A disputa de beleza está escancarada
Publicado em 13/07/2020

Política

Para que se entenda o que está acontecendo, é necessário que relembrar alguns fatos. A força-tarefa da Lava Jato ganhou notoriedade com o processo que condenou Lula à prisão. Isso ninguém discute. Antes deste fato, a tal ’República de Curitiba’ era quase desconhecida. Acho também que ninguém discute. O Supremo Tribunal Federal também teve sua participação no ‘crescimento’ da popularidade da Justiça Federal, quando decidiu a prisão em segunda instância. Para muitos, a vitória de Bolsonaro está diretamente ligada ao ‘impedimento’ de Lula concorrer. Se os leitores concordam ou não, são outros quinhentos. Mas estes são os fatos e fatos são incontestáveis. Outro fato que é levado em consideração foi a ‘facada’ que o então candidato Jair Bolsonaro levou em plena campanha. Até hoje, não se sabe a mando de quem. Como se sabe, a prática jornalística, assim define o povo brasileiro, ‘gosta de apoiar vítimas’. A dúvida sobre a agressão, continua até hoje. Chegaram até a suspeitar que a facada foi  ‘inventada’. Ou seja, não teria acontecido. Mas o ‘jogo político’ e suas discussões, seguem o curso. Alguns juristas criticaram a ‘velocidade’ que o processo foi julgado, tanto na primeira quanto na segunda instância. Após a prisão de Lula e a eleição de Bolsonaro, o debate ganhou outros ingredientes. E aqui começa o segundo tempo da ‘encrenca’. Entraram em campo as denúncias, em capítulos do jornalista Americano Glenn Greenwald. Começou um processo, colocando dúvida sobre o procedimento ‘ilegal’ com provas vazadas sem autorização da Justiça. Em nenhum momento foi aventada a possibilidade da Justiça investigar a veracidade das denúncias, até que em um dos capítulos desta ‘novela’, a força-tarefa foi denunciada por ‘ter investigado’ sem autorização do Judiciário, membros da Suprema Corte. Como em um passe de mágica, o plenário do Supremo, decidiu ‘respeitar a Constituição’ e voltou atrás em sua decisão sobre a prisão em segunda instância. Até aqui, é a recapitulação de fatos. Apenas para que os leitores entendam o título acima que encabeça a coluna de hoje. Samba-enredo:
Sérgio Moro: Ascensão e queda de prestígio 
Seguindo rigorosamente os fatos, após as denúncias do jornalista, Sérgio Moro aceitou ser ministro da Justiça de Bolsonaro. Para que! Sua decisão provocou uma onda de suspeitas de que, as denúncias eram verdadeiras e que o convite de Bolsonaro, ‘estaria ligado ao agradecimento’ ao juiz que retirou Lula do processo eleitoral. Ao chegar ao Ministério, foi brindado com a ‘bola de ouro do campeonato político’. Ele e Guedes receberam o título pomposo de superminstros. O presidente sentindo que o ‘perigo rondava sua área’ em sua pretensão, negada, é bem verdade,  de ser candidato à reeleição. Atirou diversos torpedos no sentido de advertir que nenhum ministro tinha cargo permanente. Ou seja, quem se arvorasse ‘a candidato em 2022’ corria perigo. Com o pedido de demissão de Moro, ficou mais claro, não só a briga pelo poder, como a “disputa de beleza”, entre os poderes da República. No sábado, dia 11, ao participar de uma ‘live’, Gilmar Mendes defendeu a decisão do presidente da Corte, Dias Tóffoli. “Que determinou o compartilhamento dos dados das forças-tarefa da Lava Jato, inclusive, a de Curitiba, com a Procuradoria-Geral da República”. Como se sabe, Gilmar sempre é contundente em suas declarações. Portanto, o que ele afirmou, para mim, não é nenhuma surpresa. Leia:  “Por que tanto cuidado com este sigilo? Estas pessoas que se revelaram vazadores eméritos de notícias, de sigilos, agora estão zelando pelo sigilo dessas pessoas preocupadas com que o procurador-geral venha a vazar, que isto poderá chantagear políticos. E o que eles têm feito? Chantagistas eméritos usando agora o argumento naquela linha de ‘vou gritar pega ladrão’. Eu até disse a uma repórter que me procurou que essa gente está temendo qualquer correção, porque eles sabem o que fizeram no sábado à noite”. A polêmica sobre a atuação da Lava-Jato está acirrada porque o Conselho Superior do Ministério Público Federal analisa proposta de criação de uma unidade central de combate à corrupção. A ideia é centralizar dados das investigações em curso e todo material ficar subordinado ao procurador-geral da República, Augusto Aras. Será que teremos, finalmente, a queda do sigilo nas investigações? Os procuradores não querem ‘abrir o jogo’, de possíveis irregularidades cometidas no intuito da condenação de políticos e empresários. O vazamento das denúncias do jornalista americano começa a surtir seus efeitos. Ou não?

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