Reflexões pacíficas e assustadoras em dia de pandemia
Publicado em 28/04/2020

Gladimir Aguzzi

Gladimir Aguzzi

Foto: Reprodução/FS

As pessoas continuam não entendendo o que é colapso na saúde. Para quem pensou que a Covid-19 era só uma gripezinha, como a H1N1, que também não é assim uma gripezinha, as imagens de cova rasa assustam e o desespero do prefeito de Manaus aterroriza. Li que Leonardo da Vinci era bonito demais, encantava por sua beleza física e por sua magnífica inteligência, há um profundo significado nisso. Também li que Napoleão do alto de seu 1m58cm, já aos 16 anos enviava tudo o que recebia para a sua mãe viúva e me comovi. Observo a higiene de quem sai e volta para casa, é muito interessante, isso poderá nos fazer viver mais se aprendermos. Quando um pseudocomunista estufa o peito orgulhoso para dizer que o Estado irá socorrer as empresas, ele esquece que essa é uma das funções do Estado no capitalismo, não permitir a falência de empresas privadas. O entregador de gás veio aqui em casa e não acreditou que pedi para que deixasse o botijão no lado de fora. A Netflix deve ser a empresa que mais lucrou com o isolamento, e os bancos.  Li que Lula fará um pronunciamento contundente no dia 1º de maio. Mas o que pode ser contundente vindo de Lula, uma confissão? Um mea culpa? Ouço mais gente reclamando da internet que cai, que reclamando da falta de uso de máscara nas ruas. Abuso é perceber o quanto subiu o preço das mercadorias nos supermercados. Abuso, não, covardia. Estão demais os projetos políticos de legislativos se aproveitando da pandemia para fazer caridade com o chapéu alheio, demais ainda é o Rodrigo Maia sentado em cima da pauta do Congresso e liberando o que lhe convém. Não era hora para o presidente Bolsonaro brigar com dois ministros de peso e, pior ainda, demiti-los. Mas já que demitiu, talvez fosse a hora porque deu a entender que a PF anda caminhando por estradas de famiglia. Reflito muito sobre essa dificuldade que a maioria dos políticos tem para separar o público do privado. Esse deveria ser o grande teste para saber se está apto ou não à vida pública. Parou tudo logo agora que resolvi voltar ao estádio Estrela D’Alva torcer para o Guarany. Se não houvesse a pandemia o Daeb já estaria em processo de licitação para a nova barragem da Arvorezinha. Escrevi “nova barragem” e estranhei, porque para ser nova teria de ter sido concluída a que começaram e a Justiça embargou. O ditador da Coreia do Norte está vivo? Aliás, se Bolsonaro infringiu a lei ao participar de um ato com pedido da volta do regime militar o PCdoB também não infringe a lei por apologia à ditadura comunista? Doa a quem doer é uma bobagem, hipocrisia. Vai ter eleição em outubro. Ninguém estava preparado para a necessidade de tanta higiene. Não aguento mais “live”. Pandemia demonstrou a criatividade de muitos e a bestialidade de outros tantos. Soube que vacina deriva da vaca, o inventor da vacina contra a varíola percebeu que muitas pessoas que ordenhavam vacas não contraíam a doença porque já haviam adquirido a varíola bovina. E corrupto é latim, vem da junção de cor – coração – e rupta, quebra, ruptura. Quantos filmes serão feitos com a temática coronavírus ou simplesmente isolamento? A distopia já vem sendo um tema recorrente, agora será elevada a outro nível. A arte é o patinho feio das ciências humanas e as ciências humanas o patinho feio das ciências, quem disse isso foi um crítico de arte, Agnaldo Farias.  Será que Bagé aprendeu o e-comerce nesses dias? Em 1918, durante a pandemia da gripe espanhola, foi estabelecido o uso de desinfetante na frente das casas. Quando tudo voltar à normalidade vamos tratar do teatro municipal em Bagé. Viver 28 anos nos labirintos do baixo clero deve ser equivalente à caverna de Platão. Talvez o Brasil tome o rumo certo quando abandonar o lulopetismo, o bolsonarismo e de quebra a empáfia falso-honesta do PSDB. Espero que esta coluna não tenha ficado chata nessa tentativa desesperada de sair um pouco do lugar comum, efeitos do isolamento, do vírus, da sensação de distanciamento geral e de medo do pior. Até sexta.      
 


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