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Por uma nova gestão pública
Publicado em 06/05/2019

João Batista Monteiro Camargo

E-mail: camargojoao@hotmail.com
João Batista Monteiro Camargo

Muito se fala na meritocracia, ocupar espaços pelo mérito, pouco se fala sobre a tecnocracia, ocupar pela técnica, pelo conhecimento.  Ainda estamos relutantes as ações afirmativas, as quotas raciais e congêneres, a maioria entende ser mais discriminatória, ou diz que assim entende com seu preconceito velado. Existem vários paradigmas a serem quebrados na Administração Pública, dentre eles a ideia de superioridade dos gestores. Os gestores, não esqueçamos, são representantes escolhidos por nós, ou escolhidos por àqueles que são escolhidos por nós. Estão para prestar o serviço e atender nossas necessidades, nossas, coletivas vontades e desejos. Quebrando esse primeiro paradigma podemos passar para o próximo, pessoas certas nos lugares certos. Ainda que pensemos que a política dos favores e o voto a cabresto fossem práticas apenas do coronelismo, que estão presentes somente nos livros de história essas práticas ainda são atuais. Reparem que muitas vezes as pessoas que ocupam determinados espaços não têm as mínimas condições de lá estarem, mas estão, porque em algum momento no tempo espaço trocara favores, carregaram uma bandeirinha ou ajudaram em uma campanha política. Não, não é caso isolado, sem falarmos na esfera macro que existem valores de grande monta envolvidos. Afinal se determinada pessoa estiver em determinado lugar poderá haver determinado favorecimento. Poderíamos falar aqui da Sra. Damares uma das, senão a segunda pessoa mais "fora de lugar" da gestão atual do Brasil. A primeira pessoa eu não citarei, deixarei a cargo de cada um. E se levarmos do macro ao micro podemos pensar em outras esferas da Administração, temos tantos outros exemplos, que de tão contumazes até nem são considerados somente exemplos.  A tecnocracia é considerada um sistema político, de organização política melhor dizendo, onde há a supremacia de técnicos. O que isso importa? Pensemos, se nosso carro, ou se qualquer equipamento que pensarmos tiver substituída uma peça por outra que não seja a adequada terá o funcionamento ideal?  Provavelmente não. Salvo as gambiarras que geralmente os homens (e sim fui sexista propositalmente!) fazem para que siga funcionando, provavelmente nem funcione.  Na Administração não ocorre diferente, para que a máquina pública funcione perfeitamente precisa que suas engrenagens sejam as certas e estejam nos lugares certos.  A tecnocracia pode parecer exclusiva, mas pelo contrário é uma forma de levar a risca os princípios constitucionais, objetivamente escolhemos os agentes, afinal não é pra isso que fizemos os concursos públicos. Ocorre que a atual Gestão ainda leva em conta aspectos muito mais subjetivos que objetivos, seja ela em qual nível quisermos problematizar.  O orçamento participativo foi sem dúvida um marco na discussão de representatividade, democracia, vez e voz. Recursos públicos são nossos, nada mais justo que nós escolhamos onde vamos investir, não acham?   Já falamos sobre isso aqui, mas sempre vale ressaltar, uma sociedade vai ser considerada mais ou menos democrática conforme os espaços que oferece para que possamos escolher.   A gestão pública é importante demais pra ser tratada da forma de outrora, assume partido x, troca todo mundo de lugar. Uma professora do doutorado, membro atuante de comissões do Ministério da Educação, CAPES, CNPQ entre outras, comentou uma vez que a pessoa que mais sabia de determinada área (não me recordo qual no momento) em uma troca de gestão, foi colocada numa salinha para receber e despachar documentos. Peça certa no lugar errado. No dia eu achei absurdo, depois reparando vi essa prática repetir-se constantes vezes ao meu entorno. Na minha cidade natal, aparentemente não levam muito a sério a tecnocracia, nem em consideração os conceitos que ela apresenta, vez que outra dá dança das cadeiras e troca todo mundo de lugar. Não interessa que estejam com projetos em execução, só trocam. Peças erradas nos lugares errados...opa, peças erradas nos lugares errados que trocadas permanecem em lugares errados?   Os lugares não são errados, erradas são as peças. Conheci lá uma das melhores advogadas que conheço, advogada pública, substituída do lugar que ocupava por questão partidária, por uma pessoa que é muito boa pessoa, mas não tem nem um décimo de conhecimento e noção da advocacia pública. Esse exemplo se repetiu por esses dias, pessoas certas, lugares errados, pessoas erradas em lugares certos e pessoas erradas com lugar e pessoas certas sem lugar.  O título do escrito de hoje é proposital, fazendo menção à obra da autora Ana Paula Paes de Paula – Por uma nova gestão pública. Em seu livro ela discute as bases da nova administração pública e examina o caso brasileiro, no qual a recente reforma do Estado se organizou em torno de duas orientações políticas: a gerencial e a societal. Ao descrever as contradições entre essas duas vertentes, a autora mostra que é sempre possível elaborar idéias e ferramentas adequadas ao interesse público e que viabilizem o exercício dos direitos políticos através da participação popular.  Estamos cansados de boas pessoas, não adianta votarmos no vizinho "gente boa", no fulano que cumprimenta quando passa, na funcionária da empresa x que atende bem. Queremos bons gestores, talvez o vizinho gente boa seja  gente boa no universo vizinhança; a pessoa que cumprimenta educadamente, só é educada (o que se espera de todos!) e a funcionária da empresa x atende bem limitada ao que faz. Queremos bons gestores, que entendam de gestão, entendam de representação e principalmente que entendam as pessoas e como funciona a máquina pública.  Ao final desse texto pretende-se que nomes aventem na cabeça de quem o ler, se alguém foi lembrado, se identificou alguém como encaixe perfeito para determinado trecho, atenção, sinal de alerta, essa pessoa não merece seu voto, e quem deu lugar para essa pessoa, também não. Não queremos discutir política, mas querendo ou não sempre seremos e deveremos ser politizados o problema não é e nunca foi a política, é quem está a frente dela. Por uma nova gestão pública, pela tecnocracia, e por gestores verdadeiros, menos fotos, mais ações, menos discursos mais ouvidos, menos amigos mais técnicos.  

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