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Parcerias e investidores: experiências no futebol
Publicado em 06/02/2020

Maria Angélica Varaschini

Maria Angélica Varaschini

Falta pouco menos de um mês para o início da Divisão de Acesso e as mudanças já vêm acontecendo antes mesmo dela começar. Nesta semana, o que pegou muita gente de surpresa foi a saída do técnico Rinaldo Lopes Costa, o Badico, do comando do Grêmio Bagé.

Em nota divulgada no Facebook, explicando o motivo da saída, em uma parte Badico colocou: “Infelizmente, quando não temos organização sólida e, principalmente, confiança no planejamento pensado, não podemos continuar no comando”, mostrando que realmente houve embate de ideias entre ele e o investidor do clube. Um colocando cada vez mais jogadores, enquanto o outro queria ‘enxugar’ o elenco.  O Bagé perde seu técnico logo no início da temporada do ano do centenário.

Caso semelhante aconteceu no São Gabriel neste ano. Um grupo de investidores iria colocar o técnico e alguns jogadores no elenco do São  Gabriel para a Divisão de Acesso, porém, dias antes do início da pré-temporada, esta equipe resolveu não mais investir no clube. Com isso, a direção teve que correr atrás de um novo treinador. No ano passado, a equipe do Guarani-VA também tinha um investidor e tudo estava dando certo, tanto que a equipe chegou às quartas de final da Divisão de Acesso, porém, já no final, os salários estavam atrasados, além de dívidas com a Federação Gaúcha de Futebol, que quase fizeram com que o grupo não entrasse em campo. Em 2016, o Inter-SM também tinha um investidor, que trouxe a comissão técnica e o alvirrubro começou a pré-temporada com 42 atletas. A comissão não durou até o início da competição e o time quase foi rebaixado naquele ano.

Sim, é difícil fazer futebol no interior do Estado, é claro, que toda  ajuda financeira é bem-vinda. O caso é saber até que ponto quem investe pode influenciar nas decisões dentro e fora do campo. O que compete a cada um dentro do clube? Pois a partir do momento que existir divergências entre as partes interessadas, o trabalho começa a ficar comprometido.

Vamos ao Bagé e nos questionamos: Até que ponto a saída do Badico vai afetar o elenco? O que muda a partir de agora? Será que foi uma boa essa mudança? Melhor agora do que no decorrer da competição? Como os torcedores jalde-negros encaram essa situação?  Enfim, a gente sabe que toda mudança gera alguma coisa, às vezes, boa; às vezes, ruim.

Como disse o próprio  Badico: “Futebol é complicado, divergência existe, sai e vida que segue, estou tranquilo!” E é exatamente isso, são coisas do futebol. Cabe a cada instituição saber o que é melhor ou pior e agir conforme o seu planejamento e ideias. Afinal, ninguém faz nada pensando que vai dar errado; porém, às vezes, dá.


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