PAPO DE ELEVADOR - 2 DE JUNHO
Publicado em 02/06/2020

Gladimir Aguzzi

Gladimir Aguzzi

Foto: Reprodução/FS

Jornalista Mário Lopes

Propaganda dos anos 80
Agradeço a todos que enviaram mensagens e sugestões para a coluna que na semana passada fez uma abordagem da propaganda em Bagé nos anos 80. Por se tratar de uma simples coluna, faltou muita coisa. Voltarei ao tema porque há muito ainda para dizer de bom, como a lendária Muza Publicidade e o folclórico anúncio do palhaço, dizendo “Karam tem, karatê, karatê não, Karam tem”. 

Estranhos jornais
Depois de “Aurora de Bagé”, de 10 setembro de 1861, mais de 200 jornais já circularam em nossa cidade. Porém, há muita coisa interessante nessa história de 159 anos, como as publicações periódicas com nomes curiosos, estranhos ou engraçados de alguns jornais que surgiram por aqui: Ferrão, Lampião, Anzol, Palhaço, Clown, Detetive, O Mignon, A Marreta, A Tesoura, A Navalha, Pacote, Encrenca, Lanterna, Carrasco, Alfinete, A Sogra e Anseios. 
Quem me contou e registrou no seu livro “Bagé Fatos e Personalidades” foi Mário Nogueira Lopes.

IMAGEM MÁRIO LOPES
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LEGENDA: Jornalista Mário Lopes

Fofocas
Também tivemos jornais de fofocas. Sim. Verdade. Jornais de fofocas. Alguns nomes: Tagarela, Melindroso, O Rosicler, O Vagalume e Pirilampo.
Jornais exclusivos de esportes: Bagé Esportivo, de Severo & Lucas; O Desportista, Revista Esportiva e Folha Esportiva, esses três editados por Mário Lopes. 

O censurado
Na década de 30, alguns aficionados da escrita, como Pedro Wayne, Pelayo Peres, Fernando Borba e Paulo Thompson Flores lançaram um jornal de seis páginas, irreverente e excêntrico com o nome de “ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZ”. O jornal teve uma ampla repercussão no meio intelectual brasileiro, chegavam a Bagé pedidos de exemplares dos mais variados pontos do país. Na capa estava escrito que se tratava de “literatura da nova, coisas de hoje”. Em nossa aldeia, foi considerado obsceno, pornográfico e imoral. Por ordem do governador Flores da Cunha, a polícia fechou o jornal.

IMAGEM PEDRO WAYNE
REPRODUÇÃO
LEGENDA: Pedro Wayne e a irreverência impressa

A falsa moral
O “ABCD...” na última edição avisou aos seus “inúmeros desafetos que com esse terceiro número despede. Não sairá mais. Nascido para viver um dia apenas, três vezes, com esta, veio ao lume, forçado pela estúpida falta de compreensão daqueles que o apedrejaram em nome de uma falsa moral, embuçados capas de borracha de tartufo.” 

A despedida
O irreverente jornal ainda prosseguiu em seu editorial de despedida: “Moral caolha e hipocrisia não é moral. Por isso, não aceitamos a lição quando surgiu ela da intriga do anonimato. Os redatores do dito cujo aproveitam o ensejo para se despedirem de todas as almas generosas que lhes têm enviado descomposturas, intrigas e coisas outras, tão profundamente imorais que não cabem dentro da sinceridade desta folha.” Lembro que isso ocorreu nos meados da década de 30 do século passado.

Resposta ao baixo PT
Esta coluna, Papo de Elevador, voltou às páginas de jornal em julho de 2018, menos de cinco anos depois da parada abrupta em tempos do PT na prefeitura e por culpa do PT na Prefeitura de Bagé. Eu estava em outro jornal. E antes em outros, também com colunas de análise das coisas da minha cidade, da política e da cultura.  E por que escrevo isso? Porque se antes Papo de Elevador ou Pílulas Políticas existiam com críticas, nada mudou. As críticas continuam, mudaram as pessoas que detêm o poder. Ainda ontem era o PT, hoje é o PTB, o PSDB e Bolsonaro. Tomara que PT nunca mais porque é nefasto.
No entanto, se o PT, por meio de seu presidente local, Flavius Vinicius Brignol Borba, que atende pela alcunha de Dajúlia, resolveu dizer bobagens para ofender este colunista pelas redes sociais, o que não só configura baixaria, mas justifica ele pertencer ao partido que pertence, o mesmo que destruiu o país e, por impeachment, foi impedido de colocar os brasileiros em situação venezuelana, então farei aqui algumas ponderações.
Confesso que não li ou ouvi todas as ofensas. Tem ali “vagabundo”, que é um mantra de Luiz Fernando Mainardi, chama a mim e ao presidente da República de vagabundo, o repertório do deputado é limitado. Até compreendo. Esperar o que de quem nunca deu certo como empresário e acha Lula e Dilma gênios da raça humana? Também nas ofensas diz que “recebo da prefeitura para falar mal do PT no jornal”. Ora, ora. Escrevo em jornais e para jornais há mais de 30 anos, sempre crítico, sem jamais ser remunerado por qualquer prefeitura por isso. É que ele mede os outros com a sua régua torta. 
Por fim, esclareço que não ando por aí defendendo estatal, sendo cargo de confiança de estatal e depois, quando saio da estatal, arranco dela na Justiça mais de R$ 800 mil, como o senhor Dajúlia fez com a CGTEE. E ainda tem a jactância de dizer que defende as estatais. Também não fico usando o dinheiro da Assembleia Legislativa, em que ele exerce cargo de assessor de Mainardi, mesmo sendo presidente do PT, para ter como única função fazer “lives” para justificar o injustificável, como o fato de terem envergonhado Bagé com falcatruas na construção da barragem, que não construíram em 16 anos de prefeitura.
Queria saber como o senhor Dajúlia trabalha? Pelo que me consta, não faz nada desde que fechou o Bamerindus em 1984. Ah, sim, ele defende estatais e o povo oprimido.         


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