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Mário Lopes
A imprensa surgiu em Bagé em 1861
Publicado em 10/07/2013

Cultura

Foto: Alicia Ibañes/Especial FS

Capa da primeira edição

Foi em 10 de setembro de 1861 que apareceu o primeiro jornal em Bagé, iniciativa de Isidoro Paulo de Oliveira, que chegara de Pelotas, em agosto, trazendo sua tipografia, já que fora obrigado pelo delegado de Polícia encerrar a publicação do jornal que ali editava.
Ele denominou a folha bageense de “Aurora de Bagé”. Em seus “Apontamentos Históricos e Estatísticos de Bagé”, o historiador Jorge Reis diz que “Isidoro Paulo de Oliveira era um polemista de pulso vigoroso, inteligente” e que “seu jornal era uma folha de pequeno formato e aparecia às terças, quintas e domingos”.
O jornal “Correio Mercantil de Pelotas” publica, em 1887, comentário de cronista anônimo sobre o lançamento do “Aurora de Bagé”, dizendo que a folha “era uma espécie de bomba dinamítica que fez horrível explosão entre os habitantes da vila. Originaram-se dissensões entre eles. A política, que só era conhecida por ocasião do votante depositar seu voto na urna, tornou-se odiosa entre os partidários. A vida privada dos cidadãos aparecia na coluna do jornal, resultando de tudo isso, em 1862, o redator proprietário ser processado e recolhido à cadeia”. Cumprida a pena a que fora condenado, Isidoro tratou de recuperar sua tipografia e, em 1863, lançava um novo jornal, o segundo de Bagé, com o título de ”O Bageense“ e que circulou até sua morte, em 1866.
Antes de vir para Bagé, Isidoro Paulo de Oliveira havia lançado em Rio Grande, em 1856, o “Correio da Tarde”, transferindo-se, dois anos depois, para Pelotas, onde foi redator da folha “O Noticiador”, fundando após o seu jornal, intitulado “Diário de Pelotas”.
As coleções dos dois primeiros jornais bageenses encontram-se acondicionados no Museu Dom Diogo de Souza e foram doadas pela Sra. Ivete Wiedmann (Aurora de Bagé). Graças ao empenho do historiador Tarcísio Taborda. Já a segunda, pelo Rotary Club de Bagé, que, por intermédio do Sr. Dante Peduzzi, adquiriu do colecionador Otton Figueiró.
Segundo Ary Martins, em “Escritores do Rio Grande do Sul”, diz que “Isidoro Paulo de Oliveira foi professor de línguas, desenho, caligrafia, escrituração mercantil e que, além de jornalista, foi dramaturgo”.
Isidoro Paulo Oliveira era considerado “um jornalista ardoroso em seu combate. Articulista, narra episódios da vida diuturna da vila, sendo veemente na crítica sagaz e mordaz, lançando farpas e verrinas, parecendo não lhe ter sido a cadeia pesada e nem exemplar”.
Guerra do Paraguai – Isidoro Paulo alistou-se em um Batalhão de Voluntários da Pátria e, como tenente-secretário, participou da Guerra do Paraguai, tendo destacada atuação no ataque ao Forte de Curupaiti, quando foi ferido. Levado para Corrientes, ali morreu, em 29 de setembro de 1866. Do teatro da guerra, enviava notícias para “O Bageense”.
Família – Nascido em Viena, Áustria, filho do comendador Isidoro Costa de Oliveira, Isidoro Paulo casou em Pelotas, com Belmira Carolina de Oliveira, tendo o casal seis filhos, os dois últimos (Isolina e Maria), nascidos em Bagé. Após a morte do marido, a viúva transferiu-se, com os filhos, para Pelotas.

Outros jornais do século
Depois do desaparecimento dos dois primeiros jornais lançados por Isidoro Paulo de Oliveira, muitos outros surgiram em Bagé, mas todos de curta existência.
Ainda no século XVIII, foram editados aqui, entre outros, os seguintes jornais:
Astréa – Folha não política, surgida em 1866, dirigida por Francisco José Ferreira Camboin e Luiz Gonzaga Pereira.
Opinião Liberal - Para defender as ideias do partido, tendo com diretor Francisco Ferreira Sampaio de Carvalho.
Arauto – Surgiu logo depois, “um campeão das ideias conservadoras”, dirigido por José Carlos Teixeira.
A Razão – Substituiu, em 1869, a “Opinião Liberal”, tendo na chefia Antônio José Siqueira Júnior.
O Comércio – Surgido na mesma época, teve curta duração.
Diário de Bagé – Apareceu em 1873 (órgão dos interesses locais), dirigido por Luiz Gonzaga Pereira. Era de sua propriedade e de Antônio José Siqueira Júnior.
Cruzeiro do Sul – Substituiu “Diário de Bagé” logo depois, assumindo a direção Aurélio Ibipuitan de Freitas. Em 1878, assumiu a direção Bernardino Silveira da Rosa Bambá. No ano seguinte, a direção do jornal passou ao historiador Jorge Reis e José Capistrano Torres.
Independente – Lançado em 1883, era de propriedade e redação de Bernardino Bamba.
Diário de Bagé – Voltou a circular em 1885, agora sob a direção de Antenor Soares. Era órgão imparcial e noticioso.
União Liberal – Apareceu, também, em 1885, “diário político”, órgão do partido e obediente à chefia do conselheiro Gaspar Silveira Martins.
Cruzeiro do Sul – Em 1888, reapareceu, em sua segundo fase, tendo como diretor proprietário Jorge Reis. Dizia ser ”um diário imparcial”.
Quinze de Novembro – Órgão republicano inicia sua circulação em 1890, sob a direção de Antenor Soares.
O Comércio – “Folha imparcial”, dirigida pelo jornalista Júlio Brissac, começa a circular em setembro de 1894.
Gazeta da Manhã – sob a direção de Pedro Antônio da Cunha, entra em circulação em 1895.
Florionópolis – Órgão republicano, surgido em 1896, teve vida efêmera.
Escrínio – Apareceu, em 1898, sob a direção da jornalista Andradina de Oliveira.
O primeiro, dos muitos jornais surgidos no século XX, foi “O Dever”, que teve longa duração.

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