PAPO DE ELEVADOR 22 DE MAIO
Publicado em 22/05/2020

Gladimir Aguzzi

Gladimir Aguzzi

Foto: Reprodução/FS

Padre Aquino Rocha

Briga de foice no escuro
Tenho comentado bastante aqui no Papo de Elevador sobre as nominatas de candidatos a vereador que podem assumir 75% das cadeiras da Câmara e até mais. Esses nomes são do PP, PTB e PT. Esses partidos têm candidatos para uma “briga de foice no escuro”. Sem exageros. As possibilidades são tantas que podem ir das “juras de amor eterno ao ódio supremo”, que é o que acontece quando são muitos os candidatos em condições de vitória.
Porém, pouco ou quase nada tenho analisado sobre os outros partidos.

Campo minado
Os outros partidos a que me refiro é o DEM do vereador Graciano Pereira, o PSD do ex-secretário de Transportes Luís Diego, o PV do secretário Bayard, o PSB do vereador Chico ou o PDT. O que está acontecendo com os partidos, além do PP, PT e PTB, é ajuste, é tentativa de organização. Todos tateiam em um campo estranho que não garante se haverá ou não eleições. É muita morte diária pela covid-19 para que alguém possa fazer previsão. O resultado disso é que não há definição.

Um milagre, dois santos
Sei, por exemplo, que o PDT está em tratativas para garantir duas candidaturas à Câmara, além daquelas já anunciadas por rádios e jornais, com grande potencial de votos. São dois filiados ao partido, óbvio, mas não filiados de agora. Há quem afirme que esses candidatos, com seus votos, levarão um terceiro eleito à vereança. Por que não digo que nomes são esses? Porque me foi solicitado para não atrapalhar as tratativas. Porém, como a perspectiva de fazer legenda só com essas duas candidaturas é grande senti-me pressionado a lançar a informação. Está dito o milagre sem dizer os santos.

Dois meses ou dois anos?
O debate eleitoral no Brasil hoje gira em torno da dúvida sobre a realização do pleito de outubro. O Congresso Nacional está montando uma comissão para discutir o assunto e tentar um acordo para a data da eleição. Embora a tendência seja um adiamento de dois meses existe a possibilidade de prorrogar os mandatos dos atuais prefeitos e vereadores por dois anos, transformando 2022 como o ano de mudança em todos os níveis, de vereador a presidente.

Benefícios em ano eleitoral
Há 10 dias, o Tribunal Regional Eleitoral atendeu uma consulta do prefeito de Porto Alegre, Nélson Marchezan, sobre a possibilidade de editar lei que isenta cidadãos da cobrança de tarifas de água e esgoto e conceder benefícios assistenciais, levando em conta que estamos em ano eleitoral. O Pleno do Tribunal entende que em situação de calamidade pública, conforme o artigo 73, parágrafo 10, da lei 9.504/97, o agente público está autorizado à distribuição gratuita de bens e serviços. Mas, sem promoção pessoal. 

2022
Essa decisão da Justiça, amparada na “Lei das Eleições” pode ser um elemento importante no debate do adiamento do pleito municipal e prorrogação dos mandatos dos prefeitos e vereadores para 2022, dado o privilégio que possibilita ser estabelecido. Pois, imagine se a situação de calamidade se estender até julho, agosto? 
O discurso de que isso seria um caminho perigoso à democracia é bobagem. Isso é conversa de quem faz e acontece quando em benefício próprio. Os mesmos que, ao serem contrariados, tudo passa a ser ditadura.  

Escolas infantis -  o retorno
Sobre a abertura das escolas infantis privadas. O prefeito Divaldo Lara estava tratando disso para ajustar a melhor maneira de funcionamento, obedecendo às questões de segurança, porém, o vereador Lélio Lopes, do PT, resolveu “questionar” essa abertura no Ministério Público. Agora, o prefeito está tentando fazer esse ajuste com o MP. 

O entrave
Aliás, o parlamentar do PT escreveu em sua página do Facebook 13 perguntas para “ajudar o prefeito a rever a intenção desse retorno das escolas infantis particulares”. Na verdade, suas perguntas são afirmativas de quem não quer que abram. Está no seu direito político de fazê-las. Uma das perguntas do vereador é “as escolas terão máscaras para direção, alunos, funcionários e professores?”. É a história do “óbvio ululante”. 

História de uma tradição
Domingo é dia da copadroeira de Bagé, Nossa Senhora Maria Auxiliadora. Ações alusivas, como as velas nas janelas, fazem parte da tradição da cidade desde o final da Segunda Guerra Mundial. Embora, a festa de 24 de maio exista a partir de 1866, comemorada no município devido à vitória na Batalha do Tuiuti, a maior da Guerra do Paraguai. 

Velas da paz
Parece-me, não tenho certeza disso, que as comemorações à vitória na batalha do Tuiuti já estavam desgastadas 80 anos depois. Então, em plena Segunda Guerra, já com o compromisso do governo brasileiro de enviar soldados brasileiros ao front, o jovem padre Edgar Aquino Rocha renovou a forma de demonstrar devoção à santa e padroeira da cidade conclamando à população enfeitar as fachadas das casas com velas, lamparinas ou lanternas venezianas e dedicando a procissão luminosa ao pedido de paz mundial. 

Pela saúde
A procissão de Nossa Senhora Auxiliadora em 1943 seria uma “colossal procissão luminosa”. E foi. A tradição seguiu e está em nossos dias. O que podemos fazer este ano, sem procissão, mas com velas nas janelas, é introduzir o pedido para que o novo coronavírus desapareça de uma vez por todas e agradecer por não termos óbito em Bagé e o contágio ter sido baixo até o momento.  


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