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Papo de elevador - 14 de agosto de 2019
Publicado em 14/08/2019

Gladimir Aguzzi

Gladimir Aguzzi

Foto: Reprodução/FS

Panela do Candal

Numa das curvas do arroio Bagé, ao pé da elevação que culmina com a praça e a igreja da Matriz, e faz com que as águas corram para o sul da cidade, está a Panela do Candal. Segundo a narrativa de Elizabeth Macedo de Fagundes, em seu livro Inventário Cultural de Bagé (Editora Praça da Matriz, 2ª edição, 2012), o arroio forma ali uma alça que dá a impressão de uma panela.

 

Lendas do lugar

A “panela” fica entre duas elevações. O arroio corre do leste para o oeste. Ali está um dos locais mais simbólicos do leito do arroio Bagé. Entronizado no centro da cidade. Artístico. Poético. Histórico. Existem vários pontos de observação da Panela do Candal. É um lugar que pode ser mágico e folclórico pela lenda escrita por Pedro Wayne, O Monstro da Panela do Candal. Além das histórias de fantasmas que alguns juravam ter visto.

 

“Seu” Candal

O nome Panela do Candal tem origem em José de Assis Candal. É porque nas proximidades, na atual rua Almirante Gonçalves, no cerro à direita do arroio, morava o “seu” Candal, um escrivão de orfãos. Há registros dele por ali desde 1829. Ou seja, lá no início de Bagé. Alguns escritos afirmam que fazia “galinhadas” para os amigos e outros que servia “sopa” para os mais necessitados. Em ambos os casos, utilizava uma imensa panela.

 

Lugar de lazer

A primeira ponte foi construída pelo Exército brasileiro, através do Ministério da Guerra, em 1878. Era de madeira com base de alvenaria e ligava o cerro à margem esquerda do arroio. Mais tarde o local serviu de balneário. Famílias frequentavam o espaço para lazer, tomavam banho e, segundo me informou o jornalista Mário Lopes (1922-2016), havia uma boa estrutura no local.

 

IMAGEM PRAINHA DA PANELA DO CANDAL

REPRODUÇÃO

LEGENDA: Um balneário em pleno centro de Bagé

DEIXA UM ESPAÇO PARA A HELOÍSA ENVIAR A FOTO ÀS 17H45

 

 

Monstros e fantasmas

Aliás, Mário Lopes, que no final dos anos 1940 trabalhava na rádio Cultura, contou a amigos que certa feita os colegas da emissora e também de jornal resolveram transmitir a aparição de um “fantasma” na Panela do Candal. Havia comentários “fortes” que, à noite, pessoas viam a imagem daquilo que seria um fantasma. A Cultura anunciou uma transmissão ao vivo.

Então, em determinada noite, depois de um dia inteiro de anúncio, entraram no ar quando já eram 20 horas. Ficaram por enrolando, conversando com um e outro, contando coisas sobre aparições, mistérios da panela, até que lá pelas 23 horas da noite, como o “fantasma” ou o próprio monstro não apareceu, deixaram para voltar em outra oportunidade.

Uma multidão compareceu, lotando os cerros em volta do arroio.

 

Um projeto audacioso

A Prefeitura de Bagé, através da Secretaria de Gestão, Planejamento e Captação de Recursos (Geplan), por iniciativa do secretário Eduardo Deibler, fez um projeto de revitalização da Panela do Candal. Pelo que vi prioriza o que há de mais histórico e lendário do lugar. É um projeto audacioso, bonito e que oferecerá um novo olhar para a cidade.

 

Memória e história

Eduardo Deibler, além de ser nascido e criado em Bagé, é filho do professor Luís Carlos Deibler. Portanto, conhece muito bem a Panela do Candal, sabe de seu significado para a cidade. Somos todos assim, voltamos à infância, revisitamos nossas histórias a todo o momento. Uma cidade não é uma cidade rica se perder a referência do lugar. Uma cidade sem memória é a coisa mais triste que pode haver.

 

Uma estrutura de turismo

O projeto deverá ter aporte do Ministério do Turismo, custa em torno de R$ 2 milhões e contou com a participação da equipe técnica da Geplan, do Conselho de Defesa do Meio Ambiente (Condema) e apoio do Ecoarte. A equipe se dedicou bastante em cada detalhe, segundo fui informado. Praça, quiosque, escultura do monstro e mirante estão previstos, além de uma respeitável área verde com árvores nativas.

 

IMAGEM PANELA DO CANDAL PROJETO 1

REPRODUÇÃO

 

 

Autoestima elevada

Concretizando-se o projeto da Panela do Candal, o moderno abrigo de transporte coletivo revitalizando o Calçadão e construindo o teatro municipal, teremos uma nova Bagé, mais bonita, artística e cultural. Então, alguém dirá: - Queremos emprego! Queremos indústria!

E neste papo, afirmo: - Com infraestrutura, cidade bonita, limpa e com a autoestima elevada as coisas começam a acontecer. Atrai investidores!

 


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