Blade Runner 2049 – EUA – (2017)
Publicado em 21/10/2017

Ricardo Beleza

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Cidade: Bagé / RS
Jornalista e crítico de cinema
Ricardo Beleza

Foto: Divulgação/FS

Ficção científica neo-noir, dirigida por Denis Villeneuve e escrita por Hampton Fancher e Michael Green.
Na Los Angeles do futuro o policial “K” (Ryan Gosling) trabalha como “Blade Runner”, que é um destacamento da polícia especializado em caçar androides fugitivos que são réplicas de seres humanos construídos pela corporação Tyrell. Esses replicantes possuem algumas melhorias em relação aos humanos, pois foram feitos para colonizar planetas e asteroides espaço afora. O novo Blade Runner traz os elementos que transformaram a adaptação para o cinema do romance sessentista do autor Philip K. Dick em um “cult movie”. Porém, a nova produção peca no quesito do roteiro, e aí a meu ver está o grande culpado por Blade Runner 2049 não ter alcançado a meta prevista em arrecadação nas bilheterias, ao redor do mundo, nessas primeiras semanas de exibição. Tudo leva a crer que num objetivo de fazerem justiça ao primeiro roteirista do filme de 1982, os produtores dessa sequência acabaram pisando “bonito” na bola. Chamaram o Michael Green (Lanterna Verde-2011) para trabalhar, junto ao Hampton Fancher (O Candelabro Italiano -1962), que foi quem adaptou o romance de K. Dick para o primeiro filme e que foi afastado da produção por divergências com o diretor Ridley Scott e também com o autor do livro. Consta que ele focou mais em questões ambientais que nas questões humanas e religiosas, sendo assim substituído por David Peoples (Os imperdoáveis -1992) que reescreveu o roteiro. O ponto positivo é que desta vez as questões ligadas ao meio ambiente aparecem bem mais na história, o negativo vem a ser a ausência do David Peoples e a presença desconfortável do Michael Green dando uma ação previsível em meio a um mormaço sonolento que dá o realismo devido à história. O roteirista Michael Green pode ser muito competente para escrever filmes de super-heróis para a gurizada, mas Blade Runner é um esquema bem diferente.  Um discurso existencialista sério, transportado de maneira intencionalmente lúdica para o gênero noir, sobre o destino da humanidade em convívio com a inteligência artificial, que por sua vez questiona o propósito de sua existência também, deveria ter sido tratado com mais respeito por Hollywood. Espero sinceramente que Philip K. Dick, em uma noite dessas, volte de seu descanso no além e puxe os pés, durante o sono, de quem contratou o Michael Green para ajudar neste roteiro.  Mas se acalmem que nem tudo é um desastre no Blade Runner 2049, que tem seus momentos brilhantes graças ao corajoso diretor Denis Villeneuve e também ao ativismo em favor ao meio ambiente por parte do Hampton Fancher, que a justiça seja feita, pois ele foi pioneiro quando adaptou o Cyberpunk revolucionário para as telas.  Destacam-se também as excelentes atuações da atriz holandesa Sylvia Hoeks (O Melhor Lance – 2013) encarnando a vilã sintética “Luv” e da atriz cubana Ana de Armas, que interpreta “Joi”, namorada holográfica do protagonista. A música de Benjamin Wallfisch e do Hans Zimmer é inspirada na trilha que o grego Vangelis compôs para o filme de 82, falando nisso a edição de som é um show a parte, certamente a equipe receberá a coroa de louros pelo trabalho. O Spinner, que é o carro voador que o detetive “K” pilota, e foi criado para o primeiro filme pelo designer americano Syd Mead, tem a curiosidade de ser da marca Peugeot. Um efeito especial legal é quando o expectador é colocado em primeira pessoa pilotando o carro voador na Los Angeles futurista, lá pelo início da exibição. No elenco ainda aparecem o veterano Harrison Ford, Sean Young, Edward James Olmos, Jared Leto, Robin Wright, Mackenzie Davis, Barkhad Abdi e Carla Juri. Um abraço a todos.

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