Elle – França, Alemanha – (2016)
Publicado em 04/11/2017

Ricardo Beleza

E-mail:
Cidade: Bagé / RS
Jornalista e crítico de cinema
Ricardo Beleza

Foto: Divulgação/FS

Suspense dramático dirigido pelo contestador Paul Verhoeven.
Uma executiva é violentada em sua própria casa por um homem mascarado, a partir daí começa um jogo de predador versus presa. Esse filme é um tratado de sociologia que fala sobre as relações interpessoais nos dias de hoje. Verhoeven segue defendendo seu ponto de vista e desmistificando falsos discursos, com a mesma violência explícita de antes. O diretor de Instinto Selvagem (1992) traz para a discussão, desta vez, um romance abusivo de um misógino e de uma mulher independente, dirigente e bem-sucedida. Esses dois extremos juntos provocam uma tensão desconfortável, típica de quem quer por o fim em uma guerra já milenar... O machismo besta contra o feminismo mal embasado tem um desfecho irônico nessa produção europeia que traz a diva francesa Isabelle Huppert interpretando a personagem criada pelo escritor Phillippe Djian (Betty Blue-1986) Michèle Leblanc. A atriz de 64 anos está tão bem e confortável neste papel dificílimo e exigente que por justiça e competência arrebatou para sua prateleira de prêmios o: Globo de Ouro de melhor atriz em filmes, o César também, Satellite award, Independent Spirit, Gotham, National Society e o New York Film Critics Circle. Perdeu para Emma Stone o Oscar deste ano, bem pessoal, não é de hoje que essa premiação popular em todo o mundo deixou de ser séria... No final, “Viva Huppert, viva Verhoeven” e abaixo os extremistas que escondem suas fragilidades atrás de discursos moralistas furados. Na verdade, são apenas uns medrosos desprovidos de caráter e também de moral, que se utilizam desse ardil para conseguirem exatamente aquilo que almejam. Um grande abraço a todos.

Deixe sua opinião