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PAPO DE ELEVADOR - 20 DE NOVEMBRO
Publicado em 20/11/2019

Gladimir Aguzzi

Gladimir Aguzzi

Foto: Reprodução/FS

A verdade (verdadeira) sobre os precatórios
Há duas ou três semanas, o ex-prefeito Mainardi andou escrevendo algo que denominou de “a verdade sobre os precatórios em Bagé”. Não fosse imprecisa e falaciosa, a peça escrita já seria por si só de uma hipocrisia incomensurável. Ele diz que não foi somente o partido dele, PT, responsável pelo alto valor da dívida de precatórios herdada pela atual gestão (a dívida está em quase 80 milhões de reais). Ora, ora, ora...

Mainardi, o esquecido
O ex-prefeito esqueceu, por conveniência, que quando se fala em precatórios há que se considerar a sua prevenção, que é do gestor responsável. Ou seja, além da responsabilidade do cumprimento das obrigações de créditos com os funcionários e pessoas jurídicas, é preciso prevenir novos precatórios.  Em outras palavras, o prefeito não deve gerar novos débitos. E nisso, ou seja, na produção de dívidas novas, além de mau pagador, o Partido dos Trabalhadores e o ex-prefeito, em especial, são imbatíveis. 

R$ 49,5 milhões
O ex-prefeito se esqueceu de abordar nesse sentido (geração de novos débitos), que os convênios firmados com a Urcamp e a Santa Casa, em 2003, 2006 e 2008, pelo quais foi condenado por improbidade administrativa. Ele recorreu da decisão do juiz federal de Bagé, ocasionando, num primeiro momento, só na esfera trabalhista, um débito de 49 milhões 520 mil 95 reais e 64 centavos. O processo tramitou na 1ª Vara do Trabalho de Bagé. 

É golpe nos cofres!
Há poucos dias os cofres da prefeitura sofreram mais um golpe com a condenação do município, agora na esfera tributária, mas também na Justiça Federal de Bagé. O valor a pagar é de quase 13 milhões de reais. Adivinhe de quê, caro leitor? Dos famigerados convênios mencionados, que têm por mentor, idealizador e executor, justamente, Luiz Fernando Mainardi! Faltou essa abordagem na argumentação escrita e publicada em jornal concorrente no dia 6 de novembro.

Minguados repasses
O ex-prefeito, que gosta de tergiversar e chamar seus adversários de demagogos e populistas, “esquece” que Dudu Colombo, também ex-prefeito de Bagé, também do PT, somente no ano de 2016, gerou uma dívida por não cumprir obrigações com os credores de precatórios de cerca de 6 milhões de reais; ocasionando o sequestro das contas da prefeitura em 2017. Dudu, para ser mais preciso, deveria pagar 690 mil por mês e repassava 60 mil. Apenas 60 mil. 

O bom pagador paga pelo mau
O governo atual, premiado com o selo de bom pagador de precatórios pelo presidente do Tribunal de Justiça do Estado, paga por mês 711 mil reais, sem contar as inúmeras providencias moralizadoras adotadas, como: criação por lei municipal da Câmara de Conciliação de Precatórios, Lei Municipal que permite a habilitação do Município nos depósitos judiciais para pagamento dos credores de precatórios,  Lei Municipal que permite a alienação de imóveis para pagamentos de precatórios, e, o  mais importante, a revisão de todos os precatórios já expedidos com montantes vultosos. 

Respeito ao município
Só através dessa revisão dos precatórios, promovida contra a CEEE e a Corsan, a gestão atual está evitando o pagamento indevido de mais 15 milhões de reais. Tudo isso, por conveniência, foi esquecido por Mainardi. Ele esqueceu, também, o valor milionário não pago em sua gestão relativo à dívida com a Cootraba. As ações adotadas pela atual gestão em relação ao tema são, de fato, eficazes e denotam respeito, responsabilidade com os credores de precatórios, e, sobretudo, com a população que paga os impostos. Eis a verdade sobre os precatórios em Bagé. “O resto é silêncio...” 

Os dois “Dudu”
Aliás, sobre aquela história de que Mainardi esquece que Dudu Colombo é do PT. Não é bem assim. É pior. Quando ele gosta de alguma coisa que Dudu fez, aí vira companheiro. Mas, quando a população demonstra não gostar de alguma ação ou falta de ação por parte do ex-prefeito Dudu, aí Mainardi passa a tratar como um adversário, alguém que está em outra facção ideológica dentro do Partido dos Trabalhadores, alguém que ele não gosta. Ou, simplesmente, como fez com a história dos precatórios, esquece. Mainardi esquece Dudu. 

O PT que não existe
Por outro lado, assim como já fez com a deputada Juliana Brizola (Mainardi procurou Juliana para ter o apoio do PDT em Bagé no ano que vem e ouviu um ‘não rotundo’); ele já deve ter pedido apoio para Dudu Colombo, que tem sua turma grande no PT. Mainardi esquece o que fez para seu companheiro de partido, esquece o que fez para o PDT e esquece que jamais apoiaria o fim da prisão após condenação em segunda instância. 

Acabou
Ah, é bom lembrar Mainardi, já que ele esquece tanto, nessa história de prisão em segunda instância, havia um PT nos áureos tempos, que era dono da verdade, da ética e da pureza política. Esse PT acabou; esse PT foi para a cadeia. 


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