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Sangue = respeito e amor ao próximo
Publicado em 30/09/2019

Marcelo Pimenta e Silva

Jornalista, pós-graduado em Comunicação Mercadológica. Editor do jornal Folha do Sul e repórter da editoria Rural. Profissional com passagem pela assessoria de comunicação da Embrapa Pecuária Sul. Atua no jornal Folha do Sul desde 2011.  
Marcelo Pimenta e Silva

Imagine a cena: uma das pessoas que você mais ama está com sérios problemas de saúde. Praticamente, a vida dela depende de um ato de caridade. Você, tomado pela angústia, passa desesperadamente a pedir ajuda para outros familiares, amigos e até desconhecidos. Você quer salvar a vida daquela pessoa que sempre lhe deu amor, carinho e segurança. Para isso, é necessário que se consiga sangue. A cada bolsa que essa pessoa recebe, ela consegue melhorar. Torna-se mais forte e capaz de retomar simples atividades, como voltar a se alimentar e dar alguns passos pelo quarto do hospital onde está internada. Aí você pensa: "E se ela não conseguisse essas bolsas?" 
Muitas vezes, a corrida por esse bem tão precioso é ainda mais terrível para um familiar ou amigo porque o pessoa pode possuir um tipo sanguíneo mais difícil de se achar, como o -O, que só tem compatibilidade com ele mesmo. Não ter uma quantidade de bolsas de diversos tipos sanguíneos, transforma cada busca por bolsas compatíveis em uma jornada aterradora.  
Normalmente nos acostumamos a não pensar nesse tipo de situação quando nossas vidas estão plenas, sem dificuldades e percalços. Contudo, tudo pode mudar em questão de instantes. Numa situação de complicações na saúde, não só de medicamentos e procedimentos pode-se garantir o reestabelecimento de uma pessoa. Pacientes que convivem com o câncer, por exemplo, muitas vezes podem ter hemorragias, necessitando com urgência desse auxílio; isso sem falar em quem sofre acidentes ou outros tipos de contratempos, cuja urgência para se obter sangue é indispensável. 
OLHO -  "[...] não traz malefícios para a saúde; muito pelo contrário, garante a cada indivíduo um sentimento real de cidadania, de respeito e solidariedade ao próximo"
Dessa forma, campanhas como as realizadas em Bagé, uma vez por mês, precisam ser cada vez mais aceitas e compartilhadas pela comunidade local. Medos gerados por mitos precisam ser derrubados, afinal doar sangue não dói, não traz malefícios para a saúde; muito pelo contrário, garante a cada indivíduo um sentimento real de cidadania, de respeito e de solidariedade ao próximo. É importante frisar que vivenos numa cidade com mais de 120 mil habitantes e cujo estoque também é oferecido para pessoas dos municípios próximos, o que aumenta (e muito) a conta. 
No ano de 2013, Bagé perdeu o Banco de Sangue. É uma demanda que precisa ser tratada com urgência pelos entes dos poderes públicos do município e do estado. A cidade, que é referência na região, considerada polo, não pode pensar em desenvolvimento e bem-estar de sua população sem um serviço dessa importância há tanto tempo. Por isso, saúda-se sempre a iniciativa do Hemocentro de Pelotas e do Hospital Universitário. É uma ação paliativa, mas de vital importância para quem precisa. 
Agora, sob essa realidade, está nas mãos (e braços) de cada um de nós, aumentarmos essa oferta de sangue, principalmente com a chegada dos meses mais quentes, quando acidentes ocorrem com maior frequência e as ofertas de doação diminuem porque muitas pessoas não ficam na cidade. Assim, precisamos manter na nossa mente que o sangue, além de manter viva uma pessoa, é também princípio fundamental para preservar o amor ao próximo, artigo vital para toda e qualquer sociedade. 
 


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