PAPO DE ELEVADOR - 22 DE ABRIL
Publicado em 22/04/2020

Gladimir Aguzzi

Gladimir Aguzzi

Foto: Reprodução/TSE

Prefeito Divaldo Lara

Um trabalho sério
Essa história de coronavírus é mais sério do que a gente pode imaginar. Estou me referindo especificamente a Bagé. Aqui houve e continua havendo um grande trabalho para a estruturação da rede de saúde do município, vigilância sanitária, controle epidemiológico, conscientização, hospital de campanha, aquisição de equipamentos, enfim. Porque o problema é muito sério. A fase alta de contaminação ainda não chegou, o chamado “pico”. E chegará em breve. Não são palavras minhas. São de profissionais do setor.

Viva a Santa Casa!
O município foi bastante eficiente em impedir o avanço daquilo que se mostrava uma tragédia, com o início do contágio no hospital da Santa Casa. O pessoal da Santa Casa merece aplauso, merece todas as considerações, merece estátua de honra ao mérito ao lado de José Gomes Filho. Imagine a tensão com que trabalhou esse pessoal? E trabalha.

 

Mapa da gripe
Outro dia, conversando com o chefe da 7ª Coordenadoria de Saúde, Ricardo Necchi, e com o secretário municipal Mário Mena Kalil, soube de algumas coisas interessantes que surgem neste momento de crise e de união, como o trabalho de matemáticos da Unipampa. Eles estão monitorando o estado gripal em Bagé. Significa que teremos em breve uma estrutura de referência de avaliação da gripe que servirá para o RS e o Brasil. Um mapa completo de como, quem, onde, por que. Entenderemos da nossa gripe como tem de ser. 

Mais gripados
Tu sabias que em comparação ao período de 15 de fevereiro a 15 de março do ano passado para esse ano a incidência de gripe aumentou em 41% em Bagé? Temos mais “gripados” em 2020. 
Isso é apenas um décimo do que pode vir por aí. Chegaremos, com a nossa gripe, ao nível de conhecimento de Ângela Merkel em relação ao coronavírus na Alemanha. O secretário Mário Mena está otimista e entusiasmado com a perspectiva.     
 
O “pico” vem aí
Às vezes, parece difícil saber se as pessoas compreenderam ou não a preocupação com o “pico” da pandemia. Na semana passada, quando houve a flexibilização do isolamento para abrir comércio e serviços, a sensação era de que ninguém entendeu nada. Bagé barrou o avanço do contágio, mas não pode barrar o que vem por aí. Tem é que evitar centenas precisando de tratamento hospitalar ao mesmo tempo. Eis o colapso que ninguém quer e já está se mostrando em algumas cidades do Brasil.

O que é o colapso
O ex-ministro Henrique Mandetta explicou de forma muito clara o que é o tal colapso da saúde. Disse ele: “O colapso é quando você tem o dinheiro, o plano de saúde, a ordem judicial, mas não tem onde entrar para se tratar”.
Eis o medo. Imagina uma multidão doente ao mesmo tempo, uma multidão precisando de tratamento médico ao mesmo tempo?

O avanço contido
Bagé teve até a última segunda-feira 25 moradores no centro e quatro da periferia infectados com o coronavírus. Na prática, esse monitoramento e acompanhamento de cada detalhe com relação às infecções ensina como agir e de que forma, e tem evitado o avanço da doença.
Outro dia o prefeito Divaldo Lara me disse que a ação das equipes de trabalho, a agilidade e a rapidez com que fazem o que é preciso e necessário para o preparo da rede de saúde é impressionante. 

Tsunami
O próprio prefeito, ao liderar essa força-tarefa para barrar o que se anunciava, foi rápido, eficiente e soube trabalhar sob pressão. Sempre digo isso, “imagina te veres diante de uma massa de informação do caos, como algo que parece não ter solução, é um tsunami, não corre, não para, não boia. Um horror. Aqui foi contágio de médico, que entrou em contato com dezenas, de repente outro e mais outro. Onde estão as pessoas de contato? Ou a ação é rápida, eficiente e embasada ou teríamos outra Bagé agora, neste momento.   

Gripe espanhola   
Há quem faça uma previsão de cinco mil infectados em Bagé pelo coronavírus. Como narramos aqui o “pico” está por vir e esse número não quer dizer infectados ao mesmo tempo. Ainda bem. Em 1918, durante a gripe espanhola, a cidade tinha 46 mil habitantes, morreram 148 pessoas e o vírus atingiu cinco mil habitantes. Estou aqui copiando um estudo do diretor do Arquivo Público Municipal, Cláudio Lemieszek. Vamos tentar reproduzir aqui, nas próximas edições, essa pesquisa de um tempo em que o mundo viu 40 milhões de pessoas morrerem.   

Dilma e o isolamento
A ex-presidenta Dilma Rousseff voltou à cena pública dia desses para opinar no UOL sobre o momento de crise. Disse ela que só tem um método de combater o vírus, que é o isolamento, “o isolamento é horizontal porque as famílias são horizontais”. 
Só não me perguntem o que ela quis dizer com isso.

Imprensa armada
Por mais truculento e inconveniente que o presidente Bolsonaro demonstre ser, não há dúvida que a grande imprensa brasileira está armada e quer sua queda. A ida de Bolsonaro na manifestação de domingo provocou uma histeria há muito não vista na imprensa, nas linhas e entrelinhas atiraram para derrubá-lo. E quando o ex-deputado Roberto Jeférson, o homem que denunciou o Mensalão, expôs sua análise sobre o golpe armado por Rodrigo Maia contra o presidente, a imprensa resolveu desqualificar o carteiro antes de ler sua carta. “Jeférson não tem moral, é um corrupto confesso”, anunciaram alguns afamados articulistas, que tudo podem e quase tudo conseguem com suas opiniões tacanhas.  


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