PAPO DE ELEVADOR -20 DE MARÇO
Publicado em 20/03/2020

Gladimir Aguzzi

Gladimir Aguzzi

Foto: Reprodução/ New York Post

Não é uma conspiração
Coronavírus é coisa grave. Muito grave. Por mais que tu jures que é uma coisa assim, “meio teoria da conspiração”, estás enganado. O novo coronavírus não é uma armação da China, nem do mundo capitalista predador, nem houve isso e aquilo para que a bolsa subisse e depois caísse. NÃO! Não. Nada disso.
Neste Papo, misturo histórico, sintomas e curiosidades em torno do tema. 

O vírus parece uma coroa
Coronavírus é uma família de vírus que causa infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus foi descoberto em dezembro passado após casos registrados na China. Provoca a doença chamada de coronavírus (Covid-19). Os primeiros coronavírus humanos foram isolados pela primeira vez em 1937. No entanto, foi em 1965 que o vírus foi descrito como essa denominação, em decorrência do perfil na microscopia, parecendo uma coroa. 

Falta de ar
A doença que o vírus provoca é uma infecção respiratória que começa com sintomas como febre e tosse seca e, ao fim de uma semana, pode provocar falta de ar. De acordo com uma análise da Organização Mundial da Saúde, baseada no estudo de 56 mil pacientes, 80% dos infectados desenvolvem sintomas leves (febre, tosse e, em alguns casos, pneumonia), 14% sintomas severos (dificuldade em respirar e falta de ar) e 6% doenças sérias (insuficiência pulmonar, choque séptico, falência de órgãos e risco de morte).

Três infecções mortais
Três das sete infecções por coronavírus em humanos podem ser muito mais graves e recentemente causaram grandes surtos de pneumonia mortal:
- Sars-CoV2 é um coronavírus novo que foi identificado pela primeira vez em Wuhan, China, no final 2019, como a causa da doença por coronavírus de 2019 (Covid-19) e se espalhou por todo o mundo.
- Mers-CoV foi identificado em 2012 como a causa da síndrome respiratória do Oriente Médio (Mers).
- Sars-CoV foi identificado em 2002 como a causa de um surto de síndrome respiratória aguda grave (Sars).
Esses coronavírus que causam infecções respiratórias graves são transmitidos por animais para os seres humanos (patógenos zoonóticos).

“Jinbu”
O curioso nisso tudo é que um rastreamento da origem do vírus levou os pesquisadores ao mercado de animais vivos em Wuhan. Esses animais são vendidos como alimentos exóticos para seres humanos. Existe um fator cultural nisso tudo que é a crença tradicional chinesa nos poderes de certos alimentos. Trata-se do aspecto culinário conhecido como “jinbu”, que significa algo como “preencher o vazio”. 

A culpa é do mensageiro 
Antes de prosseguir no histórico do “jinbu”, quero reproduzir uma informação publicada no jornal Estado de S. Paulo, escrita por Yi-Zheng Lian, comentarista de assuntos asiáticos e professor de economia da Universidade Yamanashi Gakuin, no Japão. Alguns governos quando sentem que podem ser causadores de uma crise castigam o mensageiro. Um médico que fez o alerta nas redes sociais para uma possível epidemia viral estava entre as muitas pessoas convocadas pela polícia em Wuhan no início de janeiro, orientadas a não espalhar boatos. Ele morreu recentemente em decorrência da infecção pelo Covid-19. 

Honrando a tradição
A epidemia de Sars — causada por outro coronavírus — que eclodiu no sul da China no fim de 2002, foi acobertada pelas autoridades locais por mais de um mês, e o cirurgião que, foi o primeiro a soar o alarme, foi mantido em uma prisão militar por 45 dias. 
A prática de castigar quem fala a verdade não é uma invenção da China governada pelos comunistas — embora o partido tenha honrado essa tradição. 

Animais frescos ou crus
Voltando ao preenchimento do vazio, o “jinbu”. Revela a teoria holística que “é melhor curar um mal com um alimento do que com um remédio”. Porque, na versão mítica, as doenças são o resultado de um corpo esgotado de sangue e energia. Para os homens, o importante é preencher o vazio de energia, ligado à virilidade e à potência sexual; para as mulheres, a ênfase é na reposição do sangue, ligado à beleza e à fertilidade. A crença leva às plantas e animais silvestres raros como os melhores para essa reposição, especialmente se ingeridos frescos ou crus.

Serpente, morcego, tigre...
Os adeptos do “jinbu” têm uma lista de alimentos exóticos, cujos métodos de obtenção e preparo podem ser cruéis e revoltantes. Serpentes, pênis de touros e cavalos estão nos cardápios de restaurantes no sul da China e “afirmam” são bons para os homens. Os morcegos, tidos como origem do coronavírus atual e do vírus da Sars, “servem” para restaurar a vista — especialmente as fezes granulares do animal. Bexigas e bile recolhidas de ursos vivos são usados contra a icterícia; osso de tigre é usado para ereções.

Cachorro na adrenalina
Pessoas menos abastadas podem recorrer à carne de cachorro — de preferência um cachorro que tenha sido perseguido antes de ser abatido, pois alguns acreditam que se obtém mais “jinbu” de um animal, cujo sangue e energia estavam em alta. 
Os sábios chineses, há tempos, incentivam o consumo de animais exóticos. Muitos povos de outros países também consomem alimentos exóticos. Mas, na China, o notável é que essas crenças estão incorporadas ao inconsciente coletivo chinês. 

Investigar causas
A epidemia atual do Covid-19 foi facilitada por duas práticas culturais fundamentalmente chinesas. “Pode ser desagradável saber disso, e alguns podem considerar tal afirmação ofensiva”, afirma Yi-Zheng Lian, “mas é necessário investigar todas as causas por trás da epidemia mortífera, seja qual for sua natureza — pois, se não o fizermos, estaremos apenas aguardando o início do próximo surto”.
Finalizando hoje esse assunto: É grave e já chegou a Bagé. 

Os imorais de volta à cena
A falta de água em Bagé pelo rompimento de duas adutoras tirou do coma induzido um e outro político sem moral para falar no assunto. 
O problema da água tem 40 anos. Ninguém resolveu. Ameaçaram várias vezes, mas não resolveram. E quando chegaram perto desviaram o dinheiro com falcatruas. Pelo menos R$ 8 milhões do dinheiro da barragem sumiu. O que eu não entendo é que a prefeitura tem que pagar isso, ressarcir a União. Os gestores responsáveis deviam ser penalizados. 

 


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