem ao Professor Renato Rua de Almeida, em co-autoria; "Trabalho da Mulher", Estudos em Homenagem a Alice Monteiro de Barros, em co-autoria,   todos pela Editora LTr. 


 

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