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Sim, elas me representam!
Publicado em 25/06/2019

Meilene Fontes

Meilene Fontes

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Diante da França, a Seleção Brasileira deixou escapar a classificação às quartas de final da Copa do Mundo, eliminação precoce que parece não ter mudado nada a ideia de que o futebol feminino brasileiro alcançou um patamar que há alguns anos, parecia utopia.
Pela primeira vez, a Seleção Brasileira Feminina ganhou um uniforme exclusivo, modelos desenhados somente para elas, além de um álbum de figurinhas que serviu para dar mais popularidade para as nossas atletas. Somando-se a isso, a maior emissora de TV no Brasil transmitiu, pela primeira vez, a disputa Mundial.
Ao que se pode perceber, a maior entidade do futebol, a Fifa, também vem caminhando na mesma direção, dando indícios que é hora de investir em um universo que clama por igualdade. Cito duas questões, sendo a primeira com relação à pressão do presidente da entidade Gianni Infantino, para que o Irã permita que mulheres compareçam a estádios de futebol para assistir aos jogos da seleção iraniana pelas eliminatórias da Copa do Mundo na República Islâmica neste ano, e a segunda indicando que clubes que disputarem a Copa Sul-Americana ou a Libertadores precisarão ter uma equipe de futebol feminino.
Cabe destacar também outras iniciativas que nos levam a quebrar paradigmas. Como exemplo, cito a Câmara de Vereadores do Rio Grande que, através da presidente, aprovou a troca de horário da sessão, permitindo que os parlamentares e funcionários da casa pudessem assistir a partida entre Brasil e Itália. A mudança, para muitos desnecessária, foi respaldada sob justificativa de que as partidas femininas devem receber a mesma atenção que a participação de nossa equipe masculina em mundiais.
Sim, a Seleção Brasileira não foi longe na Copa da França, já que após conseguir o gol de empate no tempo regulamentar, sofreu o golpe mortal das donas da casa na prorrogação. Contudo, mesmo sabendo que não foi desta vez, elas me representam porque não é apenas futebol, é algo muito maior, trata-se da autoafirmação feminina de estar onde quiser, fazendo exatamente aquilo que deseja.
Ainda caminhamos a passos lentos, sabendo que precisamos de muito esforço para sermos reconhecidas com igualdade, por isso a luta é diária. Mesmo diante de tantas diferenças, toda a vez que vemos a Marta sendo colocada no topo, é como se estivéssemos sendo conduzidas ao palco junto com ela, sendo inspiradas por um sentimento de vitória.
No futebol, exatamente, ainda são necessários investimentos e maior valorização de apostas em novos talentos. Só assim poderemos descobrir novas Martas, Cristianes, Formigas.
De qualquer forma, esta Copa do Mundo nos prova que a transformação está acontecendo. Então, pode aplaudir em pé porque elas nos representam.  
 
Repórter esportiva

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