Coluna Social 20.04.20
Publicado em 20/04/2020

Marcos Pintos

Cidade: Bagé / RS
Colunista social - Paralelo MP
Marcos Pintos

Paralelo MP

Foto: -

Da série “recuerdos paralelos”, Carlos Mário Antunes Suné e Carmen Sylvia

“A sensibilidade traz consigo duas consequências: a capacidade de ler o belo que há no mundo e, no contraponto, a angústia de sentir as próprias dores do mundo”

MP

 

Ignorância: quem paga o preço?

Dez e pouco da noite. Uma vídeo chamada no celular. Os amigos Vitor Raskin, de Porto Alegre, e Flávio Mansur, de Pelotas. Ambos, preocupados, perguntando se eu estava bem. Disse que sim. De antemão, já sabia o motivo da angustia: a foto absurda do povo se debatendo na Avenida Sete, na altura de conhecidas lojas populares. A imagem assombrou. Se considerarmos que Bagé ocupou, recentemente, a 10ª posição do ranking do Ministério da Saúde como o município com maior incidência de Covid-19 no país, não se trata de exagero. Trata-se, sim, de ignorância endêmica – tanto de comerciantes pontuais irresponsáveis, quanto de clientes ainda na infância da intelectualidade. Há poucos dias, escrevi: “infelizmente, o mesmo que muitos bageenses fazem com o lixo ao descarta-lo em locais inapropriados do ambiente público, mostram fazê-lo com suas próprias vidas”. Pera lá. Se, para estes, a vida é um lixo, perdoem-me, para mim, assim como acredito ser para muitos de vocês, é cara demais para acabar dentro de um contêiner frigorífico. Assim, pergunto: no meio de tudo isso, onde fica o cidadão lúcido, cumpridor das obrigações protocolares diante à pandemia, que se vê ameaçado por comportamentos de tamanha irresponsabilidade? “A conduta de alguns está comprometendo o trabalho de todos”, disse o prefeito Divaldo Lara. E está mesmo. Não esqueçamos que atitudes semelhantes as observadas na Avenida Sete, são as mesmas que enchem caminhões de cadáveres em países da Europa e colocam outros tantos em valas comuns em Nova York.  

 

 

Caminho, verdade e vida

Como já contei a vocês, descobri um grande amor de uns tempos para cá. Amor que me faz bem; amor pelo qual zelo em grau abundante de entrega. Filosofia. Ir a fundo nas questões existenciais, apoiado no tridente da razão, sem perder a delicadeza de um olhar sensível sobre a vida, um prazer que jamais pensara sentir. Prazer da alma. Prazer perene. Percebo que muitos dos deleites fugidios que procurei na adolescência do espírito, nada mais foram do que correr atrás de vento. Aprendizado sim, mas apenas para reconhecer os caminhos que não quero mais seguir. É no conhecimento, caros amigos, que encontramos a grande chance de libertação. Aqueles que decidem “não conhecer”, aceitam, por si mesmos, colocarem-se na posição de escravos. E observem que curioso: se utilizarmos o livre-arbítrio optando pela estagnação em detrimento ao crescimento, a própria vida se encarrega de, no momento oportuno, dar uma forcinha nos jogando em situações forçosamente evolutivas. Fato. Conhecer é alçar voo a alturas inimagináveis. Conhecer é libertar-se do velho homem colocando-se diante do espelho da verdade sem receio do que se verá em reflexo. No majestoso caminho da busca interior, funde-se a harmonia, a ciência e a virtude, as três concepções do espírito. A primeira, extasia; a segunda, esclarece; a terceira, eleva. Juntas, essas irmãs luminosas constituem a essência dos espíritos puros, os mesmos que, em inteligente momento de suas existências, procuraram o conhecimento como caminho, verdade e vida.


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