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PAPO DE ELEVADOR 10 DE MARÇO
Publicado em 10/03/2020

Gladimir Aguzzi

Gladimir Aguzzi

Foto: Reprodução/FS

Bocão. O mais votado

Traição liberada
O assunto do momento na política é a troca de partidos de quem pretende concorrer na eleição de outubro. E por quê? Porque os políticos resolveram inventar uma tal janela partidária. Ou seja, seis meses antes da eleição municipal, a “turma” que vai concorrer está liberada para trair seu partido e quem tem mandato na Câmara não corre o risco de perdê-lo.  

No tempo da ideologia
Interessante perceber nessas movimentações de “sai daqui e vai pra lá”, o que menos importa é o partido. Acabou aquela história de acreditar na ideologia partidária. Isso virou coisa do passado. Lembro que antigamente, nem tão antigamente assim, corria-se o risco de perder uma eleição, mas não o firme propósito de defender as ideias do partido. Vi muito isso no PDT, no PDS e no PT. Hoje, virou raridade.  

O deserto e o oásis
Essa “janela partidária” e o fim da coligação na eleição para vereador estão fazendo com que as direções partidárias e os próprios candidatos tenham de montar estratégias inimagináveis. E o incrível disso é que as estratégias são para a fartura de candidatos e também para o deserto, a falta de nomes viáveis. Tem partido com muitos em condições de se eleger e outros com nenhum.

Um caminhão de votos
Na eleição de 2016, o vereador do PTB, Ramão Bogado, o Bocão, foi o mais votado com 3 837 eleitores. É muito voto! Naquele pleito, o PTB elegeu cinco. Mas havia coligação e era coligado com PSC e Rede. Ou seja, além de Bocão, Graziane Lara, Esquerda Carneiro, Carlinhos do Papelão e Ronaldo Hoesel, também entraram nessa esteira o pastor Jéferson Dutra (PSC) e Beatriz Souza (Rede), graças à coligação. 

FOTO BOCÃO
CRÉDITO: Reprodução 
LEGENDA: Bocão. O mais votado

Bea no PSB
A vereadora Beatriz Souza não está mais na Rede, filiou-se ao PSB, o Partido Socialista Brasileiro, que em Bagé tem no professor Ricardo Cougo e no vereador Chico seus principais nomes. Beatriz abandonou a Rede com receio de não se eleger. Comentei sobre essa falta de votos na legenda em outra coluna. Mas, agora o problema é outro. Beatriz entra no PSB para ajudar a reeleger Chico, e só. 

Candidatos escadas
Percebam, caros leitores, como a eleição para vereadores este ano é um jogo de estratégia que deve ser muito bem pensado. Essa história de não haver mais coligação na proporcional e como se formarão as escadas dos eleitos pode constituir grupos de candidatos iludidos. Ou melhor, partidos inteiros iludidos. 

PSB 2016 x PSB 2020
O PSB fez 4 272 votos em 2016, coligado com PP e PV conseguiu uma cadeira na Câmara, a do Chico, enquanto o PP fez duas, Sonia Leite e Antenor Teixeira. Agora, o problema é que o PSB não tem mais um monte de gente daquela nominata, como pastor Joe, Luís Diego, Zeca Floriano e Antônio Carlos Ramos (Maria). Só esses quatro somaram 2 393 votos. Chico fez 750 e conquistou uma cadeira na Câmara. 

Doze anos depois
Agora, tudo dependerá de uma nominata que possa reeleger Chico. Beatriz deve ficar de fora. Pois, por mais que minhas análises busquem nomes e caminhos, não podemos esquecer que o PSB está unha e carne com o PT. E é no PT que as tendências de esquerda deverão despejar seus votos. O PSB acaba virando sobra. Afinal, desde 2004, os socialistas não elegiam vereador. Passaram 12 anos sem representação. 

Balas e Cougo
Em 2004, o PSB elegeu Paulinho das Balas e Ricardo Cougo. Na época, foi formada uma coligação denominada União Socialista Democrática, composta por PPS, PCdoB e PSB. A nominata tinha 21 nomes e totalizou 8 191 votos. Lembrem-se que, Bayard Paschoa concorreu a vice-prefeito na chapa de Luiz Mainardi prefeito. E Bayard era do PSB. 

De volta às amarras
Muitas reviravoltas aconteceram de lá para cá. Inclusive uma mistura esquisita entre comunistas do PCdoB e socialistas do PSB. Um saiu de lá e foi para acolá, o de acolá para aqui e ali. Uma salada que ninguém entendia. Depois, uns voltaram e outros nunca mais se viu. Até que Luís Alberto Silva, o Chico, com o PSB coligado, tendo na chapa majoritária o prefeito Divaldo Lara, conseguiu voltar à Câmara em 2016. Isso sem as amarras do PT. 

“Honraria”
Parece provocação com os socialistas grifar que Chico foi eleito tendo na chapa maior o prefeito atual. 
E é. Porque o PSB saiu de perto do PT no momento mais crítico do partido em Bagé. Em 2016. Ocasião em que os petistas abriram mão de ter candidato a prefeito e entregaram essa “honraria” (com aspas destacadas) para o médico Carlos Fico, do PCdoB, ex-PSB. 

Presente de grego
É de se analisar o PT que deixou a prefeitura há quase quatro. O que era aquilo? Chega a dar pena. Lembram? Tornou-se um partido desfigurado, com preguiça de governar, sem defesa na Câmara e sem concluir projetos. Com o prefeito Dudu e o deputado Mainardi, de relações cortadas, só fingiram cortesia na eleição de 2012, o PT entregou um presente de grego ao PCdoB em 2016, aceitando Carlos Fico como candidato a prefeito e Ruben Salazar, vice. Era o massacre anunciado.

União retrô
Pois bem, agora o PSB vem para a eleição reeditando o passado, ao lado do PT. Estarão juntos na candidatura a prefeito e vice. E esse é um quadro que pretendo analisar antes do fechamento da janela de transferência. Já se sabe que PC do B e PSOL estarão nesse mesmo barco. Sinceramente, não sei como essa gente vai conseguir compor a nominata de candidatos a vereadores. Não acredito que haja tanto comunista em Bagé disposto a se candidatar.  Mas...  

Em apoio a Bolsonaro
No próximo domingo, a partir das 16h, na praça Rio Branco, a famosa praça de Esportes, tem manifestação de apoio ao presidente Bolsonaro. Isso em Bagé, porque se trata de um movimento nacional. Causou muita polêmica. Aliás, muita polêmica fake, com direito a dramatização do congresso, com lideranças parlamentares afirmando que é um ato contra a democracia. Bobagem. O que não falta nesse país é manifestação de rua, contra e a favor. 

 


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