No Ar
Folha do Sul
Web Rádio

Tratativas de Jucelino para eleição do próximo ano serão mantidas
Publicado em 21/08/2019

Márcia Sousa

Márcia Sousa

Foto: Divulgação/FS

Brizolista histórico era voz firme no partido

Não é nenhum exagero afirmar que Jucelino Rosa dos Santos, falecido na semana passada, era o timoneiro do PDT de Bagé. Estrategista, articulador e conhecedor dos meandros políticos, ele era um dos remanescentes - daqueles que viviam e respiravam política. Mas política com conhecimento e argumento. Era um exemplo que deveria ser seguido pelos charlatães que integram grupos criados no Facebook, que nada mais fazem do que proselitismo político – que têm como horizonte único o poder pelo poder.
Esta colunista teve a oportunidade de conhecer o político que era Jucelino. Muitas entrevistas fiz com ele. Embora um partido não seja um homem só, ou uma mulher, ele era o “cérebro pensante” do PDT local. Tanto é que já estava em articulação para a eleição do próximo ano. O “Gordo”, como era chamado de forma carinhosa pelos correligionários, tinha planos traçados para o pleito municipal. Inclusive conversas nesse sentido já estavam alinhavadas e a direção era o prefeito Divaldo Lara. Tanto é que, conversas entre ambos já haviam ocorrido, como revelou o colunista do jornal Folha do Sul e amigo de longos anos de Jucelino, Gladimir Aguzzi, na edição do final de semana.
Aguzzi faz um relato minucioso de quem foi Jucelino, aquele que sabia pensar. Sim, saber pensar de forma inteligente e sábia é para poucos. E nesse contexto, Aguzzi lembrou a eleição em que o PDT foi um dos artífices da vitória do PT que pela primeira vez assumiu a prefeitura de Bagé, tendo como prefeito, Luiz Fernando Mainardi e como vice-prefeito, Jucelino. Isso em 2000. Três anos depois, o PDT foi “corrido” do governo. Uma ferida que jamais cicatrizou e que marcou a vida de Jucelino. “Depois de tudo o que fez para vencer o pleito de 2000, brigando com metade do partido, engolindo sapos e transformando a Câmara em um campo de batalha”, lembrou  o colunista. Ou seja, o “Gordo” era a voz firme e ouvida no partido.

Elenara  Ianzer: “é traição”
Brizolista histórica, com 35 anos de filiação ao PDT, a professora Elenara Ianzer foi uma voz afinada com Jucelino. Ela é a atual presidente do partido em Bagé. De forma ativa, Elenara sempre participou dos rumos da legenda nos tempos áureos e nas dificuldades.
Ontem, a colunista conversou com ela sobre os rumos do partido e as pretensões para a eleição municipal. Elenara confirmou que Jucelino estava em tratativas com o prefeito Divaldo e afirmou que tudo o que ele alinhavou será seguido. “Aquilo que foi encaminhado por ele, no ponto em que ele deixou, vamos continuar”, asseverou a presidente do PDT. Porém, pontuou que nada será oficializado sem passar pelo diretório.
Em relação a uma possível coligação com o PT para eleição do próximo ano, Elenara é taxativa ao afirmar que fala por ela e por um grupo expressivo do PDT – ou seja, não vê possibilidade dessa aproximação. “Tem uma palavra que não existia no vocabulário do Gordo que se chama traição. Quando se faz um acordo se cumpre e quando não é possível, se faz com moral e ética”, asseverou, numa alusão ao rompimento da gestão petista com o PDT.
Ainda muito abatida com a morte repentina do amigo de anos de luta como militantes políticos, Elenara recorda que Jucelino tinha posição firme e bagagem intelectual. A presidente conta que ele era procurado por ser um estrategista e muito articulado. “A gente se apoiava muito, as ideias do Gordo e a maneira de encarar a política eram próprias dele”, lembrou.
Quanto a algumas cabeças que distoam do pensamento das lideranças maiores da sigla e propagam que o PDT está em tratativas com outros partidos de esquerda para o pleito de 2020, Elenara disse estar surpresa com essa postura e foi taxativa ao afirmar que nenhuma decisão passa sem o aval do diretório.
Da política à comunicação
Jucelino, junto a Aguzzi, fundou o jornal Página VII. Embora tenha durado pouco, foi um jornal que fez a diferença em Bagé. Esta colunista teve oportunidade de trabalhar nesse jornal e ser uma das editoras. Foi uma época em que a Rainha da Fronteira teve três jornais diários e o Página VII destoava por publicações especiais todos os dias. No que tange a editoria política, era imbatível. Essa editoria tinha um nome bem sugestivo, pois se chamava "Esquinas". Muito bem informado e com fontes fidedignas, Jucelino era um dos que abastecia a colunista com as novidades e os meandros políticos de Bagé.


Deixe sua opinião