PAPO DE ELEVADOR 17 DE MARÇO
Publicado em 17/03/2020

Gladimir Aguzzi

Gladimir Aguzzi

Foto: Reprodução. Arte Gladimir Aguzzi

MAINARDI FRANK

O candidato
Quer dizer então que no aniversário de 40 anos, sábado, o PT perdeu a oportunidade de anunciar seu candidato a prefeito ou pré-candidato e começar a descobrir qual a reação popular? Por mais que algum esperto do “marquetingue” venha com o discurso de “não podemos armar o adversário com uma revelação prematura”, só há uma realidade nisso tudo: o PT precisa compreender qual a reação popular para seu candidato. 
A intuição ou o “feeling” não é o melhor amigo do “marquetingue”.

A pesquisa da pesquisa
Eu sei que alguns dirão “temos pesquisa”. Porém, em tempos de rede social, da informação na palma da mão, para qualquer ação há milhares de reações e essas reações refletem outras milhares de novas reações que desembocam numa certeza: - a pesquisa oferece um resultado, mas o debate público em torno do resultado da pesquisa gera outro resultado.

Paradoxo de aldeia
Entendo como ultrapassada a estratégia de guardar o nome até o último instante. Embora Bagé inteira diga que Luiz Fernando Mainardi é o candidato do PT a prefeito. É a tábua de salvação para o partido, que parece não ter outro nome que possa concorrer com Divaldo Lara. Os petistas depositam toda a esperança em Mainardi para limpar a cacaca que Dudu fez com a ajuda do próprio Mainardi.

 

Paulinho, o apresentador
Não fui à festa de aniversário do PT. Óbvio. Apenas soube que havia em torno de mil pessoas e que Paulinho Pareira foi o mestre de cerimônias ou o apresentador oficial, como queiram. Ah, e que não houve anúncio do candidato a prefeito para a tristeza dos petistas, pessolistas, comunistas e socialistas. Aliás, achei curioso ser Pareira o apresentador. Muito curioso. Ou, mais que isso, revelador. 
   
Tubo de ensaio

Paulinho Parera, o apresentador da festa? Interessante. Se faltou a pessoa que deveria apresentar, machucou-se, atrasou-se, bebeu demais, enfim, nesses casos é compreensível a substituição de última hora. Mas, se nada disso aconteceu, a escolha parece política. Visibilidade. Experimentação. Mais ou menos desse jeito o PT começou a colocar Fernando Haddad em tubos de ensaio dos laboratórios internos. 
Deu no que deu. E o pior é que quase deu. 

Mainardi não é 
Tenho ouvido as pessoas afirmarem, do PT, dos puxadinhos e até de adversários do PT, que Mainardi é o candidato a prefeito do partido. Há quem jure ter falado com o próprio, que ouviu confirmação oficial. Duvido que ele tenha dito “sim, sou”. Eu defendo que não. Mainardi não é candidato a prefeito. Mesmo que mais tarde alguém pegue essa página e me jogue na cara dizendo que errei, afirmo: - Não é. E digo por que penso assim.

A história não recomenda
Mainardi não é candidato a prefeito e a tese é simples: - Ele conhece a história política da cidade. Sabe que uma volta nesse momento representa o fim de sua vida pública.
Por mais que Lula, Pimenta, Haddad, Tarso e Olívio digam que se trata de um projeto maior, que a união de forças em todo o Brasil trará o PT de volta à presidência da República e que essa união depende de vários fatores e de cidades como Bagé. Apesar de tudo, ele não é candidato a prefeito.

Um “poste”
Mainardi não é candidato porque sabe que não tem mais o PT em Brasília e no Estado. Não é candidato porque sabe que se eleito fará uma gestão pior que as duas anteriores. Não é porque vislumbra um caminho melhor pela frente. Não é porque está bom do jeito que está, é deputado, líder do PT e o nível de estresse é baixo. Não é porque acredita que pode eleger alguém ao invés dele. Não é porque jura que pode utilizar-se da tese de Lula e eleger um “poste”.

Se perder, adeus
Para Luiz Fernando Mainardi ser candidato a prefeito de Bagé pode enterrá-lo politicamente se perder para Divaldo Lara. Aliás, acaba o discurso e acaba a reeleição para deputado ou outro cargo semelhante, em 2022. 
Com o enorme desgaste do PT às costas irá para uma eleição sabendo que enfrentará um candidato articulado, mesmo que também desgastado. Terá a força que pensa que tem? Valerá a pena?

A história se repete
É interessante informar que, sendo candidato, o petista não perde seu mandato de deputado estadual. Perdendo a eleição continua deputado. O que pode parecer cômodo. “Vou lá, satisfaço a minha turma e se não me eleger volto para a Assembleia e concorro de novo em dois anos”, diria comodamente o cara que governou Bagé de 2001 a 2008. Porém, ele sabe que não é bem assim. A estigma da derrota é um fator histórico, vem da Grécia e da Roma. Tem quase três mil anos. Preferível buscar um candidato de laboratório. Melhor erguer um poste, de cabelo repartido e obediente. Melhor um bom moço. 

Era uma vez a história
Por fim. O leitor poderá fazer a seguinte reflexão. “Bobagem desse colunista. Está dizendo tudo isso porque não quer que o Mainardi venha. Vamos deixar esse imbecil de lado e continuar acreditando que o ‘alemão’ será o nosso prefeito mais uma vez.”
Ok. Tudo certo. Aguardemos. A verdade se faz com o tempo. Aliás, por falar em tempo, nada é tão implacável. 
Outro dia abordarei a mística terceira via. 


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