PAPO DE LEVADOR - 19 DE MAIO
Publicado em 19/05/2020

Gladimir Aguzzi

Gladimir Aguzzi

Foto: Reprodução/FS

Vereador Lélio Lopes

Ventos e eventos
A secretária de Cultura, Roséli Safons, que atuou no primeiro mandato do prefeito Dudu Colombo, gostava de separar os eventos de arte e cultura das ações de formação, de inserção ou de aprofundamento cultural. Gosto disso, tem lógica, é interessante esse pensamento. E Roséli arrematava: - Eventos vão como os ventos.
Óbvio, há de se separar o joio do trigo. Porém, seria bom aproveitar o momento atual para refletir se alguns eventos realizados em Bagé cumprem suas propostas. 

Maestro Joab Muniz
Sou admirador do trabalho realizado pelo maestro Joab Muniz. A Orquestra Jovem do Pampa, a Orquestra Filarmônica e o Coral da Igreja Batista Conservadora são exemplos de trabalhos bem realizados e inspiradores. A novidade é o canal no YouTube com aulas de canto, preparação de voz e informações interessantes do mundo do canto. Dá uma olhada lá, procura por Maestro Joab Muniz – Mentoria Vocal. 

Nossa Senhora do lar
A diretora da Casa de Cultura Pedro Wayne, Heloísa Beckman, conseguiu descobrir um jeito para que a arte e a cultura na manifestação de fé à copadroeira de Bagé, Nossa Senhora Auxiliadora, não ficassem apenas pelas janelas e suas velas em tempos de não aglomeração, quando não haverá procissão. Vídeos com depoimentos e mostras de objetos, como castiçais, fazem parte da iniciativa que contam um pouco da história de devoção de famílias bageenses. Está no Facebook da Casa de Cultura Pedro Wayne. 

Dança em novembro
Este ano o Dança Bagé acontece em novembro, de 6 a 8. Óbvio. Devido à pandemia. Há 17 anos ocorre em junho. A idealizadora do evento, Anacarla Oliveira, secretária municipal de Cultura e Turismo, viu-se ante os questionamentos de grupos e academias de dança de fora de Bagé querendo se inscrever para o festival, mas com dúvidas se aconteceria ou não. Então, o melhor foi definir uma data já. 

A “ideia” do Lelinho
Li algo sobre um projeto ou sugestão do vereador Lelinho Lopes, do PT, para combater as dificuldades de realizadores audiovisuais em tempos de isolamento (aliás, o PT gosta tanto da quarentena que me põe desconfiado). A “ideia” do Lelinho não parece ser consistente, quer que 30 filmes sejam apresentados na TV Câmara e cria um auxílio emergencial para esses realizadores. Bobagem. A ideia é capenga.

Quem, como e o quê
Algumas perguntas precisam ser respondidas “na ideia do Lelinho”:
1.    Quantos realizadores audiovisuais têm em Bagé vivendo da produção audiovisual, exclusivamente? 
2.    Que tipo de produção é essa que o vereador quer passar na TV Câmara, quem determinará os critérios? 
3.    Por que só o pessoal do audiovisual? 
Essas são as perguntas que o vereador Lelinho tem de responder, sem malabarismos. Ele poderia se dar ao trabalho e ler o Projeto de Lei 253 da Assembleia de São Paulo, de auxílio emergencial para trabalhadores do setor cultural. São leituras que dão embasamento na construção de projetos e anteprojetos. 

Conselhos, fundos e legalidades 
Vou tentar ajudar o vereador Lelinho nesse Papo de Elevador. Em Bagé, funciona o Conselho Municipal de Políticas Culturais. No conselho tem gente de todas as vontades, ideias e ideologias. Também de todas as áreas de manifestações artístico-culturais: artes visuais, artes cênicas, literatura, música, folclore, tradição, ciência, tecnologia, educação e cultura popular.  O conselho pode acessar o Fundo Municipal de Cultura. O fundo tem dinheiro, pelo menos alguma coisinha deve ter lá. Se não tem dá para colocar. Existem mecanismos para isso.
Com a base da ideia de ajudar a classe artística na cabeça o vereador poderia consultar o conselho e saber mais da regularização do fundo por parte do Legislativo e do Executivo. 

Ampliar e melhorar
Pois bem. Ao invés do vereador tentar essas coisas que não dão trabalho, tipo pega uns vídeos que tu fizesses e traz para cá que a gente vai tentar te dar um dinheiro, através da TV Câmara, poderia se aprofundar na matéria e contemplar a classe artística que vive de arte, como os músicos. Os músicos que a gente ouve nos bares e restaurantes, nas festas noturnas, casamentos e aniversários, não são muitos, são poucos, mas vivem da música. 
Destaquei os músicos, mas tem gente da pintura, do artesanato e do próprio audiovisual. 

A boa intenção
Outra sugestão. Lelinho pode tentar conhecer o Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura. A turma lá está batalhando para criar uma Lei Nacional de Emergência Cultural. A exemplo da lei que já existe em São Paulo. 
Esse negócio de tentar beneficiar uns em detrimento de outros não é legal. Todos entendem a boa intenção. O problema é que falta entrega e dedicação a projetos desse tipo.

Depende de nós
Por incrível que pareça há uma enorme parcela da população bageense que está convicta que o novo coronavírus não chegará até ela. Mesmo com os noticiários mostrando as centenas de mortes diárias e os milhares de contágios Brasil afora. Para quem gosta de se queixar de governos e governantes é bom saber que só depende de cada um, de sua consciência e responsabilidade para Bagé não voltar ao noticiário por alta incidência da covid-19.
Quando não há essa consciência são necessárias medidas duras como as que o prefeito teve que tomar no dia de ontem.    

Fé para conscientizar  
É para conscientizar e agradecer por Bagé estar vencendo sem óbitos ao coronovírus que hoje se realiza na prefeitura o ato inter-religioso união de amor e fé com representação de católicos, evangélicos, anglicanos, luteranos, umbadistas, muçulmanos e espíritas. A transmissão será on-line, via Facebook do prefeito Divaldo Lara, às 19h. Outros perfis devem compartilhar o ato.  Não será permitida plateia.


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