PAPO DE ELEVADOR - 5 DE MAIO
Publicado em 05/05/2020

Gladimir Aguzzi

Gladimir Aguzzi

Foto: Reprodução/FS

Yuri Madeira

Big Brother Bagé
Gostei da brincadeira do Iury Madeira com o Big Brother no Facebook. Ele fez uma sátira. O Big Brother Bagé. Fugiu do chato politicamente correto, que tantos me dizem ser necessário para a busca de um mundo melhor. Considero o Iury um maluco criativo. E ele merece aplauso porque andam caminhos alternativos na vida profissional, impõe-se sair do convencional. O que é difícil. O mundo cai à sua volta com um bando de gente perguntando: - De que esse cara vive?

 

Humor da casa
O BBB do Iuri é saudável, dá para rir e nos identifica como bageenses. “Mais difícil que ver tua ex com alguém num carro descendo a Tupy”, piada maravilhosa e contextualizada, que ouvi no Big Brother Bagé, é um exemplo dessa forma própria de humor. 
Óbvio que haverá quem considere tudo muito “chulo” e sem filtro. Isso faz parte da evolução. Evolução de nossa cultura, jeito de fazer as coisas, modo de nos compreender como sociedade. Parabéns à produção do BBB daqui. 

Nossos músicos
Embora tenha escrito aqui, outro dia, que não aguento mais “live”, tenho que ressaltar uma exceção, as lives dos meus amigos da música, Chrystian Ribeiro, Luciano Pavão, Daniel Romero, Cibeli Martinez, entre outros. É um mundo à parte para quem admira tanto essa gente espetacular e sua arte de bem-querer, seu talento.  Aliás, como temos gente boa na música em Bagé. Há alguma coisa de extraterrestre nisso aí. 

 

Protótipo do mundo
Gosto de pensar nossa cidade como um protótipo do mundo, um microcosmo para a experiência humana.  Na infância e na adolescência, a cidade planta o orgulho, a sensibilidade (male intellectas) e o olhar crítico. Então, adultos, tornamo-nos o que sonhamos, escritores, médicos, músicos, juristas, empresários, pintores. Todos muito bons. Qualificados. Seguir ou não seguir o rumo é outra consideração. 
Há alguma coisa de extraterrestre nisso aí, sem ufanismos.

A cólera antes da gripe
Dia desses, conversando, por telefone, com o diretor do Arquivo Público, Cláudio Lemieszek, sobre a gripe espanhola, em Bagé, que ocorreu há mais de 100 anos e há registros em jornais da época, como Correio do Sul e O Dever, ele trouxe à pauta informações sobre outro problema de contágio ocorrido em nossa cidade, que raros conhecem.  A cólera no Século XIX.

Joca Tavares e a barreira sanitária
Com toda a certeza, Lemieszek escreverá sobre isso com mais detalhes. Aqui conto um resumo oportuno nesses tempos de pandemia.
Quando Joca Tavares era comandante da Fronteira Sul lá pelo último quarto do século retrasado, por volta de 1886, aconteceu um surto de cólera no Paraguai, que entrou pela Argentina rumou pelo Uruguai e vinha, sôfrego, até nós. Foi então que o comandante mandou levantar uma barreira sanitária por toda a fronteira, do São Luís ao Aceguá.  “Em Bagé é que não entravam.” 

 

Enfermaria de campanha
O responsável por cuidar esse isolamento da fronteira era o sobrinho do general Joca, o tenente Manoel Luís Osório. E não tinha moleza. Alguns estancieiros de prestígio e políticos forçaram passagem, mas foram impedidos por Osório. Contava-se que alguns cruzavam à noite pelos matos do São Luís e da Carpintaria.
Durante esse surto, médicos foram destacados para a fronteira e uma enfermaria de campanha foi montada no São Luís. 

Hospital 209 anos depois
Um fato interessante é que Bagé surgiu com um hospital de campanha. Quando Dom Diogo de Souza chegou nessas plagas com seu exército foi necessário a instalação desse tipo de hospital para cuidar dos enfermos, ainda mais que estávamos no inverno rigoroso com muita chuva. Agora, 209 anos depois, vimos a necessidade de, ainda outra vez, organizar um hospital de campanha em Bagé. 

Um país que precisa de heróis
Para finalizar esta coluna, uma constatação nacional. 
Foi o lulopetismo que entregou a presidência da República a Jair Bolsonaro. Assim como agora corremos o risco de ver o bolsonarismo entregá-la de volta. Porque não há como vislumbrar outro cenário para o Brasil de 2022. O mundo pós-pandemia poderá nos surpreender, quem sabe, vamos sonhar, com a aparição de um grande líder que conduza o país para um caminho antagônico a essas duas extremidades. 
Afinal, somos um país que precisa de heróis.

A tal governabilidade
O problema é que a política nacional sofre de uma doença crônica que não começou com a tal governabilidade de Lula, mas agravou-se por isso, levando-a ao CTI. O toma lá da cá e a necessidade de protagonismo do legislativo não permitirão que tenhamos presidentes estáveis no governo, exceto se fizer o que Bolsonaro resolveu fazer, aderir a esse protótipo condenado pela sociedade brasileira.

Bolsopetismo
O problema é que essa adesão só adia a vida do paciente. Não há como manter um bando de corruptos gritando por cargos o tempo todo e querendo sempre mais à medida que recebem. Não há como manter um governo saudável com esse modelo de governança. E é esse o remédio que Bolsonaro resolveu administrar para sobreviver em sua sobrevida política à frente do Brasil. Repete o lulopetismo. Infelizmente.    


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