Coluna Social 22.04.20
Publicado em 22/04/2020

Marcos Pintos

Cidade: Bagé / RS
Colunista social - Paralelo MP
Marcos Pintos

Coluna Social

Foto: -

A mesma Marianna Riet revelando sua beleza clássica sem os equipamentos que a protegem da contaminação

“Deixe brilhar! Não boicote a sua luz com receio daqueles que ainda vibram na escuridão. No tempo certo, compreenderão que também possuem atributos divinos para cintilar no céu da felicidade”.

MP

Há determinadas crônicas aqui veiculadas que podemos chamar “campeãs de audiência”. Isso se constata pela repercussão vista no site em forma de comentários e números de acessos – fora e-mails, mensagens de texto, telefonemas, WhatsApp... Pelo valor das experiências, a pedido de leitores e dos protagonistas dessas crônicas, vamos selecionar algumas delas para serem reveiculadas. Com vocês, “Sal da Terra; Luz do Mundo”.

Sal da Terra; Luz do Mundo

          A reserva piscava. No centro da cidade quase parei num posto, quando pensei: “Já que estou a caminho do Aceguá, creio que chego ao Internacional que fica à saída”. Lá fui guiado pela intuição. Cheguei. Estacionei. Na janela, um frentista de olhar bom e voz suave me atendeu. Pedi que completasse. Enquanto isso, bem tranquilo, abri o livro que estava lendo – “O Código do Monte” – no capítulo parado. Naqueles poucos instantes, fui absorvido pela atmosfera da leitura. De repente, como em despertar abrupto durante o sono, fui surpreendido pelo frentista com um sorrisão no rosto. “O senhor sabe que gosto de ler? Tenho uma caixa de livros em casa. É o meu tesouro”, disse do outro lado da janela. Para que? Naquele instante, a sintonia aconteceu. “O que o senhor está lendo?”, perguntou. Respondi que era um livro que descrevera a psicologia das virtudes do Sermão da Montanha, escrito por um psiquiatra chamado Sérgio Luís Lopes. Gente, os olhos do interlocutor brilharam tão intensamente com a resposta fazendo minha percepção dilatar-se sacando que, ali, acontecia algo muito maior que simplesmente abastecer o carro. Fechei o livro. Sem pestanejar, o entreguei ao frentista com um sonoro “bom proveito”. Ele abraçou o volume com as duas mãos, dessa vez, com uma lágrima escorrendo em seu rosto, quase sem acreditar. Paguei, dei-lhe boa tarde desejando que ficasse com Deus. Parti. No caminho, meditei sobre o que acabara de acontecer: que grande oportunidade tive de ser útil! Um prazer tão grande me tomou que meus sentidos afloraram percebendo o céu ainda mais azul e o verde do Pampa pulsando numa intensidade quase inacreditável. A partir do momento que compartilhamos o conhecimento, algo mágico acontece. O bem que, aparentemente, direcionamos ao outro torna-se bálsamo para curar nossas próprias almas feridas. Agora, a expectativa me toma para saber o final do livro. É, pensando bem, que nada! O final fora dito pelo próprio Cristo no mesmo Sermão tomado com inspiração da obra: “Vós sois o sal da Terra e a luz do mundo. Assim, brilhe a vossa luz diante dos homens para que aprendam com a virtude das boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus”. Através da metáfora, Jesus revelou a força universal do testemunho e a cabal função de quem o segue: defender a humanidade do egoísmo endêmico, fonte de toda corrupção e maldade. Nossa missão, enquanto distribuidores de livros e esperanças, é ajudar o máximo número de pessoas a conhecerem, através da fé e exemplo iluminadores de mestres como Jesus, o caminho que leva a Deus.

 

Testemunho da médica Marianna Riet, enviado do hospital uruguaio Elbio Rivero, após ler o texto “Ignorância, quem paga o preço?”. Como pauta, o descaso de parcela da população e de lojistas pontuais que não entenderam a importância do isolamento social.

Enquanto o pessoal está nas ruas, nós estamos sofrendo dentro destas roupas (vide foto). Não é questão de heroísmo, como dizem. Não somos heróis ou coisa do tipo. Estamos trabalhando; apenas fazendo a nossa parte. Porém, ainda há os que não respeitam. Somos, até mesmo, discriminados por trabalharmos na saúde: vizinhos se esquivando e nos olhando com cara estranha, exemplo disso. É triste ver como o ser humano pode ser destrutivo e egoísta. Estamos em meio ao caos. Muitos não respeitam o isolamento e, tão triste quanto isso, cada dia surgem novas informações (muitas fake news) deixando a situação ainda mais desesperadora. Como sabes, te agradeço, hoje e sempre, pela sinceridade. Teu trabalho neste momento também é fundamental. Obrigado, querido Marcos.


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