PAPO DE ELEVADOR 27 DE MARÇO
Publicado em 27/03/2020

Gladimir Aguzzi

Gladimir Aguzzi

Foto: Reprodução/FS

Um prefeito na linha de frente
Tenho acompanhado o trabalho do prefeito Divaldo Lara neste momento difícil. Mais difícil ainda depois da declaração inapropriada do presidente da República. O equilíbrio, mas principalmente o entusiasmo e a prontidão do prefeito para estar na linha de frente no combate ao coronavírus, indo às ruas, visitando instituições, fiscalizando ações, pedindo compreensão e reunindo com entidades merece aplausos. 

O gerente
Como dizem por aí “não tem ruim” ou como nossos idosos falam “parece que nasceu pra isso”. Divaldo continua construindo frentes de combate ao coronavírus, quanto mais melhor. Aceita sugestões e, melhor ainda, vendo que tem fundamento coloca em prática, ele mesmo. Conheço o prefeito. E nestas horas, com missões específicas, ele se torna uma espécie de gerente, mestre de obra, diretor-executivo. No final do dia, tem que saber que cumpriu as metas. Daí fica irritado se não atingir os objetivos. Então, o outro dia será mais duro para quem trabalha com ele. 

A estratégia e sequência
Quarentena, desinfecção de locais públicos, montagem de hospital de campanha, aquisição de respiradores, drive-thru e vacinação em casa de idosos, toque de recolher, forte campanha de conscientização sobre os males do vírus, tudo isso está sendo feito em Bagé. Novas ações são implementadas todos os dias. A ideia é quebrar a sequência de infecção que, até ontem pela manhã, eram sete pessoas e a segunda cidade do Estado com mais afetados pelo Covid-19. 

Nova etapa
Em seguida, deve haver nova diretriz de procedimentos em Bagé. Como diriam os budistas, é preciso buscar o caminho do meio. Por isso, acredito que analisados os movimentos do vírus em nossa cidade e região, verificada a evolução do quadro, então, será possível caminhar novos caminhos, talvez com abertura do comércio em meio turno; liberação de alguns postos de trabalho com regras rígidas nos padrões definidos pela Organização Mundial de Saúde de higienização, proteção, distanciamento. 
Sei lá, de repente, neste dia 26, depois de ter escrito essa coluna, haja alguma novidade nesse sentido. 

O equilíbrio
Não quero cair nesse esquerdismo fútil de dizer que quem prefere a economia à saúde é mau. Isso é de uma estupidez atroz. Neste caso específico, convenhamos, ambos se encontram próximos. Imagino, sim, o desespero de uma família sem comida e sem ter a quem recorrer. Imagino, sim, quem depende de seu trabalho para viver, única e exclusivamente. Na maioria das vezes, as cestas básicas alcançam o corpo, mas não atingem a alma. 
Por isso, é preciso equilíbrio e deixar os extremismos de lado. Nem tanto ao céu nem tanto à terra. Saúde, sim, economia também. O prefeito terá de saber dosar. Está indo bem. 

Bagé e o perigo do vírus
Porém, analisemos juntos. O coronavírus em Bagé chegou de uma forma muito perigosa: atingiu um médico, popular e muito procurado. Mais: provedor da Santa Casa. Observem só, o perigo disso. Até que o doutor Moussa soubesse que estava infectado andou pelo hospital, atendeu pacientes. Soube do vírus quando já havia sido internado na instituição que comanda. 
Bagé tinha tudo para ser o epicentro da pandemia no Rio Grande do Sul. Era preciso agir com rapidez, tomar as medidas necessárias e ir além. O prefeito soube fazer isso e contou com a comunidade.

Semana de entrevistas
Assisti a entrevista que Divaldo Lara concedeu esta semana ao Jornal da Band/RS, apresentado pelo jornalista Sérgio Stock. Foi de uma objetividade e sensatez que fez com que algumas pessoas de outros municípios dissessem que queriam seus prefeitos assim, bem-dispostos e equilibrados. Aliás, foi uma semana lotada de Bagé em entrevistas para rádios, televisões e jornais do Estado. 

Muito Divaldo
O leitor pode estar pensando que este Papo de Elevador está muito Divaldo Lara. Talvez. Pode ser. Sem problema. A verdade é que o cara está trabalhando. Poderia ser diferente? Poderia. Até já me perguntei: e se Divaldo ainda estivesse afastado e a missão fosse do vice-prefeito? Como seria? Não sei. Talvez, eu saiba ou ainda estivesse reunido para saber o que seria feito.

Bérgamo e nós
A cidade de Bérgamos na Itália, que fica na Lombardia, epicentro da pandemia no país, tem 121 mil habitantes. Bagé tem 120 mil. Porém, lá eles têm uma área de 38,8 km². Nós, aqui, vivemos em quatro mil km². Ou seja, nós temos espaço, lá é difícil, são 3 135 habitantes por km². Temos que nos cuidar porque adoramos aglomeração, temos muito espaço, mas a maioria fica aqui, na cidade. Somos poucos no campo. 

Minha situação
Durante todo o tempo pensei que estava em isolamento, aí descobri que isolamento é para quem foi infectado. Então, estaria em quarentena? Não. Quarentena é para quem teve contato com pessoa infectada. Por fim, descobri que estou em distanciamento social. Ou seja, quieto em casa. Para não pegar nem transmitir. 


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