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A DEMOCRACIA SERVE A TODOS NÃO A GRUPOS
Publicado em 28/11/2019

Política

Os últimos acontecimentos mostram que muita gente ainda não assimilou o que vem a ser ‘democracia’. Radicalmente, eles defendem o ponto de vista dos segmentos partidários. Não aceitam o contraponto. Não querem dialogar. São radicais ao extremo. Quem não tem 60 anos só sabe da ditadura brasileira através dos livros. Temos livros escritos por militantes de facções políticas divergentes. Então, cada um conta uma história. É claro, puxando brasa para seu assado. A bola da vez é a ‘lembrança’ do AI5, que foi editado em 68, pelo Costa e Silva. Todavia, antes de mais nada, quero opinar sobre esta tal ‘lembrança’ funesta. É para quem não vivenciou o regime ditatorial. Para os mais jovens, algumas informações: ‘O ato institucional número 5’ foi criado pelas cabeças ‘pensantes’ do governo militar e eliminou a Constituição brasileira da época. Sua aplicação tirava a possibilidade de revisão judicial dos atos do governo considerado “comando supremo da revolução”. Isso resultou na cassação de mandatos de parlamentares contra o governo. Ficaram apenas os ‘biônicos’, não eleitos pelo povo e nomeados pelo governo ditatorial. Prefeitos e governadores foram cassados e em seus lugares foram nomeados parceiros do governo federal. A imprensa foi controlada. A tal ponto chegou que edições de jornais tinham a censura prévia. Emissoras de rádio apresentavam ‘sinopse’ antecipada dos programas jornalísticos. Tudo sob o controle do governo. A tortura em adversários políticos, embora negada por ‘viúvas’ da ditadura, sempre existiu. Por que estou relembrando estes fatos? Porque eu convivi durante o período ditatorial. E já como radialista, profissão que exerço desde 1958. “Alguns políticos ‘voltam a lembrar do AI5”. Tudo isso como contraponto da soltura de Lula, que retorna ao cenário político, após ser solto baseado na Constituição brasileira. É claro que o radicalismo, de ambos os lados, tem propiciado descontrole em declarações de líderes que deveriam ser mais comedidos. Lastimavelmente, as ofensas propiciaram a lembrança de um ato institucional que acabasse com os protestos e silenciasse os adversários. Para mim, isso apenas serve para tentar intimidar ao povo com a finalidade de que eles não participem de protestos nas ruas. Protestar, não é depredar. Então, a lembrança de um possível ato institucional que proíba estes movimentos vai ficar só na advertência aos incautos. O Brasil está vivendo período democrático embora ainda insipiente, é bem verdade, mais evoluindo dia a dia. Nossas instituições estão fortalecidas. Não há ambiente para nenhum tipo de retorno à ditadura. A matéria está baseada em declarações de filho do presidente da República, que relembrou do AI5, como se tivesse vivenciado aquele momento triste para a democracia. Sua ‘lembrança’(por ouvir falar) foi baseada na soltura de Lula, que já saiu ‘queimando pneu’ contra o atual governo. Mas isso faz parte da oposição. Agora, Lula, ao elogiar os movimentos populares que estão acontecendo no Chile e na Bolívia, incentiva o povo a sair às ruas. Aí o bicho pegou. Nas entrelinhas, ele deixa transparecer que os movimentos têm que ser a qualquer preço, como exemplo, cita os dois países. Ora, pelo que se assiste nos noticiários lá não tem sido pacífico. Tem gerado violência. E isso está sendo contestado pelo governo que tenta coibir movimentos populares. O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nos Estados Unidos, que as reformas foram desaceleradas para monitorar convocação do ex-presidente Lula, contra agenda econômica. E aqui uma frase que diz tudo: “Não é possível se assustar com a ideia de alguém pedir o AI5, diante de uma possível radicalização dos protestos de rua no Brasil”. Resultado, agora começa outra etapa que vai eleger prefeitos e vereadores em todo o Brasil. São a base da próxima eleição presidencial e de governadores. Mas também será a base para as assembleias Legislativas e o Congresso Nacional. Então, a população, cuja maior parte não participa de protestos, tem a oportunidade de renovar seus representantes na próxima eleição. Eles serão ‘cabos eleitorais’, para renovação do Congresso. É nas cidades que se produz grande parte do bolo nacional. Não esqueça disso. Como também não esqueça de ir votar. É no próximo ano. Mas a campanha está iniciando, incentivada pelo governo e Lula. Concordem ou não!             

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