PAPO DE ELEVADOR - 31 DE MARÇO
Publicado em 31/03/2020

Gladimir Aguzzi

Gladimir Aguzzi

Foto: Reprodução/FS

A carreata de mortos na Itália

Dúvida cruel
Mesmo em tempos de pandemia, estamos divididos: abre ou fecha; trabalha ou fica em casa; economia ou saúde; passivo ou criativo; verdade ou mentira. Sem contar que em seguida os médicos terão sua dúvida cruel, se continuarmos irresponsáveis: 
- Quem vive? Este ou aquele?

 

O comerciante indignado
Muitas brincadeiras se tornam populares no Facebook e WhatsApp, como o caminhão cata velhos e as mil opções para o que fazer quando não se tem nada para fazer. Algumas bastante criativas. Em Bagé, o que viralizou não foi uma piada, mas uma manisfestação contra a carreata de protesto o “Brasil não pode parar”. As palavras indignadas do intitulado “comerciante”, proprietário da Simon Pneus, foram ouvidas por dezena de milhares de bageenses, difícil alguém ligado a Bagé que não tenha ouvido. Explodiu. O cara desabafou sem meias palavras. 

A verdade
Um ou outro ou vários milhares podem não concordar com a indignação do comerciante, mas, quando há verdade, quando o sentimento real se manifesta e de forma contundente, aí se torna verdade, mesmo que seja a verdade de uma só pessoa. E a dele era a verdade de muitos.

A carreata
Aliás, por falar em carreata pela volta da normalidade, para que comércio e serviços reabram, que ocorreu no último sábado pelas ruas de Bagé, não haveria nenhuma polêmica e nenhum problema com seu acontecimento. Nada. Mesmo com um alerta mundial sobre o perigo do novo coronavírus. Era a manifestação de quem está descontente com a paralização da economia. Até que...

O polêmico
Até que o empresário Fernando Dalé resolveu polemizar. Tornou o ato algo como um protesto contra o prefeito e as entidades que preferiram não participar da carreata. Recebi uma gravação de áudio em que ele diz coisas terríveis, inclusive acusa o prefeito de “psicopata” ou, como ele próprio diz “mais que psicopata”. Lamentável.

 

Quase 30 anos
Indaguei algumas pessoas, de forma aleatória, sobre a forma como o Sindilojas estava agindo tomando à frente do protesto através do empresário Fernando Dalé, que manda no Sindilojas, há anos. Muitos anos. Quase 30 anos. Ouvi que “não há novidade, nenhuma, o Fernando é assim mesmo”. Lamentável.

Alternância na democracia
Por falar em mandar há 30 anos, está na hora de mudar. Duvido que o Sindilojas junte 10 empresários em uma reunião ordinária. Duvido. É um sindicato que parece não representar a classe dos lojistas. Quando uma entidade se forma em única voz perde o eco. É o problema típico da falta de alternância no comando. Sem alternância desgasta, perde a força, o crédito. 

Contraponto
Por fim, sei que o empresário em questão pensará (ou dirá) que este colunista é “submisso, pelego, puxa saco do prefeito”, entre outras coisas que passará por sua cabeça. Nenhuma novidade, ele é assim mesmo e não será a primeira vez.  Porque para alguns, como diria Millôr, “democracia é quando eu mando em ti, ditadura é quando tu mandas em mim”. 
E, no entanto, eles se movem... lamentavelmente. 

O vírus anda por aí
Por fim, com a confirmação, ontem, de mais dois casos em Bagé, somando agora 15, constando-se a contaminação comunitária. Ou seja, o vírus anda por aí, nas ruas, em qualquer lugar, qualquer mão. Mais e mais temos de acreditar no isolamento, não circular. Não podemos escolher a morte à vida. O ser individual, egoísta, não acredita em solidariedade humana. Só a solidariedade salva. Estamos em guerra e o inimigo é invisível.  

Partidos e prazos
Encerra no dia 4 de abril o prazo para quem pretende se candidatar a vereador, prefeito ou vice-prefeito este ano ajeitar sua filiação partidária. Tenho dito e repetido nesta coluna que para muitos partidos não será fácil completar a nominata. Acabaram as coligações de partidos na disputa para vereador. 

Candidatos e candidatas
Sem coligação na proporcional, os partidos terão de apresentar 150% de candidatos em relação ao número de vagas. Bagé tem 17 cadeiras, portanto o partido deve apresentar 26 candidatos, desses 30% de mulheres. Se não cumprir o número de mulheres diminui o número de candidatos. Sem esquecer que o quociente eleitoral para nós é de 4,2 mil votos para eleger um vereador. 

Entra e saí
Em tempos de pandemia não deve estar fácil incentivar a galera com potencial a concorrer. Assim como não está fácil montar nominatas. Esse entra num partido e sai de outro, porque há probalidade de eleição neste e não naquele, continuará até o último momento do último dia de prazo. Prejuízo do tão combalido ideal. 


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