A grandeza de gestos que estão muito além da pandemia
Publicado em 22/04/2020

Editorial

Neste momento de inquietude e de dias sombrios que pairam sobre a humanidade, surgiram em meio às sombras das incertezas,  corações solidários e mãos ágeis. A luta para combater a pandemia do coronavírus mobiliza um número significativo de pessoas anônimas, que estão fazendo o bem, seja de que forma for, para amenizar necessidades de tantas outras. Num somatório aos profissionais de saúde que estão na linha de frente, muitos buscam soluções e compartilham solidariedade. Em meio a esse ambiente sombrio que paira sobre as nossas cabeças, o jornal Folha do Sul tem mostrado o outro lado desse mal que deixou o planeta perplexo e, até agora, sem respostas para conter esse vírus mortal. Trata-se de tantos moradores de Bagé, que sensíveis com os mais necessitados, estão colaborando como podem para conter esse mal e tornar a vida de tantas famílias vulneráveis mais fortes para enfrentar essa pandemia. Há pouco, o jornal publicou reportagem especial sobre como pessoas e grupos estão atuando de forma voluntária em várias frentes. Nesse final de semana, um fato tocante para duas jornalistas do Folha do Sul. Uma foi até uma padaria no bairro Castro Alves. O objetivo foi conversar com a proprietária que está doando pães para quem precisa. São relatos que tocam, como o que ela contou que um senhor foi até o local – perguntou se podia levar um pão e ao ver uma cuca pediu se podia levar para sua mãe para tomar café. Parece simples, porém, uma cena por demais grandiosa e que não tem como ser mensurada, sobretudo, num momento tortuoso como esse. A jornalista, que ouviu os relatos também, teve outro sentimento, pois era a primeira vez em mais de um mês que ela conversava de forma presencial com o entrevistado. Por esses caminhos do destino, nesse mesmo horário, outra jornalista era surpreendida ao ver uma pequena banca em frente à avenida Sete de Setembro, com gêneros alimentícios e ninguém por perto. Na parede, dois cartazes. Um dizia: “O momento pede atitude e cooperação”; o outro: “Quem tem põe, quem não tem tira”. Naquele mesmo dia, à noite, outra jornalista recebeu um telefonema informando que uma voluntária estava confeccionando máscaras para doar – mãe de um menino de 10 anos com autismo. Ao entrar em contato com a voluntária, ontem, a repórter ouviu o relato de uma pessoa emocionada que não tinha dinheiro para comprar tecido e quando foi costurar a máquina estragou. Com ajuda, conseguiu driblar essa situação e confeccionou máscaras para vários grupos, inclusive para os bebês que são atendidos em um posto de saúde. Para o jornalismo, que tem vivido dias de desafios na produção de conteúdo, é gratificante pode mostrar ações como essas. E ainda mais ouvir a seguinte declaração dessa mãe e voluntária. “Obrigada, Folha do Sul, por ser tão especial e atencioso com a população. Por nessa hora tão difícil vocês nos trazerem as notícias. Isso é tão importante, obrigada”. Nós que agradecemos por poder abrir espaço para gestos que fazem a diferença nesse momento tão difícil, porém, juntos, vamos vencer.

 

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