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Papo de Elevador - 4 de dezembro de 2019
Publicado em 04/12/2019

Gladimir Aguzzi

Gladimir Aguzzi

Foto: Divulgação/FS

Desenvolvimento

Há algum tempo, não muito, ouvi que Bagé não devia se desenvolver tanto que seus moradores tivessem medo da violência das ruas e nem tão pouco que obrigasse seus jovens irem embora para conseguir emprego em outro lugar.

Parecia interessante tal pensamento.

Infraestrutura

Também já ouvi de um prefeito que era impossível desenvolver Bagé sem construir uma infraestrutura forte. Essa infraestrutura significava barragem, pavimentação em 50% das ruas, 80% do esgoto coletado e tratado, telefonia (celular e internet) eficientes, rede de saúde e educação boas, estradas do interior em condições e um projeto de desenvolvimento econômico exemplar, já aprovado na Câmara.

Participação universitária

Hoje é preciso que se faça uma nova análise para definir que desenvolvimento econômico é o ideal para Bagé. Sem desumanizar e sem fazer com que tantas ideias surjam sem resultados.

Urcamp, Unipampa e Ideau têm participações importantes nesse processo. Apenas é preciso entender como isso é compreendido pelas próprias universidades.

Uma construção

Acredito que o futuro de nossa cidade tem de ser pensado, planejado e construído. A importância fundamental do setor pastoril é outro aspecto que tem de ser encarado como o balizador do progresso. Em 2009, o prefeito Dudu Colombo iniciou sua primeira gestão como quem estava com vontade de debater o desenvolvimento. Porém, não deu continuidade com o mesmo ímpeto inicial e nem soube explicar o protagonismo da área rural.

Nossos porquês

Sem um planejamento de futuro estaremos fadados a empurrar tudo com a barriga, mais uma vez. É preciso pensar a cidade. Saber por qual motivo escolhemos zona leste ou zona oeste para pavimentar, porque a avenida Santa Tecla tem que ser cuidada pela prefeitura, como aumentar o número de escolas e postos de saúde se não há dinheiro para mais servidores.

Mudanças

Não estou afirmando que o governo municipal não pense a cidade. Deve isto, sim, discuti-la. Deixar claro o novo modelo de gestão se mudou ou não com o afastamento do prefeito Divaldo Lara. Afinal, mudanças ocorreram e ocorre toda a semana. Porém, nesse imbróglio posso afirmar que a Câmara de Vereadores não está afinada com qualquer tipo de projeto de desenvolvimento. E a iniciativa privada como vê tudo isso? E o terceiro setor? 

Bagé preparada

No início dos anos 1980, lá por 84 e 85, o prefeito Carlos Sá Azambuja lançou uma campanha denominada “Bagé preparada para o ano 2 mil”. Era uma campanha afirmativa, em torno das obras de infraestrutura realizada na cidade, como o anel rodoviário, a construção de cinco núcleos habitacionais, o sistema de distribuição de água com caixas elevadas nos bairros, enfim. Tinha tudo a ver com a diretriz de desenvolvimento de Bagé.

Vacas gordas e magras

Aquela campanha era como um sinalizador para que não perdêssemos o caminho do desenvolvimento. Realmente, havia uma nova cidade, rodoviária nova, estação ferroviária desativada transformada em centro administrativo, novas escolas e uma estrutura avançada no setor de computação. Lógico, era um tempo de “vacas gordas”, o dinheiro chegava. Depois houve um tempo de dureza nas finanças, inclusive para o próximo Azambuja que voltou à prefeitura em 1996.

Por que e como

Mas, o que quero dizer com tudo isso é que precisamos retomar o pensamento do progresso. Precisamos de otimismo. Precisamos investir no turismo, na educação, em tecnologia, investir na cidade com uma diretriz de futuro. Somos obrigados a saber o que queremos. Sem saber, restará apenas voltar a empurrar Bagé com a barriga. E quando se empurra com a barriga pode se estar indo para o precipício sem saber. 

Papo em pausa

Estarei fora desse espaço por algum tempo. Papo de Elevador dá uma pausa. Quem sabe para recarregar as baterias e voltar em janeiro.  


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