PAPO DE ELEVADOR - 14 DE ABRIL
Publicado em 14/04/2020

Gladimir Aguzzi

Gladimir Aguzzi

Foto: Reprodução/Museu Dom Diogo de Souza

A omissão
É difícil escrever para um jornal e não se referir ao coronavírus, à Covid-19, à pandemia, ao que afeta o mundo neste momento. Uma referência. Uma citação. Algo tem que ser escrito, nem que seja uma frase. Porque a vida te cobra, o sentimento de omissão te invade e é muito ruim ficar indiferente quando se sabe estar falando a tantos. 

Rápido
Bagé tem muito o que comentar sobre todo esse fato triste, a entrada do vírus através dos profissionais de saúde, os comentários levianos e mesquinhos por conta dessa entrada, a ação rápida e eficiente do prefeito Divaldo, a transformação de sua equipe de trabalho em um verdadeiro exército de combate ao vírus, o alerta bem feito utilizando as redes sociais e a imprensa – avisando sobre cuidados e isolamento.

A entrada do vírus
Ou seja, Bagé, hoje, dia 14 de abril de 2020, está com uma situação de contaminação sob controle por essa agilidade do prefeito e de sua equipe. Porque, pensemos bem. A forma como o vírus chegou à cidade, a Santa Casa (imagina só!) no protagonismo disso tudo, e esse nosso jeito de sermos dispersos, pois temos uma tradição de 200 anos gritando aos quatro ventos que “não pegamos nada, somos criados a campo”, esses detalhes representam verdadeiros atrativos para a contaminação. 

Bagé é exemplo
Outro dia li uma manchete na Zero Hora em que anunciava Bagé como exemplo na estratégia de distanciamento social. A cidade foi apontada pelo Ministério da Saúde como a décima no Brasil em casos na relação com o número de habitantes. E a eficiência do combate ao coronavírus deve nos colocar para trás nesse ranking. Ainda bem. Embora seja cedo ainda. Não dá para dizer muito. Tudo é muito frágil e perigoso. Mas, confesso que me surpreendi com a disciplina dos bageenses. 

Os primeiros bageenses
Cheguei a pensar que essa disciplina e a eficiência no combate ao vírus não são coisas de agora, mas algo que vem de longe, da história, lá de trás, porque esta terra sempre esteve à frente de desafios. Inúmeros. Os primeiros habitantes portugueses que criaram coragem e vieram morar aqui foram recompensados por isso. Ganharam terras porque era muito perigoso e precisava coragem. Terra cheia de índios “selvagens” e castelhanos “enlouquecidos” pronto para matar português.

Terra de uns e de outros
Longe de tudo. Sempre em guerra de fronteira. A terra em um ano era de Espanha, no outro de Portugal. Depois não era de ninguém. E assim íamos. Sem eira nem beira. Sem estrutura. Sem saber se seria ou não uma vila, uma cidade. Sem doutor. Sem delegado. Sem futuro, parecia. Era cada um por si. Essa é a história de Bagé. Cheia de dificuldades, de superação. Só numa olhada de revesgueio por quatro ou cinco páginas de um livro do Tarcísio Taborda já sai um filme sobre o lugar. E bom. 
 

Guerras em abundância
O que não faltava era guerra ou revolução. Guerra Guaranítica, Batalha do Forte de Santa Tecla, Batalha da Retomada do Forte de Santa Tecla (ou Batalha do Forte II), Guerra Cisplatina, Revolução Farroupilha, Guerra Grande do Uruguai, Guerra contra Aguirre, Guerra do Paraguai, Revolução Federalista de 93, Revolução de 23. Em tudo estávamos; em tudo éramos obrigados a nos meter. E em tudo nos metíamos. Solidariedade faz parte das almas daqui. 

Somos o que somos
E nessas idas e vindas, frio, geada, chuva fria, vento, enchente e calor demais, conseguimos forjar uma personalidade que habita o sul da América do Sul tendo em cada região suas características, mas todos por si “gaúchos”. Somo isso, gaúchos, um tipo que foi se construindo pelo caminho, pega daqui, pega dali, mexe, adapta, cerze, costura, faz, cozinha, assa, arroio, cerro, cacimba, caça, pesca, monta, pula, salta, corre, para.  E tudo porque logo à frente tem um inimigo humano, inimigo bicho, clima, solo.

A última batalha 
Enfim, estamos sabendo levar a serio o enfrentamento do vírus. Precisamos compreender que a situação só não é mais grave por haver disciplina, pela forma como a população encarou a guerra, a maneira como agiu, pela ação efetiva do prefeito, pela comunicação direta e constante, dia e noite, informando a realidade e mostrando que o poder público não esteve e não está parado. 
Enfim, vamos vencer mais uma batalha! É proibido esmorecer.  


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