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Futebol do interior
Publicado em 18/07/2019

Maria Angélica Varaschini

Maria Angélica Varaschini

O Brasil foi sede de grandes eventos esportivos nos últimos anos: Copa do Mundo, Olimpíadas e Copa América. Neste ano, durante três semanas, as seleções latino-americanas invadiram o país com seus melhores jogadores em campos, muitos com salários milionários. Vimos muitos craques entrando em campo defendendo sua seleção, mas também já os vimos em outros gramados com a camiseta dos times. Eles não vivem apenas de uma competição, ou de um campeonato. Esses craques da bola estão empregados o ano todo, têm salários milionários e vivem muito bem com essa realidade. Porém, folhas de pagamento altíssimas e campeonatos o ano inteiro não são a realidade de todo o futebol.
Aqui, nós vamos falar do futebol do interior, de gramados irregulares, de estádios não tão belos e bons, de arquibancadas que puxam o fio da calça e de torcedores fiéis, mas que na grande maioria são em pequeno número. Enquanto grandes agremiações estão vibrando por verem seus jogadores representando uma seleção e recebendo propostas de clubes europeus para negociar seus atletas, equipes do interior correm contra o tempo para viabilizar o futebol no segundo semestre, fazendo contas e buscando parcerias para fechar a folha de pagamento.
A realidade do Rio Grande do Sul para os clubes do interior é a Copinha do segundo semestre, esse ano batizada como Copa Seu Verardi, porém, nem todos os clubes têm condições financeiras de manter futebol o ano todo. Grêmio Bagé e Guarany-BG, por exemplo, vão contar com realidades diferentes nesse segundo semestre. O Guarany comemorou o Acesso a Série A2 em 2020 e levantou a taça de campeão invicto da Terceirona Gaúcha, porém, a direção optou por reestruturar o clube, organizar-se para a Disputa da Divisão de Acesso no ano que vem. Já o Bagé decidiu por futebol o ano todo. Depois da campanha no Acesso, a continuidade no trabalho, e galgar uma das vagas que a Copinha oferece (Copa do Brasil e Série D do Brasileiro) fizeram com que o futebol neste semestre fosse realidade.
O caso é que é bem difícil fazer futebol longe dos grandes centros. O mundo da bola está diferente; hoje um clube precisa muito mais de organização e planejamento  financeiro. Precisa saber avaliar a sua realidade e buscar alternativas para manter um clube em atividade. O bom é que ainda existem pessoas que lutam para dar continuidade a esse futebol, inclusive trabalham como podem e nas suas condições, para não deixar que o futebol do interior se acabe.

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