A escola ressignificando conceitos e mantendo o vínculo com estudantes e professores
Publicado em 29/04/2020

Opinião

Foto: Divulgação/FS

Diretor do Departamento de Educação da Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul

A rotina de atividades e trabalhos escolares na educação básica está vinculada à interação dos professores com os estudantes e a ações baseadas na troca de experiências realizadas de forma presencial. É assim desde que as escolas se constituíram e é dessa forma que a sociedade está acostumada a entender o papel dessas instituições como formadoras de cidadãos.

Eis que, em meio ao estado de calamidade pública devido à crise provocada pela pandemia do novo coronavírus (covid-19), os diversos setores da sociedade se viram diante do isolamento social, voluntário ou compulsório, como forma de controlar a propagação desse vírus e preservar a vida, compelindo, também, as escolas a se manterem fechadas em um período diferente das férias as quais estavam acostumadas.

Nesse contexto, todos os que atuam nessa área foram desafiados a pensar possibilidades para manter os estudantes e os professores em casa, conforme as orientações de saúde pública, e, ao mesmo tempo, garantir-lhes o vínculo pedagógico com as escolas até que todo esse período se conclua e a rotina volte ao normal. A escola precisou se ressignificar: na rede estadual de ensino do Rio Grande do Sul foi instituída a metodologia de aulas programadas para atender aos alunos e, concomitantemente, os cursos de formação continuada online para os docentes ganharam força.

Para melhor entender, as aulas programadas são atividades escolares, previamente elaboradas com base em objetos de conhecimentos já abordados em sala, compreendendo um conjunto de aulas a serem cumpridas pelos estudantes e seus respectivos professores, as quais não utilizam, necessariamente, recursos tecnológicos de última geração e a transmissão de informações via internet.
Nessa perspectiva, por meio das aulas programadas, escolas e professores foram instados a utilizar as mais variadas formas de atividades, desde a produção de textos à elaboração de vídeos; da utilização do caderno de classe ao blog da escola, com os recursos pedagógicos e tecnológicos os quais os estudantes possam acessar com facilidade e desenvoltura e demonstrar os conhecimentos aprendidos.

Em pesquisa realizada pelo Departamento de Educação da Secretaria da Educação nas 30 Coordenadorias Regionais de Educação, foram constatados os recursos pedagógicos e tecnológicos que as 2 370 escolas da Rede estão utilizando para atender à metodologia de aulas programadas, conforme mostra o gráfico a seguir.

GRÁFICO

Como podemos perceber, a maioria das escolas têm utilizado mensagens eletrônicas (55,49%) e cadernos/livros (54,26%) como forma de operacionalizar as atividades de aulas programadas para atender aos estudantes, seguida por postagens em redes sociais, com 42,62% e plataformas digitais, com 29,79%. O recurso menos utilizado, conforme a pesquisa, foi blog ou site, em 15,15% das escolas. Convém destacar que cada estabelecimento pode utilizar um ou vários recursos pedagógicos ou tecnológicos para atender suas especificidades.

Com a metodologia de aulas programadas, as escolas da Rede Estadual de Ensino valeram-se da sua autonomia pedagógica e estão mostrando toda a criatividade dos professores na elaboração de atividades que envolvem os estudantes dos grandes centros urbanos, da zona rural e aldeias indígenas. A participação das famílias no acompanhamento das atividades e da vida escolar é outra ação que merece destaque, considerando a sua extrema importância para o desenvolvimento socioemocional dos educandos.

Em muitos casos, escolas e professores envidaram esforços para que as atividades chegassem até os estudantes e utilizaram os serviços de rádio local, entrega de livros e material impresso no domicílio dos alunos, contato telefônico, atendimento de alunos na escola e liberação do uso dos computadores por agendamento, além do acompanhamento dos educandos por telefone.

Os professores, por sua vez, estão participando de cursos de Formação Continuada da Escola Gaúcha, cuja abordagem do módulo I refere-se ao currículo sob a perspectiva conceitual e legal, com a participação e certificação de mais de 42 mil profissionais via Portal da Educação/Seduc. O módulo II tem como foco a elaboração do Currículo Referência da Rede Estadual de Ensino do Rio Grande do Sul, que resultará no documento balizador das unidades escolares, construído de forma coletiva e colaborativa.

Por fim, é relevante destacar que na educação básica nenhuma metodologia será capaz de substituir o aprendizado promovido nas aulas presenciais, no entanto, acreditamos que, quando esse momento de dificuldades passar e nossas escolas estiverem repletas de seus professores e estudantes, teremos rompido muitos paradigmas e aprendido a valorizar a criatividade, a união e a integração dos saberes que todos trazem consigo.

Estamos aprendendo, mesmo em ambientes separados. A escola está ressignificando a sua importância e mantendo o vínculo pedagógico entre estudantes e professores.

Deixe sua opinião