Reflexões nem tão bem-humoradas para uma coluna que perde o estilo
Publicado em 01/05/2020

Gladimir Aguzzi

Gladimir Aguzzi

Foto: Reprodução/FS

Não sabemos se haverá eleições e campeonato brasileiro este ano. Novela, sim. Porém, tudo é hipótese, perspectiva e reza forte. Eu acredito que haverá eleição, talvez (olha a hipótese aí) em novembro. Para nós, aqui em Bagé, na Hulha, Candiota, Aceguá, Dom Pedrito, que temos só um turno, não há problema. Elege-se prefeito e vereadores em novembro, faz-se a transição a toque de caixa, dá posse em 1º de janeiro e segue a carroça com seus trancos e barrancos esperando que as abóboras se acomodem e haja dinheiro para alguma coisa no mundo que surgirá no pós-pandemia.
O mundo extraterrestre
O mundo não é mais o mesmo, mas como diz uma amiga que completou 49 anos, ontem, “eu também não sou”, portanto, seguindo a premissa do presidente da República “e daí?”. A Grécia e a Índia surpreendem o planeta com o baixo número de óbitos pelo coronavírus. Nem eles sabem como conseguiram isso, até agora. Os Estados Unidos admitiram que têm imagem de algo que pode ser um UFO e é gravação recente. Quem sabe a China não transfere aquela culpa pelo vírus aos extraterrestres já que a Nasa nunca admitiria uma hipótese de vida além de suas fronteiras e agora aceita que o universo é maior que tio Trump poderia imaginar. Mistério, mas mistério mesmo é o silêncio súbito do falante Osmar Terra, depois de tantas besteiras plantadas mundo afora. E mais misteriosa ainda é aquela história sobre o mundo que dá voltas ao ponto de colocar Bolsonaro e Lula, com Sérgio Moro, como inimigo comum. 
O olho do Mena
O prefeito Divaldo Lara sumiu da mídia estadual quando reverteu a tendência de Bagé ser a cidade com mais contágio do interior do Estado. Não deveria ser o contrário? Havia um estigma “Bagé é mais contaminante que contaminada”, isso mudou. E mudou porque houve ação 24 horas por dia. Lava, limpa, passa, repassa, desinfeta, enxuga, cobre, descobre, lava, corre, vai, volta, refaz, examina, desinfeta, ajuda, busca, traz, limpa, seca, afasta... A vacinação contra a gripe, aquela vacina chamada dos velhos, em tempo recorde bateu o recorde do número de vacinados, ultrapassando a meta. Mário Mena Kalil está com o olho que “é um pila”, como se dizia antigamente, atento aos andamentos de procedimentos para barrar o trânsito do vírus na cidade. Aliás, somos a única cidade com plano de vacina para a pneumonia e nada mais apropriado, já que o alvo do coronavírus é o pulmão. O cinturão de isolamento implantado pela prefeitura prevê 3,2 mil testes rápidos. É uma média alta, representando 28 mil testes para um milhão de habitantes.  Para se ter uma ideia, os Estados Unidos testam 7,1 mil por um milhão. “Quatro estiagens, duas enchentes, um afastamento e uma pandemia, não tive rotina nos meus quatro anos de gestão”, contou com humor o prefeito.
Bolsonaro das cavernas
Bolsonaro disse que o ministro do STF Alexandre Moraes, o que é bem novo e careca, para ajudar a identificar, “é amigo do Michel Temer”, insinuando que é por isso que está no cargo. O presidente não precisava dizer tal bobagem como provocação, querendo ofender. E não precisava por vários motivos: I. Bolsonaro também vai indicar um amigo, seu ou dos filhos, para o STF. II. Ao evitar a nomeação do novo diretor da PF, o ministro ajuda o presidente, no mínimo, impede um crime futuro. III. E daí? IV. A descendência de Bolsonaro, lá das cavernas, não é de um grupo de caçadores, porque caçadores eram silenciosos o tempo todo para poder caçar. Bolsonaro devia ser do grupo que ficava cuidando das lides domésticas (embora nada naquela época fosse doméstico), porque o pessoal das lides falava muito, muito e muito. É dessa turma das “lides” que surgiu o estigma da “língua das lavadeiras”. V. O presidente tem razão, ele pode nomear o diretor da Polícia Federal. Está na Constituição e em Lei Especial, número 13.047 de 2014.
Por fim, para manter o “desestilo” desse Papo de Elevador, afirmo que a Câmara de Bagé nunca aprovou a Lei da Pena de Morte como anunciam alguns incautos. Haveremos de contar essa história dia desses...  


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