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Ciências Humanas e Sociais são importantes sim, Bolsonaro!
Publicado em 29/04/2019

Marcelo Pimenta e Silva

Jornalista, pós-graduado em Comunicação Mercadológica. Editor do jornal Folha do Sul e repórter da editoria Rural. Profissional com passagem pela assessoria de comunicação da Embrapa Pecuária Sul. Atua no jornal Folha do Sul desde 2011.  
Marcelo Pimenta e Silva

Por Marcelo Pimenta e Silva

Ontem se comemorou o Dia da Educação no Brasil. Contudo, um anúncio do governo federal - via presidente da República e seu ministro da Educação, Abraham Weintraub, pelas redes sociais, na quinta-feira passada, rendeu polêmica e preocupação para todos que lutam por ela.  A declaração de Bolsonaro de que se  deve "focar em áreas que tragam retorno imediato ao contribuinte, como Engenharia, Medicina e Veterinária", em detrimento a cursos de áreas das Humanas, como Sociologia e Filosofia, só pode ser vista como mais uma desastrada (e infeliz) afirmação de quem tem pouco contato com o campo educacional. Quer se pensar nisso e precisa-se pensar que tal afirmação foi uma "trapalhada", não um posicionamento que poderá virar realidade, pois aí o que temos é uma ação ideológica e não uma medida realmente justificada a se pensar na economia ou no social.  Da assertiva do Planalto ficam alguns questionamentos: existe alguma justificativa para que o Estado venha diminuir campos do saber, como se pudesse qualificar se tal profissão é mais importante que outra? Pode um governo, que foi eleito democraticamente, definir de forma autoritária, qual área educacional deve receber investimentos? Será que o presidente enxerga com preconceito a Filosofia, considerada a mãe de todas as ciências e a Sociologia, como "inimigas"? Bolsonaro não representa mais a escolha de uma parcela da sociedade. Ele agora é o gestor de um país que tem uma ampla gama de cidadãos. Além disso, é contraditório um governo que tem como bandeira maior o livre mercado decidir interferir, principalmente, em escolhas próprias de cada cidadão, como a busca por uma carreira profissional. O próprio mercado já regula a procura por esses cursos profissionalizantes. Dessa forma, com esse anúncio, o presidente demonstra um posicionamento de que certos campos do conhecimento não precisam ser acessados ou nem mesmo somados; afinal o que impede um veterinário de também aprender matérias das áreas humanas? Educação nunca esteve baseada em separação, em distinção.  Pesquisas indicam que essas áreas "não prioritárias" por Bolsonaro já recebem menos recursos, como bolsas de estudos em universidades federais. É muito estranho e preocupante que se comece a definir os rumos do país pela arbitrariedade. Não é essa forma que se defende e legitima a importância da Educação para uma sociedade, pois esse país precisa de futuros profissionais de todas as áreas, sejam médicos, engenheiros, professores, filósofos, sociólogos...   

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